Não deu

01/06/2009

belem 2014

Um dos bordões do Kiko, personagem do Chaves, pode se tornar uma das explicações mais absurdamente coerentes para explicar a ausência de Belém da lista de 12 cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. Afinal de contas, segundo o comitê que organizou a candidatura da capital paraense, tínhamos todas as condições: um estádio semi-pronto, um aeroporto (supostamente) adequado e bons planos de obras de infra-estrutura. Isso tudo além de um povo apaixonado por futebol, que faria com que os investimentos na reforma do Mangueirão não fossem à toa. O que faltou afinal?

Faltou articulação política local. Apesar do discurso de união entre governo e prefeitura, o estado e o município nunca trabalharam afinados. O sinal mais claro disso foi no dia do anúncio das cidades-sede, em que foram montados dois pontos de concentração de torcedores. Um pelo governo estadual na Praça da República e outro pela secretaria municipal de esporte na avenida Doca de Souza Franco. Resultado: festas esvaziadas, principalmente a da Doca.

Faltou explicar melhor o projeto da cidade. O único número que realmente ficou claro foi o valor da reforma do Mangueirão: pouco mais de 90 bilhões de dólares. No mais, o comitê organizador da candidatura de Belém se mostrou confuso numa salada de cifras. Num dia, o orçamento das obras de infra-estrutura estava na casa dos milhões. No outro, já tinha se tornado bilionário. Chegou-se a dizer que o custo total da repaginação da capital paraense superaria os 21 bilhões de reais, valor que supera o orçamento das Olimpíadas de Londres e, segundo um colega de trabalho, seria suficiente para construir postes de ouro e ruas de ladrilho espanhol em Belém.

Faltou a boa malandragem. Confiar na amizade com o presidente Lula já não tinha sido o suficiente para a governadora Ana Júlia Carepa se eleger em 2006. Que dirá para fazer de Belém uma das sedes da Copa. Era preciso um lobby permanente junto à Fifa, o “queixo” do governador amazonense Eduardo Braga (que falou em nome de todos os governadores brasileiros quando o Brasil foi anunciado como país-sede da Copa), a ajuda de pessoas que já vivenciaram uma Copa do Mundo… Belém fez nada mais que um arroz-com-feijão, quando deveria ter elaborado um belo banquete.

Agora só resta choramingar algumas migalhas, como a presença de alguma seleção numa pré-temporada ou concentração, em um amistoso preparatório. Ou ainda algum evento paralelo organizado pela própria Fifa, possibilidade admitida pelo presidente da entidade, Sepp Blater. Esta é não apenas uma derrota política, como também um nocaute no já combalido futebol paraense.

PS: Belém poderia brigar para sediar a Fifi Wild Cup, a Copa dos Excluídos.

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As maiores humilhações do seu time – parte 2

15/02/2009

TOP 10 HUMILHAÇÕES DO PAYSANDU

 

10 – Paysandu 0x1 São Raimundo (2001)

 

O futebol paraense estava engasgado em 2001. Já eram quatro edições da nova Copa Norte sem que Remo, Paysandu ou Tuna conquistassem o título. Enquanto isso, começava-se a construir uma hegemonia do São Raimundo, de Manaus, na região. Comandado pelo técnico Aderbal Lana, o Tufão da Colina venceu a Copa em 99 e 2000. E decidiu o tri contra o Paysandu, o melhor time do Pará na época, disparado. O Papão venceu o jogo de ida por 1×0 em Belém. Na volta, em Manaus, conseguiu segurar a duras penas o empate em 0x0 que lhe daria o caneco inédito. Até que nos acréscimos do segundo tempo, depois de uma cobrança de falta, o goleiro Júlio César deu um rebote na pequena área para Alberto marcar o gol do tri do São Raimundo. A imagem mais marcante do jogo não é a festa da torcida amazonense, e sim o choro do zagueiro Gino, capitão do Paysandu, pela perda da Copa.

 

 

9 – Paysandu 3×4 Caxias (2001)

 

Perder de virada por 2×1 já é duro. Mas imagine o quanto é pior ver o adversário reverter um placar que estava 3×0… Isso aconteceu com o Paysandu no quadrangular decisivo da série B em 2001. Jogando fora de casa, o Papão sapecou 3×0 no Caxias logo no primeiro tempo. O ex-jogador Zenon, que comentava o jogo na transmissão do Sportv, disse que uma reação dos gaúchos seria improvável, para não dizer impossível. Queimou a língua. O time grená fez uma virada à la Vasco na Copa Mercosul em 2000. E o Papão, que poderia voltar do Sul com o acesso à série A praticamente garantido, teve que engolir esse vexame histórico. Pelo menos, no jogo seguinte, o Paysandu venceu o Avaí por 4×0 em Belém e faturou o bicampeonato da Segundona.

 

8 – Paysandu 0x7 São Paulo (2004)

 

A maior goleada que o Papão já levou em campeonatos brasileiros da série A já é vexame suficiente para entrar na lista. Por mais que tenha sido diante de um Morumbi quase vazio (menos de 3 mil torcedores) num jogo que não influenciou muito na vida de nenhum dos dois naquela temporada. Grafite e Cicinho marcaram duas vezes cada um. Nildo, Jean Carlos e Souza completaram o show tricolor. Pode ter sido uma vingança pessoal do técnico Emerson Leão, que dois anos antes tomou spray de pimenta na cara num jogo pelo Santos em Belém. O Papão ainda perdeu vários jogos de goleada naquele ano (4×1 para o Vitória, 3×0 para o São Caetano e para a Ponte Preta), trocou de técnico (Adílson Batista por Vágner Benazzi) e, ainda assim, conseguiu se livrar do rebaixamento na penúltima rodada e terminar em 14º lugar entre 24 clubes.

 

 

7 – Paysandu 0x2 Remo (2004)

 

Para quem acha que uma derrota de 2×0 num clássico não deveria ser considerada uma humilhação, é preciso contextualizar. No campeonato paraense de 2004, o Remo saiu ganhando com um pé nas costas. Faturou o primeiro turno com uma campanha quase cabalística: sete vitórias em sete jogos e sete pontos a mais que o Paysandu, o segundo colocado. No segundo turno, o Papão melhorou e acabou fazendo com que a disputa ficasse cabeça a cabeça. Nas seis primeiras rodadas, a dupla Re-Pa venceu. Na última, os clubes se enfrentaram numa disputa direta do título do turno. Para o Remo, uma vitória significaria a comemoração antecipada do bicampeonato estadual. O Leão tinha a vantagem do empate. A partida foi jogada debaixo de uma chuva danada, mas mesmo assim foi emocionante. O zero não saiu do placar até o segundo tempo, quando a situação parecia começar a se definir para o Paysandu. O goleiro bicolor Paulo Musse defendeu um pênalti cobrado por Gian e o zagueiro remista Irituia foi expulso. Mas aos 40 minutos, começou a derrocada. Gian fez Remo 1×0. Rodrigo marcou o segundo aos 45. E o que poderia ser apenas mais um clássico comum virou humilhação, já que o Paysandu viu o rival comemorar um inédito título estadual com 100% de aproveitamento.

 

 

6 – Paysandu 0x4 Remo (1996)

 

Entre 1993 e 1997, o Paysandu passou 33 jogos sem ganhar um Re-Pa. O tabu é comemorado como um título até hoje pela torcida remista. Afinal de contas, nesses quase cinco anos de jejum, clássico foi sinônimo de sofrimento para os bicolores. Dois jogos em especial são os mais representativos entre os 33 e vão ser incluídos nesta lista. Um deles aconteceu na tarde de 31 de março de 1996. Nunca se viu uma superioridade tão absoluta de uma equipe na história recente do Re-Pa. No primeiro tempo, dois gols do baixinho e barrigudinho Ageu Sabiá. No segundo, outros dois de Rogério Belém, que era a maior revelação do futebol paraense na época. Para aumentar o vexame, o Papão ainda perdeu um pênalti no finalzinho da partida, logo quando resolveu encrespar para cima do Remo e tentar diminuir a desvantagem. Não deu. Foi o 26º jogo do tabu.

 

 

5 – Paysandu 0x4 Tuna (1997)

 

Durante quatro temporadas nos anos 90, o Pará teve três representantes no campeonato brasileiro da série B: Remo, Paysandu e Tuna. Nessa época, era batata: um dos três clubes fazia uma campanha decepcionante, outro tinha um desempenho mais ou menos e outro chegava bem perto da briga pelo acesso. Em 97, o Remo foi uma draga e caiu na primeira fase, livrando-se do rebaixamento para a série C apenas na última rodada. Paysandu e Tuna seguiram na competição e se cruzaram logo na segunda fase, que era disputada num esdrúxulo playoff de três jogos. O Papão venceu o primeiro por 2×1. O segundo terminou empatado em 0x0. Bastava um empate no terceiro para garantir a classificação para a fase seguinte da Segundona. Mas o Paysandu conseguiu levar uma goleada da Tuna: 4×0. Vexame pelo placar e pelo fato de a torcida bicolor ter sido obrigada a assistir um clube conterrâneo mais fraco e com menos torcida prosseguir na competição.

 

4 – Paysandu 0x1 Bragantino (1999)

 

O campeonato brasileiro da série B de 99 foi desastroso para os clubes paraenses. Quando a última rodada da fase de classificação começou, Remo, Paysandu e Tuna tinham chance de cair para a Terceirona. O Papão tinha as condições mais favoráveis de escapar. Jogava em casa contra o Bragantino, enquanto Remo e Tuna enfrentavam longe de Belém o CRB e o Goiás, respectivamente. A Lusa tomou uma goleada de 5×1. O Remo venceu heroicamente por 2×1. O Papão, no Mangueirão lotado, empacou. O inesquecível atacante Auecione perdeu um pênalti. E o Braga, que já estava livre da degola, ganhou de 1×0 com um gol de Sandro Gaúcho. O Papão voltaria à terceirona depois de 10 anos, enquanto o rival Remo permaneceria soberano na série B. Mas, graças à polêmica envolvendo o atacante Sandro Hiroshi, o Brasileirão do ano seguinte foi transformado em Copa João Havelange e os rebaixamentos foram suspensos. A queda do Papão para a terceirona acabaria se concretizando em 2006, depois de algumas temporadas de bonança.

 

3 – Paysandu 1×3 Remo (1997)

 

Qualquer torcida considera inaceitável perder um clássico. Dependendo das circunstâncias em que essa derrota acontece, é melhor que técnico e jogadores sumam por alguns dias pelo bem das próprias vidas. Este poderia ter sido um conselho seguido pelos bicolores depois do dia 13 de abril de 1997. O tabu do Remo em Re-Pas já havia chegado a 32 jogos sem derrota, mas desta vez o Leão chegou ao clássico razoavelmente desestruturado. Tinha acabado de demitir o treinador Cassiá e não havia um substituto a caminho. A solução foi dar a responsabilidade de técnicos aos dois jogadores mais experientes do time: o zagueiro Belterra e o volante Agnaldo. Em campo, o Papão aproveitou o abalo e saiu na frente. Mas, no segundo tempo, os atletas/comandantes resolveram ousar. Colocaram dois atacantes que estavam no banco de reservas e jogaram tudo para pelo menos manter o tabu. E conseguiram. Viraram o jogo para 3×1. Os bicolores deixaram o campo com a sensação de que a escrita remista nunca terminaria. Mas a primeira vitória do Paysandu em Re-Pas depois de quase cinco anos aconteceria no clássico seguinte.

 

2 – Paysandu 0x2 Araguaína (2007)

 

Em 2007, o Paysandu estava quase nos momentos finais de sua descida vertiginosa rumo aos momentos mais vergonhosos de sua história. Como se dois rebaixamentos seguidos no campeonato brasileiro não fossem vexames suficientes, o Papão afundou ainda mais. Na série C, um grupo que tinha Ananindeua, Araguaína (TO) e Imperatriz (MA) parecia fácil demais para o clube que havia vencido o Boca Juniors quatro anos antes. O problema é que se na Bombonera em 2003 o Papão tinha Vélber, Iarley e Robgol, a versão 2007 tinha André Conceição, Itaparica e Laércio. Nas quatro primeiras rodadas, o Paysandu perdeu um jogo para cada adversário e só conseguiu um empate contra o Ananindeua. Ainda assim, havia chances matemáticas de se manter na Terceirona. Possibilidades aumentadas pelo fato de os dois últimos jogos serem em casa. E assim o Papão entrou em campo no dia 29 de julho de 2007 para enfrentar o Araguaína. O Paysandu foi melhor durante o primeiro tempo e também teve boas chances no início do segundo. Mas aos 19 minutos, depois que a zaga bicolor fez uma lambança digna dos Trapalhões, o atacante Paraguaio abriu o placar para o Araguaína. Aos 46, Leandro César fez um golaço de cobertura que fechou o caixão. Na despedida da série C, uma semana depois, o Paysandu ainda perderia novamente para o Imperatriz: 1×0. A campanha encerraria com apenas um ponto marcado em seis jogos e um nada honroso 62º lugar geral entre 64 clubes.

 

Veja como foi a despedida da série C contra o Imperatriz, uma semana depois da eliminação.

 

1 – Paysandu 0x9 Paulista (2006)

 

Humilhação maior que a número 2 desta lista, só mesmo uma combinação entre rebaixamento e goleada. E esse vexame campeão já havia acontecido um ano antes. Na série B de 2006, o Papão fez uma campanha bem estranha. Quando o campeonato foi interrompido durante a Copa do Mundo, o clube estava em quarto lugar, na zona de acesso à primeira divisão. Mas despencou ladeira abaixo no segundo turno. Passou sete jogos sem vencer justamente no sprint final do campeonato. O sétimo jogo desse jejum foi a inacreditável goleada de 9×0 sofrida para o Paulista no estádio Jaime Cintra no dia 18 de novembro de 2006. Contra números não há argumentos. Nove gols não dão margem a qualquer argumento que diga que o time foi bravo e ofereceu alguma resistência. Só o atacante Jaílson marcou cinco vezes e carimbou uma transferência para o Corinthians no ano seguinte. Humilhados, muitos jogadores do Paysandu (como o meio-campo Têti) nem voltaram para Belém. O goleiro Márcio sofreu ameaças em Belém. A goleada fez o Papão entrar pela primeira vez na zona de rebaixamento. E foi para não sair mais. Nem a vitória por 4×2 sobre o Marília na rodada de despedida salvou o clube da degola.

 


As 10 maiores humilhações do seu time – parte 1

15/02/2009

A memória do futebol não é marcada apenas por craques, campeões e grandes vitórias. Todas essas lembranças tem um lado derrotado. Uma torcida frustrada, um goleiro que tomou um frango, um zagueiro que tomou um drible pelo meio das pernas… E acredito que a nobreza do verdadeiro torcedor se revela na recordação dos momentos de tristeza. Afinal de contas, difícil é ter a honra de chorar uma derrota, de continuar apoiando o time apesar de uma lavada daquelas, de testemunhar um sofrimento ultrajante e ainda assim fazer questão de cair de pé.

 

Inspirado por esta teoria e pelas séries dos blogs Impedimento e La Redó, decidi fazer a versão paraense da série “As 10 Maiores Humilhações do Seu Time”. Escrevo sobre Remo e Paysandu para deixar no ar o mistério sobre a minha preferência clubística…

 

AS 10 MAIORES HUMILHAÇÕES DO REMO

 

10) Remo 0x1 Paysandu (1992) – 4 vezes

 

O Remo tinha uma das mãos no troféu de campeão paraense de 1992. Até encontrar com o Paysandu na decisão do segundo turno. Precisava de dois empates para conquistar o turno e o tetracampeonato estadual sem uma final extra. Mas conseguiu uma “façanha”: perder quatro jogos consecutivos para o maior rival, em menos de um mês. Todos por 1×0. A perda do caneco foi sacramentada no dia 13 de dezembro, com um golaço do atacante Mendonça, quase do meio do campo. Assim, o Paysandu quebrou o tricampeonato paraense do Remo. Por outro lado, esta foi a última vitória antes do tabu de 33 jogos sem vitórias do Papão no clássico.

 

 

Gol do Mendonça na quarta vitória bicolor por 1×0

 

9) Remo 2×8 Guarani (1993)

 

No início dos anos 90, o campeonato brasileiro era marcado por regulamentos esdrúxulos. Em 1993, por exemplo, 12 clubes subiram da segunda divisão. Foi uma forma de favorecer o Grêmio, que tinha caído em 91. O Remo pegou carona e jogou a série A por dois anos consecutivos. Em 1993, fez a melhor campanha de sua história no Brasileirão: terminou em oitavo lugar. Só que na fase final, não venceu um jogo sequer no quadrangular que tinha São Paulo, Guarani e o futuro campeão Palmeiras. Perto da despedida, o Leão foi humilhado pelo Bugre no Brinco de Ouro: 8×2, no dia 5 de dezembro. Um jogo para deixar narrador entediado. O Guarani tinha um jovem Djalminha em campo, mas o show foi de Clóvis e Tiba. Cada um marcou três gols. E o Remo voltou de Campinas com as orelhas a meio pau…

 

 

8) Remo 0x4 Paysandu (2001) – 2 vezes

 

Em 2001, o Mangueirão passava por reformas. Assim, os clássicos paraenses eram disputados no Baenão e na Curuzu. A decisão do estadual deste ano teve um Re-Pa em cada estádio. O Paysandu era bem mais time. Comandado por Givanildo Oliveira, tinha grande parte do elenco que viria a ser campeão da série B alguns meses mais tarde. E logo no primeiro jogo, o Paysandu humilhou. Dentro do Baenão, no dia 30 de junho, sapecou uma goleada de 4×0. O resultado deixou os remistas transtornados e os bicolores, relaxados. Tanto que, no segundo jogo, o Re-Pa não passou de um 0x0. Mais que suficiente para o Papão levantar a taça de bicampeão estadual. Só que o time alvi-azul guardou a artilharia para um clássico válido por um torneio amistoso, poucas semanas depois: outro 4×0.

 

7) Remo 0x6 Atlético/MG (1994)

 

A temporada de 94 foi marcada pelo primeiro dos vários rebaixamentos do Remo nos últimos 15 anos. Pelo menos foi da série A para a série B. Só que o jogo mais marcante nem foi o que selou a queda. E sim, uma derrota humilhante sofrida algumas semanas antes. Em pleno Mangueirão, o Leão tomou de 6×0 do Atlético Mineiro no dia 6 de novembro. O destaque foi o atacante Reinaldo, então uma jovem revelação do Galo, que marcou 4 gols. O goleiro que foi buscar meia dúzia de bolas era o maranhense Clemer, que veio a se tornar campeão do mundo 12 anos depois com a camisa do Internacional. O placar elástico foi decisivo para o rebaixamento, já que o Remo perdeu o desempate com o Cruzeiro na repescagem pelo critério do saldo de gols.

 

 

6) Remo 1×3 Tiradentes (2000)

 

O campeonato paraense de 2000 tinha tudo para ser um sucesso. Pela primeira vez, ele foi transmitido em TV aberta, com direito até a mascote (o esquecível Manguito). Só não se contava com a draga que o Remo atravessaria: foram sete jogos sem ganhar, o suficiente para que o clube ficasse realmente ameaçado de cair para a segunda divisão estadual. O jogo-símbolo dessa campanha pífia foi a derrota para o Tiradentes por 3×1 no Mangueirão no dia 1º de abril. O lateral Leandrinho, que fez um golaço por cobertura, acabou sendo o pivô de uma virada de mesa que salvou o Remo. O Leão alegou que o atleta estava irregular e conseguiu ganhar os pontos da partida. Acabou se livrando da queda, mas não ficou sequer entre os cinco primeiros.

 

5) Remo 1×6 Brasiliense (2004)

 

Desde que caiu para a segundona em 94, o Remo parecia um clube “irrebaixável” na série B. Passou dez anos consecutivos sem cair. Por mais que tivesse péssimos times, o Leão sempre se safava no final. Muito em parte por causa dos regulamentos regionalizados. Quando a disputa passou a ser mais nacionalizada, o bicho não demorou a pegar. Na segunda temporada em que todos jogaram contra todos, o Remo caiu. Na última rodada da fase de classificação, os paraenses ainda tinham chance de se salvar. Só que tinha pela frente ninguém menos que o líder Brasiliense pela frente, e fora de casa. A goleada de 6×1 no dia 25 de setembro só aumentou o vexame pelo rebaixamento para a terceirona. Principalmente numa época em que o rival Paysandu estava na primeira divisão.

 

4) Remo 1×1 Corinthians (1996)

 

Este foi o vexame mais amplificado da história do Remo. Imagine o seu clube eliminando um grande time do eixo Rio-São Paulo da Copa do Brasil, com o jogo sendo transmitido pela TV para todo o país. Agora pense nessa festa sendo guilhotinada por um gol contra aos 47 do segundo tempo. Pois isso aconteceu no dia 9 de abril de 1996. Remo e Corinthians, que haviam empatado em 0x0 no jogo de ida em São Paulo decidiam uma vaga nas quartas-de-final. O Timão era o dono do título da Copa e tinha Edmundo, Marcelinho Carioca em grande fase, Tupãzinho, Zé Elias… O Leão, comandado pelo inesquecível Valdemar Carabina, apostava na dupla de ataque Ageu Sabiá e Edil Highlander. No segundo tempo, o lateral Júnior abriu o placar para o time da casa. O 1×0 era suficiente para classificar o Remo. O goleiro Claudecir pegava tudo, fazia defesas milagrosas. Só não esticou a perna o suficiente para defender o chutaço de Castor aos 47 minutos do segundo tempo. O atacante remista marcou um dos gols contra mais toscos já vistos no Mangueirão. Não bastasse a eliminação dolorosa, o vexame ainda continuou quando dirigentes do Remo invadiram o campo para agredir o árbitro Wilson de Souza Mendonça. A noite trágica é motivo de chacota até hoje e mesmo longe dos gramados paraenses, Castor não conseguiu sair da sombra do gol mais marcante de sua carreira.

 

 – Baú do Esporte, do Globo Esporte.com, com os gols e a confusão no final.

 

 – compacto completo da TV RBA.

 

3) Remo 1×2 Rio Branco (1997)

 

Em 1997, a Copa Norte foi ressucitada. O torneio havia sido disputado algumas vezes na virada dos anos 60 para os 70, mas ganhou novo formato justamente numa época brilhante do Remo. O Leão era tetracampeão paraense, estava há mais de quatro anos sem perder um clássico para o Paysandu e tinha um time razoável. Assim, a Copa Norte, disputada contra “gigantes” como o 4 de Julho de Piripiri e o Ypiranga de Macapá seria uma baba. E assim foi na primeira fase: quatro jogos, quatro vitórias. O Remo se classificou para disputar a final contra o Rio Branco, do Acre. No primeiro jogo, fora de casa, um empate em 0x0. No jogo decisivo, em Belém, a torcida já dava como favas contadas. Uma vitória simples sobre um time acreano não seria nada complicado. O Leão fez 1×0. Mas não contava com a reação do Estrelão. Os gols de Palmério e Vinícius mudaram o rumo do troféu e o Rio Branco protagonizou uma espécie de “Mangueirazzo”. Para os torcedores, o pior foi agüentar a comemoração dos acreanos, imitando remadores numa canoa imaginária no gramado. Dureza.

 

2) Remo 0x3 Rio Branco (2008)

 

Onze anos depois da perda da Copa Norte, o Remo teve o Rio Branco no caminho de outro vexame. O Leão precisava se classificar para a terceira fase da série C para se manter na competição no ano seguinte, já que o campeonato teria o número de clubes reduzido de 64 para 20. Depois que o Leão empatou com o Holanda e venceu o Luverdense fora de casa, parecia uma tarefa facílima. Afinal, dos três jogos que restavam, dois seriam em casa. Só que isso acabou virando um vexame em três atos. Em casa, o Remo empatou com o Luverdense em 1×1 e demitiu o técnico Artur Oliveira. Também em casa, já com o treinador Luís Carlos Martins, perdeu para o Holanda por 1×0. Ainda assim havia chances. Mas era preciso vencer o Rio Branco na Arena da Floresta. Não deu. O Estrelão meteu 3×0 e o Remo foi eliminado e rebaixado. Terá que tentar lutar para conseguir uma vaga na série D. O poço nunca pareceu tão fundo.

 

1) Paysandu 7×0 Remo (1945)

 

Essa humilhação é tão grande que atravessa gerações. Não há registro em vídeo. Não há nada, além de jornais amarelados, textos rebuscados, fotos com má definição… Só que o mais importante é a memória de quem viveu. Senhores na casa dos 70 ou 80 anos são os responsáveis por alimentar a encarnação dos bicolores em cima dos remistas graças à maior goleada da história dos Re-Pas. Foi no dia 22 de julho de 1945, pelo campeonato paraense, no estádio do Remo. Soiá marcou três gols. Hélio outros dois. Farias e Nascimento completaram o show bicolor. Segundo o jornal “A Vanguarda” do dia seguinte, o placar não reflete o equilíbrio que o jogo teve no primeiro tempo. Mas a descrição do segundo tempo não permite dúvidas a respeito do vexame: “O Remo, com um “Buraco” na linha média resultante da saída de Vicente, entregou-se logo nos primeiros minutos do segundo tempo. E a turma da Curuzu não conversou. Tirou partido da situação, como qualquer um faria. Meteu gol, e muito. Depois procurou debochar, humilhando ainda mais o time de Antonio Baena que deixou-se abater por alto escore, numa verdadeira debacle para todo onze”

 

Em breve, os vexames do Paysandu.