Muita onda por nada

24/04/2009

Durou menos de 24 horas o estardalhaço do departamento jurídico do Remo, que tentava trazer a final do segundo turno do Parazão de Santarém para Belém. O advogado Rubens Leão resolveu desistir do recurso que pedia a mudança do local do jogo, depois da punição do São Raimundo com a perda do mando de campo em uma partida. Assim, Leão e Pantera duelam mesmo no Colosso do Tapajós neste domingo por uma vaga na decisão do campeonato estadual, uma na série D do campeonato brasileiro deste ano e outra na Copa do Brasil do ano que vem.

 

Este cenário parecia improvável até ontem, depois do julgamento do clube santareno no Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paraense de Futebol. O São Raimundo foi punido por causa dos objetos atirados por torcedores em direção ao gramado no jogo contra o Paysandu no dia 28 de março. A sentença foi o pagamento de uma multa de 10 mil reais e a perda de mando de campo, com cumprimento imediato. Aí surgiu um problema de interpretação. O regulamento do campeonato fala que são necessários cinco dias úteis para a aplicação de uma punição como a do São Raimundo. O Remo queria que o tal “cumprimento” imediato já valesse no jogo de domingo e anunciou que entraria com um recurso pedindo a transferência da partida para Belém. Teve até bate-boca com a diretoria do Pantera, que estava revoltada com a possibilidade de marmelada.

 

A desistência do jurídico do Remo acabou facilitando as coisas e mostrando que o Leão fez muito barulho por nada. E assim, a justiça é feita: o São Raimundo faz valer os méritos e joga a decisão em casa, precisando apenas de um empate. Se servir de consolo, o Remo venceu cinco dos seis jogos que já fez no Colosso do Tapajós. Domingo, às 16h, vamos ver qual retrospecto fala mais alto.

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Adeus, Águia

23/04/2009

Águia, sonho, voar, surpresa, obstinação… É meio difícil comentar o desempenho do Águia de Marabá sem usar algumas dessas palavras. E logo vem à cabeça a infame canção “Sonho de Ícaro”, do Byafra, que conta a famosa lenda grega do jeito mais psicodélico e esquisito.

 

Pois bem. O Águia tinha um sonho audaz feito um balão: eliminar o Fluminense da Copa do Brasil. Bastava um empate para isso, mas o Azulão jogou como se precisasse vencer. Atacou bastante no primeiro tempo. Só foi prejudicado pela falta de pontaria e por um impedimento mal marcado aos 40 minutos. Lá atrás, o goleiro Ângelo conseguiu defender alguns bons ataques do Flu e se tornou o grande nome da primeira metade do jogo.

 

Mas dentro do bombom, havia um licor a mais. E no banco de reservas do Fluminense, havia Maicon. O garoto de 19 anos marcou dois gols e deu o passe para mais um. Foi figura fundamental na vitória tricolor por 3×0 e transformou o Águia em anjos de gás e asas de ilusão

 

Pretensões desfeitas na Copa do Brasil, o Águia de Marabá agora volta atenções para o campeonato brasileiro da série C, que começa daqui a pouco mais de um mês. O Azulão joga a primeira fase ao lado de Paysandu, Rio Branco, Luverdense e Sampaio Corrêa e é forte candidato a uma das duas vagas na segunda fase.


Morre Neves, eterno ídolo do Remo

23/04/2009

neves

** Publicada no Amazônia Jornal de hoje

Faleceu às 14h30 horas de ontem, no hospital Porto Dias, o ex-jogador e ídolo do Clube do Remo Fernando Jucá Neves, o ‘Nevasca’ ou simplesmente Neves. Neves, que sofria de diabetes, teve seu quadro agravado por complicações renais e não resistiu. O jogador ficou famoso pela versatilidade em campo – jogava tanto de ponta esquerda como de ponta direita -, habilidade com a bola nos pés e fama de boêmio que carregava pelos clubes por onde passou. O velório aconteceu na igreja Capuchinhos. Neves tinha 63 anos.

Apesar de ter se consagrado com a camisa azulina, Neves começou a jogar futebol na equipe juvenil do Paysandu. Esta equipe, aliás, contava com craques como freitas, Sálvio e Garrinchinha, e ficou famosa depois de conquistar o heptacampeonato da categoria no período de 1956-1962. Em 1964, o jogador transferiu-se para o Remo depois de um pedido muito especial. ‘Não é que o Neves não fosse remista, mas o pai dele, Seu Jucá, era azulino demais’, conta o jornalista Expedito Leal, que revela ainda o apelido do craque. ‘No exagero, chamávamos de ‘o Garrincha do Norte’’.

Depois de conquistar títulos com a camisa do Clube do Remo, o talento de Neves chamou a atenção de grandes clubes do futebol brasileiro e ele transferiu-se para o Botafogo-RJ, onde passou pouco tempo, já que, com o preço de seu passe muito alto, as duas diretorias não chegaram a um acordo. Neves teve ainda uma passagem pelo Fluminense-RJ. Neste período, fez amizades com jogadores e torcedores influentes do futebol carioca, inclusive com tricolores fanáticos. ‘Lá no Rio de Janeiro o Neves se deu muito bem. Logo fez amizades e curtia muito a vida boêmia da cidade. Um dos parceiros dele na noite era o cantor Chico Buarque, que também gostava de farra, mas não como o Neves’, conta Expedito.

Neves ainda passou por Fortaleza-CE, Operário-SC e Tuna Luso como jogador. Sua última temporada com profissional foi em 1974, com a camisa cruzmaltina. Em 1976, Neves candidatou-se ao cargo de vereador municipal. Foi eleito com status de vereador mais votado e exerceu um atípico mandato com seis anos de duração. Neste tempo, não fez nenhum pronunciamento na Câmara Municipal. ‘Na única vez em que pediu a palavra foi prontamente atendido pelo presidente da Casa, que anunciou à bancada que o Neves faria um pronunciamento. Percebendo um mal-entendido, ele se justificou: ‘Não quero falar, não. Só queria avisar que tem uma goteira em cima da minha mesa’’.

Durante velório, amigos falam com saudade do ex-atleta

O velório do corpo de Fernando Jucá Neves aconteceu na madrugada, na capela mortuária da Igreja dos Capuchinhos, em meio à emoção de familiares e amigos, incluindo ex-atletas do Remo e do Paysandu. Dessa capela sairá às 15 horas de hoje em direção ao Cemitério de Santa Izabel, no bairro do Guamá. Neves faleceu às 14h30 horas de ontem, na Clínica Porto Dias, onde estava internado em virtude de complicações provocadas pelo diabetes. ‘Assim como existem os imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), existem os imortais do futebol. O Neves é imortal. Ele apenas viajou, continua com os dribles dele’, afirmou Beto, ex-meio-campo do Paysandu, que chegou a atuar junto com ‘Nevasca’ na Seleção Paraense de Futebol, e contra Neves atuando com a número 11 do Clube do Remo.

Para o ex-lateral-esquerdo do Paysandu Zé Luquita (José Luís) o momento é de saudade. ‘Nós fomos amigos por 20 anos, e isso será para sempre. Eu joguei contra ele, eu pelo Paysandu e ele, pelo Remo. Mas, primeiro, nós fomos campeões profissionais pelo Paysandu, antes de ele ingressar no Remo. Ele sempre foi remista’. Para Lupercínio, também ponteiro-esquerdo, Neves ‘não foi apenas um grande jogador, foi um grande homem’. ‘Ele sempre foi uma pessoa alegre, mesmo nas situações difíceis. É uma grande perda para o futebol paraense e como pessoa, como amigo.’ Ex-jogador da Juventus (SP), João Caldas teve em Neves um grande amigo, por 40 anos. ‘Foi um amigo honesto e sincero, um excelente profissional e pai’, ressaltou. Também compareceram ao velório de Neves jogadores como Gereba, Paulinho e Wandick.

Os vereadores Carlos Augusto Barbosa e Pio Neto estiveram na capela mortuária, encontrando-se com familiares e amigos do ‘Nevasca’. A viúva de Neves, dona Lila, irmã do ex-vice-governador Hermínio Calvinho, e a filha Lívea foram consoladas pelo sobrinho Hermínio Calvinho Júnior, que informou ter nascido no dia 27 de março o neto de Neves, filho de Lívea. ‘Ele foi um jogador brilhante, tanto que foi considerado pela Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Pará (Aclep) como o ponteiro-esquerdo do Século 20’. O caixão de Neves está coberto com a bandeira do Clube do Remo.


Pelo fio da navalha

20/04/2009

A sobrevida que o Remo ganhou após a vitória no Re-Pa parece estar chegando ao fim. O empate em 1×1 com o São Raimundo no Mangueirão mostrou que o caminho do Leão para salvar a temporada de 2009 não deixou de ser complicado. O time criou pouco, foi quase inofensivo nas chances de gol e se deixou envolver pela melhor qualidade do Pantera. A garra que sobrou na vitória sobre o Paysandu fez falta.

 

O São Raimundo impressionou com um toque de bola mais refinado e jogadas mais objetivas. Garrinchinha e Michel, dois dos jogadores mais habilidosos do Parazão, foram os melhores em campo. Michel, inclusive, foi o protagonista da tarde. Marcou o primeiro gol do jogo, num belo chute de fora da área, e perdeu uma chance absurda de marcar aos 48 minutos do segundo tempo. Recebeu um belo lançamento de letra de Kolte e ficou cara a cara com o goleiro Adriano. Mas se atrapalhou na hora de chutar. Foi o último lance da partida e, depois do apito final, o meio-campo do Pantera caiu desesperado no gramado e foi consolado pelos colegas de clube.

 

Agora, se quiser ser campeão do segundo turno e participar da série D do campeonato brasileiro, o Remo terá que vencer o jogo de volta no domingo que vem em Santarém. Resultado que ainda não conseguiu nesta temporada, mesmo jogando em casa. Foram quatro jogos, com uma vitória do São Raimundo (5×1 no Baenão) e três empates. Não é um tabu irrelevante, mas um fato que obriga o Leão a acender o sinal amarelo.


Pressão máxima

18/04/2009

Um jogo entre Remo e São Raimundo nunca valeu tanto como o deste domingo no Mangueirão. As duas equipes disputam o título do segundo turno do Parazão, uma vaga na decisão do campeonato estadual e outra na série D do Brasileiro. Para o Leão, uma possível derrota vai ter consequências desastrosas. A principal delas é ficar sem calendário no restante do ano.

 

Mas a pressão não está apenas em cima dos remistas. O São Raimundo também sofre com as cobranças da torcida, que empurrou o time no segundo turno em Santarém, e também da imprensa, que fica de olho em qualquer possibilidade de pipocada de um clube do interior. E a marcação é ainda mais cerrada porque o Pantera tem jogado um futebol eficiente e revelado excelentes jogadores, como o meio-campo Michel.

 

Como tem a melhor campanha no segundo turno, os santarenos jogam por dois empates. O Remo precisa vencer pelo menos um dos dois jogos (o outro é no domingo que vem, dia 26, em Santarém) para levantar a taça. Amanhã à noite a gente volta a conversar.


O sonho de Galvão

18/04/2009

galvao

 

João Galvão é um cara simples. Paraibano e apaixonado por futebol desde garoto, seguiu o sonho de quase todos os jovens brasileiros e tentou ser jogador. Não teve muito sucesso. As andanças da família o levaram até Marabá, no sudeste do Pará. Desistiu de ser um grande atleta mas não deixou o futebol de lado. Foi um dos fundadores do Águia, clube que surgiu em 1982 e se profissionalizou em 1999. Galvão já jogou, foi presidente e técnico da equipe. Chegou a acumular os dois últimos cargos no ano passado, a temporada mais importante da história do Azulão. Em 2008, o Águia foi vice-campeão paraense e quinto colocado na série C do Brasileiro. Só não subiu para a Segundona porque ficou um gol atrás do Duque de Caxias nos critérios de desempate.

 

Nas últimas semanas, Galvão dizia que o dia 16 de abril traria a realização de um sonho. O jogo entre Águia e Fluminense pela Copa do Brasil o colocaria frente a frente contra um de seus grandes ídolos: Carlos Alberto Parreira, campeão do mundo com a seleção brasileira em 1994. Seria um duelo quase novelesco. De um lado, um treinador vitorioso com longa rodagem internacional. Do outro, um técnico que desponta no cenário do esporte mais por ser um bom personagem e por não ser muito além de um bom “arrumador de times”. A diferença foi evidenciada antes do jogo da última quinta-feira. João Galvão deu de presente a Parreira uma caixa de castanhas-do-pará e bombons de chocolate. Um gesto simplório e cheio de uma gentileza quase devocional.

 

Só que a cordialidade de Galvão terminou com o apito inicial do jogo. O Águia partiu pra cima do Fluminense e abriu o placar logo a um minuto de bola rolando. Fez 2×0 ainda no primeiro tempo. O tricolor só marcou o gol de honra no segundo tempo, tornando o trabalho dos cariocas no jogo de volta mais fácil. O Flu só precisa de 1×0 no Maracanã para marcar presença nas oitavas-de-final da Copa do Brasil.

 

Mesmo sabendo que eliminar o Fluminense não será fácil, Galvão está em êxtase. Os fatos já ultrapassaram os limites do sonho dele. E lá se vai o Águia, surpreendendo quando menos se espera e protagonizando histórias que brincam com a fronteira entre o fantasioso e o real.


Remo vence o Re-Pa 700

12/04/2009

Alguém precisa arrumar as estatísticas de internações em UTIs cardiológicas do Pará neste domingo. O herói que conseguir esse número certamente vai encontrar um recorde absoluto na história hospitalar do estado. Porque, me perdoem o clichê, o Re-Pa 700 foi de arrebentar átrios, ventrículos e sistemas circulatórios completos.

 

Antes do jogo, os analistas cartesianos do futebol cravariam palpites secos no Paysandu. O Papão tem um time superior, tem a melhor campanha, o Remo tinha acabado de sofrer uma derrota para o Flamengo batendo uma bolinha vexatória… E o Bicola ainda jogava pelo empate. Bastava jogar o feijão com arroz para segurar qualquer ímpeto dos remistas.

 

Só que um jogo de futebol não se ganha com logaritmos, regras de três e nem fórmulas mirabolantes. É preciso mais coração do que lógica. E foi isso que o Remo colocou em prática desde o primeiro minuto de jogo. Na base do abafa, o Leão abriu o placar com menos de 10 minutos de bola rolando. E numa partida impecável dos zagueiros Rogério Corrêa e Márcio Pereira, superou toda a pressão que tomou do Paysandu no primeiro tempo. Era chutão prum lado, cabeçada pro outro… Como tem que ser. E o Remo ainda fez 2×0 no finalzinho da primeira etapa com um gol de pênalti.

 

No segundo tempo, o Paysandu continuou botando sufoco. E quase se deu bem numa confusão sem precedentes criada pelo árbitro gaúcho Leandro Vuaden. Num lançamento para o ataque do Bicola, Zé Augusto recebeu a bola em impedimento depois que o zagueiro remista Rogério Corrêa tocou com a mão. Na hora, o juiz apitou marcando pênalti. Depois de consultar o bandeirinha, voltou atrás e marcou impedimento. Aí o bate-boca aumentou. Inseguro, o homem do apito voltou ao auxiliar e mudou de opinião novamente: assinalou o penal a favor do Paysandu. Só para dramatizar ainda mais a história, Rossini chutou na trave.

 

O quiproquó acabou rendendo cinco minutos de acréscimo no fim do jogo. Logo aos 46, Reinaldo marcou o gol de honra do Paysandu e fez com que os remistas temessem a eliminação no campeonato estadual e o fracasso na conquista de uma vaga para a série D do brasileiro. Foram quatro minutos de ecocardiogramas batendo no teto, e o Papão acabou ficando só no quase.

 

O Remo vai decidir o segundo turno do Parazão com o São Raimundo, que venceu o Águia por 3×2. O primeiro jogo é no dia 19 em Belém. O segundo, no dia 26 em Santarém. O vencedor pega o Paysandu na decisão do campeonato, nos dias 3 e 10 de maio.