E começa o baile…

23/05/2009

Esqueçam os novos craques badalados, as transmissões concorridíssimas na TV, as disputas por vagas em competições internacionais… É nos rincões do país, em campos não necessariamente ESMERALDINOS e frequentados por OUTSIDERS da bola, que começa a ser disputado neste domingo aquele que talvez seja o mais brasileiro dos campeonatos: a TERCEIRONA. É uma saraivada de TERÇADADAS no escuro: 20 clubes das 5 regiões do país disputando 4 vagas na série B do ano que vem.  Tudo isso num espírito de arrancadão: uma EQUIPA pode garantir o acesso depois de passar por apenas 10 jogos. Para o leitor perceber o caminho encurtou, ano passado os privilegiados que subiram para a Segundona duelaram 32 vezes.

Mas não pense que menos jogos tornam a disputa menos ferrenha. Os participantes do CERTAME estão divididos em quatro grupos regionalizados com cinco clubes cada um. Enfrentam-se entre si em turno e returno. Os dois melhores SEGUEM para a segunda fase. O pior colocado de cada chave cai para a QUARTONA/2010. Ou seja, afinou-se a linha que separa uma campanha ORDINÁRIA de um VEXAME completo.

Os representantes do Pará (Paysandu e Águia de Marabá) estão juntos no grupo 1 do campeonato, ao lado de RIO BRANCO, SAMPAIO CORRÊA e LUVERDENSE (que alguns criativos rebatizaram como LOVER DANCE). É uma chave que pode até parecer inofensiva, mas que certamente será disputada com a fúria dos principais DESMATADORES da Amazônia. Chico Mendes teria medo de jogar essa terceirona. O clássico entre os revolucionários da CABANAGEM e da BALAIADA não seria tão pujante quanto um jogo deste grupo.

Travinha se coloca a serviço dos palpiteiros profissionais e amadores e traz algumas CONJECTURAS para a chave AMAZÔNIA LEGAL da Terceirona.

PAYSANDU – é o favorito disparado. Campeão paraense com sobras, chega à terceirona com um bom elenco, um bom treinador e com a expectativa de colocar pelo menos 30 mil torcedores por jogo no Mangueirão. Tem na MEIÚCA os principais nomes do time: Vélber (eleito o craque do campeonato paraense) e Zeziel (autor de quatro gols nos dois jogos da final do estadual).

ÁGUIA DE MARABÁ – foi o melhor paraense na Terceirona do ano passado e ficou a apenas um gol do acesso à série B. Este ano, não foi tão bem no estadual mas REVERBEROU-SE pela Copa do Brasil, depois de eliminar o América Mineiro na casa do adversário e de vencer o Fluminense de Fred e Parreira em Belém. Perdeu três jogadores importantes (o goleiro Ângelo, o meio-campo Flamel e o atacante Aleílson), mas contratou reforços à altura. Pode complicar a vida dos adversários no acanhado ROSENÃO, em Parauapebas. Deverá disputar uma das vagas na segunda fase.

LUVERDENSE – segue o jeito BARUERI de ser. Clube novo (quatro anos de fundação), com apoio financeiro forte da prefeitura e uma estrutura razoável. Acabou de conquistar o MATOGROSSENSÃO pela primeira vez e chega com força para fazer frente ao favorito Paysandu. Tem como destaques dois jogadores conhecidos pela torcida paraense: o TAPA PENALES Ronaldo e o habilidoso camisa 10 Maico Gaúcho.

RIO BRANCO – ano passado, saiu apavorando nas três primeiras fases da série C. No octogonal final, acabou perdendo para o cansaço das longas viagens entre o Acre e o resto do Brasil. Este ano, começou mal. Saiu da Copa do Brasil na primeira fase, não chegou nem à final do ACREANÃO… A diretoria investiu na contratação de reforços para a Terceirona, mas o Estrelão dificilmente passa para a segunda fase.

SAMPAIO CORRÊA – merecia um prêmio só pelo apelido BOLÍVIA QUERIDA, provavelmente o mais legal do Brasil. Só que na Terceirona, vai ser difícil ver o tricolor maranhense emplacar. Com um elenco que tem nomes como THIAGO MIRACEMA, CÉLIO CODÓ e está à espera da regularização do MATADOR Lindoval, não há muita expectativa. Quartona fácil no ano que vem!

A primeira jornada, neste domingo (24-05):

16h – Águia x Rio Branco

18h – Paysandu x Sampaio


Da várzea para a Gávea

18/05/2009

aleílson

Até bem pouco tempo atrás, Aleílson trabalhava numa fábrica de vassouras e rodos em Marabá. Na tarde desta segunda-feira, ele treinou pela primeira vez com a camisa do Flamengo. Deu voltas em torno do gramado da Gávea ao lado de Adriano, que disputava uma Copa do Mundo e os badalados campeonatos europeus enquanto Aleílson levava a dura rotina de operário. É o exemplo de que o futebol também produz fábulas fantásticas.

Aleílson se destacou na série C do ano passado por motivos paradoxais. Foi o artilheiro do Águia na competição, mas para cada gol marcado, perdia outros dez em cada jogo. Por isso, nunca foi unanimidade na imprensa esportiva paraense. Na Copa do Brasil deste ano, o ex-operário teve a estrela de aparecer no lugar certo na hora certa. Logo no primeiro minuto do jogo contra o Fluminense em Belém, Aleílson arrancou em direção à área tricolor e mandou um chutaço no fundo do barbante. Na frente do Parreira, sob os olhos de alguns milhões de pessoas que assistiam ao jogo pela TV Globo.

Não demorou e o nosso herói pegou um belo bonde na carreira. E, pouco tempo depois de pensar em desistir do futebol, Aleílson escancara as portas dos grandes clubes. Resta saber se ele terá espaço no time e se vai deixar de lado a fama de pé-torto.

Bonus track

Travinha publica como apêndice sobre o agora rubro-negro Aleílson um texto feito por Weliton Moreira, repórter da TV Livre de Marabá e colaborador do blog na região sudeste do Pará.

O jogador Aleilson, 23 anos, atacante destaque do Águia na Copa do Brasil, foi contratado pelo time de maior torcida no Brasil, o Flamengo. O jogador que teve uma vida dificil na sua infância, vindo de uma famiia pobre no Bairro Morada Nova em Marabá, começou a jogar em campos de várzea, onde fazia muitos gols.

Aleilson foi artilheiro do futebol amador de Marabá em várias oportundades. Ele já se destacava pela velocidade com arranques fulminantes em direção ao gol e era sempre habilidoso. Foi chamado para fazer parte do Águia depois que o time que iria disputar o Campeonato Paraense em 2006, fez um amistoso em Morada Nova e Aleilson foi o destaque, marcando um gol contra o Azulão.

Aleilson por duas vezes pensou em desistir de jogar futebol. Quando foi chamado para o Águia a primeira vez, não aceitou por que queria continuar trabalhando em uma fábrica de vassouras, onde de lá, tirava o sustento de sua familia. Ele temia perder o emprego.

A segunda tentativa de desistência se deu poucos dias atrás, quando pediu para o Presidente do Águia, Ferreirinha, conseguir um emprego para ele em uma empresa de peças de tratores de Marabá. Aleilson disse que queria parar de jogar futebol devido às criticas que vinha recebendo de torcedores, pelos muitos gols perdidos. Ele mais uma vez pensou nos filhos e queria trabalhar, mesmo em serviço pesado carregando ferros.

O técnico João Galvão foi decisivo para que o atleta não desistisse de sua carreira. Dias depois, o telefone tocou e um grupo de empresários levou Aleilson para o Rio de Janeiro, acompanhado do Presidente do Águia, Ferreirinha e do Técnico, João Galvão, onde juntos ficaram impressionados com a surpresa: O interesse no jogador era do Clube de Regatas Flamengo, onde Aleilsom, mesmo pensando em desistir de jogar futebol, jamais imaginaria que pudesse chegar um dia…


O “tapa penales” de Lucas do Rio Verde

18/05/2009

ronaldo goleiro

O goleiro Ronaldo, que jogou no Paysandu entre 1998 e 2008, foi o herói da conquista do título mato-grossense pelo Luverdense, neste domingo. E assim como fez no Bicola várias vezes, ele se consagrou na decisão por pênaltis. A final foi contra o Araguaia, no estádio Bilinão, no município de Alto Araguaia. No tempo normal, foram muitas chances desperdiçadas pelos dois times. Inclusive por outro velho conhecido do torcedor paraense, o meio-campo Maico Gaúcho, que também está no Luverdense. O jogo terminou 0x0 e a decisão foi para os pênaltis. E aí brilhou a estrela de Ronaldo. Com os pés, ele defendeu a cobrança de Fabinho. Com a mão esquerda, impediu o gol de Newman. Leandro fechou a série: Luverdense 4, Araguaia 2. O resultado deu ao Luverdense o título estadual pela primeira vez.

Pelo Papão, Ronaldo se acostumou a ser decisivo nos pênaltis. Em 2005, na decisão do primeiro turno do Parazão contra o Remo, ele defendeu três cobranças. No segundo turno, ele se destacou de novo, defendendo o pênalti de Barata. E o Papão conquistou o título estadual por antecipação. Em 2006, o Remo foi a vítima de novo: mais uma cobrança defendida e taça garantida na final do primeiro turno. E na decisão do campeonato, contra o Ananindeua, pegou duas cobranças e levou o Papão ao bi.

Na série C, o Luverdense é um dos adversários do Paysandu na primeira fase. Será que Ronaldo “pega-penais” vai atravessar o caminho do Papão?


43

10/05/2009

paysandu campeão

Deu a lógica. Por mais que o São Raimundo tenha demonstrado a força que lhe faltou na primeira partida da decisão, o Paysandu venceu o jogo de volta da final e conquistou com todos os méritos o campeonato paraense de 2009. É o 43º troféu estadual na estante do Papão, que desempatou a disputa com o Remo e passou a ser o maior vencedor do Parazão.

O melhor time do campeonato colhe o que plantou. Começou a preparação mais cedo, escolheu o treinador e os reforços com uma razoável antecedência, fez uma pré-temporada bem organizada, corrigiu erros durante a competição e cresceu nos momentos decisivos. Os atritos com a imprensa, que provocaram dias tempestuosos na Curuzu, acabaram não comprometendo o bom conjunto que já se havia criado. Agora, o Papão sai fortalecido do estadual e chega ao campeonato brasileiro da série C como favorito ao acesso.


Fim da folga

08/05/2009

Caros leitores, o recesso terminou. Meus dias portenhos foram interessantes, com direito à perda de um “cabaço bombonerense”. Pela primeira vez, assisti a um jogo no mítico estádio do Boca Juniors. E a torcida xeneize, apesar de impressionante, ainda me pareceu menos louca que a do Rosario Central (que conheci pessoalmente e relatei neste post).

De longe, acompanhei ao placar de tênis na primeira decisão do campeonato paraense. Não imaginava que o jogo entre Paysandu e São Raimundo fosse tão desequilibrado, por mais que o Pantera tenha feito várias partidas pífias contra o Papão nesta temporada. A conversa de água batizada com sonífero ou de corpo mole parece mais desculpa de mau perdedor do que outra coisa. Não há o que discutir: o título é do Paysandu, com todos os méritos e sem a mínima possibilidade de surpresa na final deste sábado.

Depois da cerimônia da entrega da taça, as atenções se voltam para o campeonato brasileiro. O Papão já começa a se azeitar para a Terceirona, competição em que dificilmente deixará de ser um dos favoritos ao título. O Pantera, que vai disputar a Quartona, tenta segurar o assédio em cima de jogadores como Michel e Hélcio para os clubes paraenses da série C.


Travinha de recesso

30/04/2009

Blogueiro tambem eh filho de Deus e, por isso, Travinha tomou a estrada e tirou uma semaninha de folga nas cercanias do feriado de primeiro de maio. Estou em Buenos Aires e, como voces podem perceber, o teclado daqui eh todo diferente. Tentarei, ao maximo, acompanhar via internet alguma coisa da reta final do Parazao  dar alguns relatos do futebol portenho. Hoje, por exemplo, tem Boca Juniors x Deportivo Tachira em La Bombonera. Saludos!


As 8 mancadas decisivas para o fracasso do Remo

27/04/2009

artur

1) “Em duas semanas nós conseguiremos formar um time competitivo”. Foi o que disse o presidente do Remo, Amaro Klautau, logo depois de ser eleito em dezembro. Ele dizia que não faria nenhuma contratação enquanto não fosse empossado, no dia 5 de janeiro, 13 dias antes da estréia no campeonato paraense. O cartola acabou revendo a própria decisão e começou a montar o time em dezembro. Não conseguiu evitar um début humilhante: 5×1 para o São Raimundo em pleno Baenão.

 

2) Na política de contratações, nada mudou com a nova gestão azulina. A primeira leva de reforços veio a rodo, por indicação do técnico Flávio Campos. Foram sete novidades, sendo que algumas nem demoraram a deixar o Baenão. O meio-campo Franklin e o atacante Bruno Andrade foram embora ainda no primeiro turno do campeonato estadual. Ninguém notou.

 

3) Anunciar os reforços antes da hora. Ou, em outras palavras: contar com o ovo na cloaca da galinha (para usar uma expressão menos chula). No dia da primeira apresentação dos novos contratados, Amaro Klautau bradou veementemente que já estava tudo certo com o meio-campo Maico Gaúcho, ídolo do clube em 2006. O jogador acabou não vindo porque o Remo não aceitou pagar 75 mil reais de multa rescisória ao Luverdense (MT), clube com o qual Maico tinha vínculo. A mesma coisa aconteceu com o meio-campo Alexandre, do Avenida (RS). Em ambos os casos, os dirigentes dos dois clubes esbravejaram contra a diretoria do Remo na imprensa.

 

4) A insistência em contratar atacantes. Na mesma semana, por exemplo, chegaram Bebeto, Helinho e Edinho. O Leão chegou a ter sete jogadores para esta posição. Nem todos emplacaram. Por Bebeto, o clube pagou caro (75 mil reais por três meses de contrato) e teve pouco retorno: apenas um gol. Edinho, que ia bem nos treinos, foi dispensado depois de cobrar uma oportunidade no time de forma mais incisiva. Helinho demorou, mas acabou sendo o jogador que melhor funcionou lá na frente. Marcou sete gols no campeonato paraense e foi o artilheiro remista na competição.

 

5) A história surreal do meio-campo Claudinho, que chegou para ser o dono da camisa 10, mas não fez um jogo sequer como titular. Primeiro, por causa da demora na regularização. Como Claudinho jogava na Austrália, a transferência internacional levou três semanas para ser concretizada. Depois que tudo foi resolvido, o jogador foi relacionado poucas vezes, entrou em campo em apenas uma partida e não empolgou. “Um jogador mediano”, definiu um radialista setorizado no Remo, pegando leve com o Claudinho.

 

6) As circunstâncias da demissão do técnico Flávio Campos mostraram uma falta de sintonia dentro da cartolagem do Remo. Depois da derrota para o São Raimundo na semifinal do primeiro turno, o presidente Amaro Klautau disse que Flávio estava prestigiado e continuaria no cargo. Mas duas rodadas depois, ele nem precisou perder para cair fora. Depois da vitória de 2×1 sobre o Time Negra, a diretoria iniciou um processo de fritura que durou 24 horas. Só esperou a derrota do Castanhal para o Paysandu no dia seguinte, para que Artur Oliveira (então técnico do Japiim) fosse anunciado como novo comandante do Remo. Ninguém da diretoria assume, mas especula-se que a demissão de Flávio Campos estava sendo tramada há mais tempo e que Válter Lima, do São Raimundo, tinha a preferência de alguns cartolas.

 

7) Os erros de bastidores continuaram acontecendo. O mais notável deles foi no dia da viagem para Barras, no Piauí, para o jogo pela Copa do Brasil. Cinco integrantes da delegação (entre eles o técnico Flávio Campos e o meio-campo Toninho) não conseguiram embarcar por causa de erro na grafia dos nomes relacionados para viajar. A situação foi mostrada de forma bem embaraçosa na imprensa.

 

8) Artur Oliveira tem identificação com o Remo, é um excelente motivador, mas pecou por algumas invencionices táticas. Usar o zagueiro San ou o volante Ramon na lateral-direita e o volante Marlon como lateral-esquerdo foram aventuras não muito bem sucedidas. Atitudes que se tornaram necessárias pelo fato de o Remo não ter um elenco muito bom. Nas laterais, por exemplo, havia apenas um especialista para cada posição e mais alguns improvisados em potencial. Complicado…

 

Se você tem alguma outra teoria para o que aconteceu com o Remo, que vai ficar sem disputar competições oficiais até janeiro do ano que vem, esteja à vontade para comentar aí embaixo.