Taça de Prata, 24 anos

06/04/2009

tuna_85

 

Pobre Tuna Luso Brasileira. Sem calendário oficial até novembro, sem elenco, sem atenção…  De terceira força do futebol paraense, a Águia Guerreira do Souza virou uma espécie de outsider dos gramados da capital, que nem tem mais a tutela dos Gigantes do Norte para se orgulhar. Talvez essa zica intermitente tenha contribuído para que um importante aniversário passasse batido no último fim de semana. No último dia 4, fez 24 anos que a Lusa conquistou a Taça de Prata, o primeiro título nacional faturado por um clube paraense.

 

Pois é, já se passaram 24 primaveras desde que o bravo escrete comandado por José Dutra dos Santos chegou à glória. Uma glória com o caminho bem mais curto do que hoje, diga-se de passagem. Para um clube ser campeão da série B hoje, tem que enfrentar uma maratona de 38 jogos em turno e returno e pontos corridos. Em 1985, a briosa Tuninha fez apenas 10 partidas rumo ao caneco em menos de dois meses. Alguns podem usar este fato para desmerecer a conquista cruzmaltina, mas os guerreiros do Francisco Vasques só fizeram o que o regulamento exigiu. Qualquer contestação é puro recalque.

 

A peleja teve 24 clubes participantes. Eles jogariam em confrontos de mata-mata em três fases que reduziriam o número de equipes a 12, 6 e 3. A trinca sobrevivente jogaria um triangular em ida e volta para decidir o campeão. A trajetória da Tuna na temporada vitoriosa começou no dia 2 de fevereiro de 85: 0x0 com o Moto Clube em São Luís. Uma semana depois, no Baenão, a Lusinha atropelou os maranhenses: 3×0, com gols de Luiz Carlos, Paulo César e Mariolino. Na segunda fase, o adversário foi o Rio Negro do Amazonas. A classificação foi tranquila, com duas vitórias: 1×0 em Belém e 2×1 em Manaus. Na terceira fase, pintou um candidato mais forte a tirar a Tuna de circulação: o Fortaleza. O primeiro jogo, na capital cearense, terminou em um tenso 0x0. Mas na volta, em Belém, surgiu a alma de campeão no time tunante e o Tricolor do Pici foi humilhado no Baenão: 5×1. Paulo César marcou duas vezes, Luís Carlos outras duas e Ronaldo fechou a goleada. A Águia estava no triangular decisivo da Taça de Prata.

 

Os adversários no caminho da Lusa rumo ao título foram o Figueirense e o Goytacaz. A estréia foi contra o alvinegro catarinense em Belém e a Tuna faturou um magro 1×0 graças a um gol do matreiro atacante Puma, que havia entrado no decorrer da partida. Na segunda rodada, em Campos dos Goytacazes (RJ), outra vitória por 1×0, com um o gol do ponta-direita Tiago. Mesmo depois de uma derrota de 3×2 para o Figueirense em Floripa, a Águia chegou à última partida com uma vantagem de dois pontos sobre os oponentes. E ainda jogava em casa! Ou seja, a taça tava no papo…

 

No dia 4 de abril de 1985, 12.819 pessoas foram ao Mangueirão. Azulinos e bicolores engrossaram a torcida da Tuna, que só precisava de uma vitória para ser campeã. Nada muito complicado contra um time que tinha um goleiro chamado Gato Félix. O felino não buscou nenhuma bola no primeiro tempo, que terminou 0x0. O segundo tempo começou tenso, com o zagueiro Ronaldo, da Tuna, perdendo um pênalti a 12 minutos. Depois disso, desembestou a sair gol. Luiz Carlos abriu o placar para a Lusa aos 14. Dois minutos depois, Gaúcho Lima empatou. Paulo Guilherme fez Tuna 2×1 aos 23. Aos 31, Ronaldo marcou o terceiro. A vitória já se encaminhava para ser sacramentada quando Souza diminuiu a desvantagem do Goytacaz. E quando o árbitro baiano Ney Andrade Nunes Maia silvou seu apito, a Tuna era campeã brasileira e seria o único clube paraense a ostentar tal condição pelos seis anos seguintes. A Lusinha também seria a pioneira do estado a conquistar um bicampeonato nacional, em 1992. Conquistas que fazem a Águia dona de um presente que não é digno de seu passado.

 

 

TUNA LUSO 3 X 2 GOYTACAZ

Data: 04/04/1985

Local: Estádio Mangueirão

Árbitro: Nei Andrade Nunes Maia (BA)

Cartões amarelos: Mário, Quaresma e Paulo Guilherme (Tuna), Totonho

e Bel (Goytacaz)

Renda: Não disponível

Público: 12.819 pagantes

Tuna Luso: Ocimar; Quaresma, Ronaldo, Paulo Guilherme e Mário; Edgar,

Ondino, Queiróz; Tiago (Puma), Paulo César e Luís Carlos

Téc.: José Dutra

Goytacaz: Gato Félix; Totonho, Cléber, Fazolli e César; Gaúcho Lima,

Rubens Galaxe e Sousa; Bel, Paulinho (Da Costa) e Cosme (Edvaldo)

Técnico: Pinheiro

Gols: Luís Carlos aos 14′, Gaúcho Lima aos 16′, Paulo Guilherme aos 23′,

Ronaldo aos 31 ‘ e Sousa aos 78’

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