As cinco mancadas capitais para o fracasso do Paysandu

17/08/2009

1) A mudança de preparador físico. Com Rodrigo Poletto, que chegou junto com o técnico Édson Gaúcho, o Paysandu foi incansável durante o Parazão, apesar dos gramados castigados pelo período de chuvas. Mas Poletto deixou a Curuzu por problemas familiares e foi substituído por Cláudio Café, que impôs aos jogadores um ritmo bem mais severo de treinamentos físicos. Os atletas sentiram a diferença, começaram a reclamar e a sofrer uma série de lesões. Até o meio-campo Mael, que fez mais de 30 partidas seguidas como titular e era um exemplo de vigor, se machucou. Além disso, o Papão sempre chegava ao segundo tempo no limite do cansaço. Quando Café foi demitido junto com Édson Gaúcho, o novo preparador físico Maurício Matos até se esforçou para reverter a situação. Mas já era tarde demais.

2) Acreditar que o time não precisava de reforços. O Paysandu ganhou o campeonato paraense com um pé nas costas e isso levou muita gente (presidente e comissão técnica inclusive) a acreditar que a base já era boa o suficiente para disputar o Brasileiro. Só esqueceram de analisar que, no Parazão, o Bicola só enfrentou rivais fraquíssimos. Até mesmo o São Raimundo, vice-campeão que aprontou para cima de todo mundo e tremeu em quase todas as partidas contra o Papão. A insuficiência do elenco bicolor ficou ainda mais clara nas duas primeiras rodadas da série C, em que o Paysandu venceu o Sampaio Corrêa e o Rio Branco. Mas como foram vitórias, as más atuações acabaram varridas para baixo do tapete.

3) As desculpas furadas permanentes. Quando o Paysandu foi goleado pelo Rio Branco (4×0 na Arena da Floresta), a justificativa para a derrota sonora foi a cansativa viagem até o Acre. Engraçado é que, quando o Papão ganhou do Boca em La Bombonera, o deslocamento até Buenos Aires (mais demorado que o trajeto até Rio Branco) não atrapalhou… Outra: quando começou a onda de contusões entre os jogadores, falou-se que eles estavam sentindo a “maratona de jogos”. Explicação impertinente. Entre a decisão do Paraense e o início do Brasileiro, o Paysandu teve um intervalo de três semanas. Durante a disputa da série C (em que só se fazia um jogo por semana), o Papão teve dois intervalos longos: três semanas entre a primeira e a segunda partida, e 17 dias entre a penúltima e a última.

4) A demissão de Édson Gaúcho. O treinador tinha algumas teimosias, como insistir em escalar os criticados Roni e Luciano na zaga, mas conhecia bem o elenco. E a decisão de demiti-lo aconteceu na hora mais inoportuna: exatamente no meio da primeira fase, quando a classificação para o mata-mata ainda era uma missão razoavelmente tranqüila. A mudança desestabilizou o ambiente e acabou se mostrando inócua, já que o substituto Válter Lima venceu apenas um dos seis jogos que disputou.

5) A insistência em assuntos menos importantes. Em vez de procurar reforços para o time, o presidente Luiz Omar Pinheiro preferiu gastar o tempo com a briga contra a transmissão dos jogos do Paysandu para Belém pela TV Cultura. Ou ainda na tentativa inverossímil de contratar o já aposentado atacante Edmundo.

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Visitante abusado

18/06/2009

Se Nelson Rodrigues tivesse nascido na segunda metade do século 20, não pensaria apenas no povo brasileiro para criar a expressão “complexo de vira-latas”. Poderia usar como inspirações os clubes paraenses e seus retrospectos vexatórios em jogos fora de casa. Quando um deles pisa no aeroporto de Val de Cães, parece que o embarque é rumo ao inferno. Os jogadores já se sentem derrotados, fala-se que o empate é considerado uma vitória e que a vitória é um resultado improvável. E não   importa se o time está nas cabeças ou brigando pra escapar da degola. Sempre vai tomar toco fora de casa. A história recente aponta apenas duas exceções: o Paysandu na Libertadores de 2003 (que venceu três dos quatro jogos que disputou fora do Brasil) e o Águia de Marabá nas duas últimas temporadas na série C.

 

O time do sudeste do estado não chega a ser um fenômeno como o Papão na competição sul-americana, mas tem um desempenho inegavelmente respeitável. Na terceirona deste ano, foram duas vitórias em dois jogos fora do Pará. A última no domingo passado: 2×0 sobre o Luverdense no interior de Mato Grosso. Os resultados engordam um palmarés que chega a causar inveja à dupla Re-Pa.

 

Somados os números da série C de 2008 e 2009, o Águia fez 18 jogos fora de casa. Venceu 7, empatou 2 e perdeu 9. Dos 54 pontos que disputou, conquistou 23. Apesar de ter perdido mais que vencido, o Azulão cravou um aproveitamento de pontos razoável: 42,59%. Com esse percentual, o time marabaense seria o sétimo colocado na série A do brasileirão.

 

O mais curioso é que mesmo os clubes paraenses que se deram bem em competições nacionais não tiveram um aproveitamento tão bom. O Paysandu, quando foi campeão brasileiro da série B em 2001, teve um desempenho pífio longe de Belém: não venceu nenhum dos 16 jogos que disputou. Empatou 12 e perdeu 4. Dos 48 pontos disputados, conquistou apenas 12, o equivalente a apenas 25%.

 

O técnico João Galvão diz que o segredo para este relativo sucesso do Águia é o fato de o time jogar sempre de forma ofensiva. E este ano, o Azulão conseguiu uma formação ofensiva melhor que a do ano passado. Felipe, machucado, e Aleílson, que foi para o Flamengo, deram lugar a Marcelo Maciel e Bruno Rangel. Os dois têm demonstrado um entrosamento perfeito e construído uma inabalável relação garçom-matador. Bruno é artilheiro da série C com 5 gols. Quatro deles tiveram assistência de Marcelo. Com uma dupla de ataque afinada, um time sem medo de jogar fora de casa e um campeonato com regulamento enxuto, o Águia pinta de fato como um candidato ao acesso à série B.


Ditadura da magreza

24/05/2009

A série C está longe de ser uma passarela de MODA, mas, pelo menos para os clubes paraenses, a primeira rodada foi marcada pela ditadura da MAGREZA. Vitórias pelo chamado placar mínimo, tanto no COLOSSO DO BENGUÍ quanto no simpático e aprazível ROSENÃO, no sudeste do Pará.

Em Belém, 17 mil torcedores foram ao Mangueirão prestigiar a estreia do PAYSANDU contra o Sampaio Corrêa. E o Papão não se fez de rogado. Logo no começo do jogo, chamou os maranhenses para o CARIMBÓ e fez 1×0 com uma cabeçada meio desajeitada de Zé Carlos, atacante que não cumpria seu ofício de estufar o FILÓ havia dois meses. Parecia que ia rolar uma saraivada histórica, só que o Bicola fraquejou. Tomou bola na trave e o escambau. O que poderia ser uma partidaça virar um JOGUINHO SAFADO, principalmente por causa da chuva. Ficou no 1×0 mesmo.

Em Parauapebas, o BRIOSO Águia de Marabá recebeu o não menos impetuoso Rio Branco. Não tenho muitas informações a respeito deste EMBATE, mas vi que o PRÉLIO foi decidido no início do segundo tempo com um gol de cabeça de Bruno Rangel, que tinha entrado no intervalo. Os conterrâneos de CHICO MENDES jogaram com tanto ímpeto como se tivessem um SERINGAL a defender, mas o escrete azul conseguiu segurar o resultado e garantir os três pontos na primeira rodada.

O LOVER DANCE, que assistiu a tudo isso de camarote em sua plantação de soja, estreia na semana que vem contra o Rio Branco. O Águia joga fora de casa contra o BOLÍVIA QUERIDA. O Paysandu será o agraciado com um RECESSO na próxima rodada. Volta a jogar só daqui a três semanas, contra o Rio Branco.

31/05
Rio Branco x Luverdense
Sampaio Corrêa x Águia

14/06
Paysandu x Rio Branco
Luverdense x Águia


E começa o baile…

23/05/2009

Esqueçam os novos craques badalados, as transmissões concorridíssimas na TV, as disputas por vagas em competições internacionais… É nos rincões do país, em campos não necessariamente ESMERALDINOS e frequentados por OUTSIDERS da bola, que começa a ser disputado neste domingo aquele que talvez seja o mais brasileiro dos campeonatos: a TERCEIRONA. É uma saraivada de TERÇADADAS no escuro: 20 clubes das 5 regiões do país disputando 4 vagas na série B do ano que vem.  Tudo isso num espírito de arrancadão: uma EQUIPA pode garantir o acesso depois de passar por apenas 10 jogos. Para o leitor perceber o caminho encurtou, ano passado os privilegiados que subiram para a Segundona duelaram 32 vezes.

Mas não pense que menos jogos tornam a disputa menos ferrenha. Os participantes do CERTAME estão divididos em quatro grupos regionalizados com cinco clubes cada um. Enfrentam-se entre si em turno e returno. Os dois melhores SEGUEM para a segunda fase. O pior colocado de cada chave cai para a QUARTONA/2010. Ou seja, afinou-se a linha que separa uma campanha ORDINÁRIA de um VEXAME completo.

Os representantes do Pará (Paysandu e Águia de Marabá) estão juntos no grupo 1 do campeonato, ao lado de RIO BRANCO, SAMPAIO CORRÊA e LUVERDENSE (que alguns criativos rebatizaram como LOVER DANCE). É uma chave que pode até parecer inofensiva, mas que certamente será disputada com a fúria dos principais DESMATADORES da Amazônia. Chico Mendes teria medo de jogar essa terceirona. O clássico entre os revolucionários da CABANAGEM e da BALAIADA não seria tão pujante quanto um jogo deste grupo.

Travinha se coloca a serviço dos palpiteiros profissionais e amadores e traz algumas CONJECTURAS para a chave AMAZÔNIA LEGAL da Terceirona.

PAYSANDU – é o favorito disparado. Campeão paraense com sobras, chega à terceirona com um bom elenco, um bom treinador e com a expectativa de colocar pelo menos 30 mil torcedores por jogo no Mangueirão. Tem na MEIÚCA os principais nomes do time: Vélber (eleito o craque do campeonato paraense) e Zeziel (autor de quatro gols nos dois jogos da final do estadual).

ÁGUIA DE MARABÁ – foi o melhor paraense na Terceirona do ano passado e ficou a apenas um gol do acesso à série B. Este ano, não foi tão bem no estadual mas REVERBEROU-SE pela Copa do Brasil, depois de eliminar o América Mineiro na casa do adversário e de vencer o Fluminense de Fred e Parreira em Belém. Perdeu três jogadores importantes (o goleiro Ângelo, o meio-campo Flamel e o atacante Aleílson), mas contratou reforços à altura. Pode complicar a vida dos adversários no acanhado ROSENÃO, em Parauapebas. Deverá disputar uma das vagas na segunda fase.

LUVERDENSE – segue o jeito BARUERI de ser. Clube novo (quatro anos de fundação), com apoio financeiro forte da prefeitura e uma estrutura razoável. Acabou de conquistar o MATOGROSSENSÃO pela primeira vez e chega com força para fazer frente ao favorito Paysandu. Tem como destaques dois jogadores conhecidos pela torcida paraense: o TAPA PENALES Ronaldo e o habilidoso camisa 10 Maico Gaúcho.

RIO BRANCO – ano passado, saiu apavorando nas três primeiras fases da série C. No octogonal final, acabou perdendo para o cansaço das longas viagens entre o Acre e o resto do Brasil. Este ano, começou mal. Saiu da Copa do Brasil na primeira fase, não chegou nem à final do ACREANÃO… A diretoria investiu na contratação de reforços para a Terceirona, mas o Estrelão dificilmente passa para a segunda fase.

SAMPAIO CORRÊA – merecia um prêmio só pelo apelido BOLÍVIA QUERIDA, provavelmente o mais legal do Brasil. Só que na Terceirona, vai ser difícil ver o tricolor maranhense emplacar. Com um elenco que tem nomes como THIAGO MIRACEMA, CÉLIO CODÓ e está à espera da regularização do MATADOR Lindoval, não há muita expectativa. Quartona fácil no ano que vem!

A primeira jornada, neste domingo (24-05):

16h – Águia x Rio Branco

18h – Paysandu x Sampaio


A 10 jogos do acesso

25/03/2009

A CBF divulgou nesta terça-feira a tabela e o regulamento da série C em 2009. O formato da disputa este ano torna o acesso infinitamente mais fácil do que nos anos anteriores. Os confrontos depois da primeira fase serão todos no sistema de mata-mata, o que leva um clube a precisar de apenas 10 jogos para subir para a série B: oito na primeira fase mais dois do primeiro mata-mata. O caminho mais curto é fruto do enxugamento da competição. Ano passado, os clubes que subiram da terceira para a segunda divisão fizeram 32 jogos.

 

No total, a terceirona de 2009 terá apenas 19 datas. Os jogos serão apenas aos domingos. Vai ser um campeonato de tiro curto e inegavelmente menos atraente do que o formato “todos contra todos em pontos corridos” das séries A e B. Mas há alguns clubes que não devem reclamar da mudança. Entre eles, o Paysandu.

 

O Papão montou um time para um campeonato muito mais forte do que o que será disputado. Tem condições de sobrar na competição e de voltar à série B com folga. Só vai precisar arrumar uma solução para manter o elenco em atividade até dezembro, já que muitos jogadores têm contrato até o final do ano e o segundo jogo da final da Terceirona é no dia 20 de setembro.

 

Por outro lado, todos os clubes precisam ter cuidado com o risco de rebaixamento, já que o lanterna de cada grupo da primeira fase cai para a série D em 2010. Não vai mais haver aquela longa agonia pela qual o Remo passou em 2007: meses e meses na zona da degola, mas ainda com chances de se livrar. Vacilou, caiu. O Águia, que tem vivido um 2009 muito inconstante, tem que se cuidar.

 

Confira a tabela da primeira fase para os clubes paraenses. Ambos estão no grupo A, ao lado de Rio Branco (AC), Sampaio Corrêa (MA) e Luverdense (MT):

 

24/05

Paysandu x Sampaio Corrêa

Águia x Rio Branco

 

31/05

Sampaio Corrêa x Águia

 

14/06

Paysandu x Rio Branco

Luverdense x Águia

 

21/06

Águia x Paysandu

 

28/06

Luverdense x Paysandu

 

05/07

Paysandu x Águia

 

12/07

Rio Branco x Paysandu

Águia x Luverdense

 

19/07

Paysandu x Luverdense

 

26/07

Águia x Sampaio Corrêa

 

02/08

Sampaio Corrêa x Paysandu

Rio Branco x Águia


Mudanças nas séries C e D

19/03/2009

A CBF anunciou nesta terça-feira mudanças no formato de disputa das séries C e D do campeonato brasileiro. Com o objetivo visível de reduzir custos, a entidade decidiu enxugar datas.

 

A série C, com 20 clubes, vai ter quatro grupos com cinco equipes, e não mais dois grupos de dez. Os dois primeiros de cada chave se classificam para a segunda fase. A partir desta etapa, o campeonato entra em disputas eliminatórias até a decisão. Os semifinalistas serão promovidos para a segundona em 2010.

 

A série D, com 40 times, também teve uma mudança semelhante. Em vez de oito chaves de cinco clubes, vão ser dez chaves de quatro. Daí pra frente, o caminho é igual ao da série C: os dois primeiros de cada grupo avançam, as disputas eliminatórias começam e os semifinalistas sobem para a série C no ano que vem.

 

Os regulamentos não foram divulgados ainda. E a CBF ainda não explicou se as “disputas eliminatórias” são no formato mata-mata ou de novos grupos.

 

O fato é que apesar de ter sido uma espécie de “aviso prévio”, a novidade foi mal recebida pelo presidente do Paysandu. Em entrevista a uma emissora de rádio de Belém, Luiz Omar Pinheiro disse que vai reclamar ao diretor técnico da CBF, Virgílio Elísio, e que tem apoio de outros clubes e da FBA (Futebol Brasil Associados) nesta queixa. “Não posso montar um time caro como o do Paysandu para correr o risco de jogar poucas vezes. Quase todos os jogadores têm contrato até o fim do ano”, reclama, explicando que a formação do elenco foi baseada no regulamento que se imaginava no final do ano passado: todos contra todos em pontos corridos.

 

A reclamação do cartola é consistente e a mudança torna o campeonato menos atrativo. Só que é preciso ver o lado bom da coisa. Se as “disputas eliminatórias” a que a CBF se refere forem jogos de mata-mata, o caminho até o acesso vai ser curtíssimo. Para subir para a série B, um clube precisaria apenas passar do primeiro mata-mata, ou seja, fazer nada mais que dez jogos. Galho fraco para quem precisa desesperadamente sair do limbo que é a terceirona.