Fim da folga

08/05/2009

Caros leitores, o recesso terminou. Meus dias portenhos foram interessantes, com direito à perda de um “cabaço bombonerense”. Pela primeira vez, assisti a um jogo no mítico estádio do Boca Juniors. E a torcida xeneize, apesar de impressionante, ainda me pareceu menos louca que a do Rosario Central (que conheci pessoalmente e relatei neste post).

De longe, acompanhei ao placar de tênis na primeira decisão do campeonato paraense. Não imaginava que o jogo entre Paysandu e São Raimundo fosse tão desequilibrado, por mais que o Pantera tenha feito várias partidas pífias contra o Papão nesta temporada. A conversa de água batizada com sonífero ou de corpo mole parece mais desculpa de mau perdedor do que outra coisa. Não há o que discutir: o título é do Paysandu, com todos os méritos e sem a mínima possibilidade de surpresa na final deste sábado.

Depois da cerimônia da entrega da taça, as atenções se voltam para o campeonato brasileiro. O Papão já começa a se azeitar para a Terceirona, competição em que dificilmente deixará de ser um dos favoritos ao título. O Pantera, que vai disputar a Quartona, tenta segurar o assédio em cima de jogadores como Michel e Hélcio para os clubes paraenses da série C.

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Muita onda por nada

24/04/2009

Durou menos de 24 horas o estardalhaço do departamento jurídico do Remo, que tentava trazer a final do segundo turno do Parazão de Santarém para Belém. O advogado Rubens Leão resolveu desistir do recurso que pedia a mudança do local do jogo, depois da punição do São Raimundo com a perda do mando de campo em uma partida. Assim, Leão e Pantera duelam mesmo no Colosso do Tapajós neste domingo por uma vaga na decisão do campeonato estadual, uma na série D do campeonato brasileiro deste ano e outra na Copa do Brasil do ano que vem.

 

Este cenário parecia improvável até ontem, depois do julgamento do clube santareno no Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paraense de Futebol. O São Raimundo foi punido por causa dos objetos atirados por torcedores em direção ao gramado no jogo contra o Paysandu no dia 28 de março. A sentença foi o pagamento de uma multa de 10 mil reais e a perda de mando de campo, com cumprimento imediato. Aí surgiu um problema de interpretação. O regulamento do campeonato fala que são necessários cinco dias úteis para a aplicação de uma punição como a do São Raimundo. O Remo queria que o tal “cumprimento” imediato já valesse no jogo de domingo e anunciou que entraria com um recurso pedindo a transferência da partida para Belém. Teve até bate-boca com a diretoria do Pantera, que estava revoltada com a possibilidade de marmelada.

 

A desistência do jurídico do Remo acabou facilitando as coisas e mostrando que o Leão fez muito barulho por nada. E assim, a justiça é feita: o São Raimundo faz valer os méritos e joga a decisão em casa, precisando apenas de um empate. Se servir de consolo, o Remo venceu cinco dos seis jogos que já fez no Colosso do Tapajós. Domingo, às 16h, vamos ver qual retrospecto fala mais alto.


Pelo fio da navalha

20/04/2009

A sobrevida que o Remo ganhou após a vitória no Re-Pa parece estar chegando ao fim. O empate em 1×1 com o São Raimundo no Mangueirão mostrou que o caminho do Leão para salvar a temporada de 2009 não deixou de ser complicado. O time criou pouco, foi quase inofensivo nas chances de gol e se deixou envolver pela melhor qualidade do Pantera. A garra que sobrou na vitória sobre o Paysandu fez falta.

 

O São Raimundo impressionou com um toque de bola mais refinado e jogadas mais objetivas. Garrinchinha e Michel, dois dos jogadores mais habilidosos do Parazão, foram os melhores em campo. Michel, inclusive, foi o protagonista da tarde. Marcou o primeiro gol do jogo, num belo chute de fora da área, e perdeu uma chance absurda de marcar aos 48 minutos do segundo tempo. Recebeu um belo lançamento de letra de Kolte e ficou cara a cara com o goleiro Adriano. Mas se atrapalhou na hora de chutar. Foi o último lance da partida e, depois do apito final, o meio-campo do Pantera caiu desesperado no gramado e foi consolado pelos colegas de clube.

 

Agora, se quiser ser campeão do segundo turno e participar da série D do campeonato brasileiro, o Remo terá que vencer o jogo de volta no domingo que vem em Santarém. Resultado que ainda não conseguiu nesta temporada, mesmo jogando em casa. Foram quatro jogos, com uma vitória do São Raimundo (5×1 no Baenão) e três empates. Não é um tabu irrelevante, mas um fato que obriga o Leão a acender o sinal amarelo.


Pressão máxima

18/04/2009

Um jogo entre Remo e São Raimundo nunca valeu tanto como o deste domingo no Mangueirão. As duas equipes disputam o título do segundo turno do Parazão, uma vaga na decisão do campeonato estadual e outra na série D do Brasileiro. Para o Leão, uma possível derrota vai ter consequências desastrosas. A principal delas é ficar sem calendário no restante do ano.

 

Mas a pressão não está apenas em cima dos remistas. O São Raimundo também sofre com as cobranças da torcida, que empurrou o time no segundo turno em Santarém, e também da imprensa, que fica de olho em qualquer possibilidade de pipocada de um clube do interior. E a marcação é ainda mais cerrada porque o Pantera tem jogado um futebol eficiente e revelado excelentes jogadores, como o meio-campo Michel.

 

Como tem a melhor campanha no segundo turno, os santarenos jogam por dois empates. O Remo precisa vencer pelo menos um dos dois jogos (o outro é no domingo que vem, dia 26, em Santarém) para levantar a taça. Amanhã à noite a gente volta a conversar.


Raio-x das semifinais

11/04/2009

Assim como os campeonatos carioca, paulista, mineiro e gaúcho, o Parazão 2009 também pega fogo neste domingo de páscoa. Teremos as semifinais do segundo turno. Em uma chave, um confronto entre equipes do interior. Na outra, um clássico disputado antes da decisão e marcado por nervosismo e mistério.

 

Em Santarém, o São Raimundo recebe o Águia de Marabá. O alvinegro santareno terminou a fase de classificação na liderança e, por isso, entra em campo com duas vantagens: precisa só de um empate para chegar à final e joga em casa, no estádio Barbalhão. Os 15 mil e 800 ingressos colocados nas bilheterias estão esgotados. Já estavam quase todos vendidos na quinta-feira. O time marabaense quer continuar provando que jogar longe de casa não é obstáculo para as boas equipes. Como o estádio de Marabá não tem condições de segurança para jogos de grande porte, o Águia tem sido forçado a jogar longe da cidade desde a fase final série C do ano passado. Ainda assim, foi o quinto colocado no campeonato brasileiro e só não subiu para a segundona porque perdeu para o Duque de Caxias no critério de gols marcados. E no Parazão, chegou com tranqüilidade às semifinais do segundo turno depois de bater na trave no primeiro.


Já o estádio Mangueirão vai receber o Re-Pa de número 700. É um clássico histórico não só pelo número que vai alcançar, mas também pela possibilidade de a temporada 2009 acabar para o Remo. O Leão precisa ser pelo menos vice-campeão estadual para conquistar uma vaga na série D do campeonato brasileiro. Como o Papão faturou o primeiro turno e o primeiro lugar na decisão do título, uma derrota no clássico significa o fim da linha para os azulinos. Aliás, um empate tem esse poder, já que o Papão tem a vantagem. O Paysandu, mesmo tranqüilo, não quer deixar escapar a oportunidade de conquistar o segundo turno e matar o campeonato sem uma final extra.

 

Para ajudar a compreender o clima das semifinais do segundo turno do Parazão, Travinha faz um breve raio-X das quatro equipes participantes.

 

São Raimundo

 

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Campanha no segundo turno: 1º lugar, com 16 pontos, 5 vitórias, 1 empate, 1 derrota, 14 gols marcados e 8 sofridos.

 

Campanha geral: 2º lugar, com 33 pontos, 10 vitórias, 3 empates e 4 derrotas, 31 gols marcados e 21 sofridos.

 

Artilheiro: Hélcio, com 12 gols

 

Ponto forte: o conhecimento que o técnico Valter Lima tem do elenco. Nomes desconhecidos que saem do banco de reservas se transformam em armas importantes com a maior facilidade.

 

Ponto fraco: o time parece tremer em momentos de pressão. Na semifinal do primeiro turno, só passou pelo Remo porque tinha a vantagem do empate. Na final contra o Paysandu, tomou de 3×0 no primeiro jogo. Venceu o segundo por 3×2, quando ninguém mais acreditava que o Pantera pudesse reagir.

 

Águia

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Campanha no segundo turno: 4º lugar, com 14 pontos, 4 vitórias, 2 empates, 1 derrota, 15 gols marcados e 10 sofridos.

 

Campanha geral: 4º lugar, com 24 pontos, 7 vitórias, 3 empates, 4 derrotas, 27 gols marcados e 22 sofridos.

 

Artilheiro: Felipe, com 7 gols.

 

Ponto forte: o meio-campo. Os volantes Analdo e Marabá são eficientes no desarme e no toque de bola. O armador Flamel é o jogador mais criativo do time e quase sempre perfeito nas cobranças de falta.

 

Ponto fraco: o ataque do Águia tem os piores números entre os semifinalistas. A média de gols é inferior a dois por jogo. Se Felipe está em boa fase, Aleílson continua com o costume de desperdiçar chances incríveis na frente da trave.

 

Paysandu

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Campanha no segundo turno: 2º lugar, com 16 pontos, 5 vitórias, 1 empate, 1 derrota, 13 gols marcados e 9 sofridos.


Campanha geral: 1º lugar, com 39 pontos, 12 vitórias, 3 empates, 2 derrotas, 42 gols marcados e 24 sofridos.

 

Artilheiro: Zé Carlos, com 9 gols.

 

Ponto forte: os números. Eles comprovam que o Papão é o melhor time do campeonato. É o que mais venceu, é o que menos perdeu, é o que mais marcou gols… A defesa, que foi o calo do time no primeiro turno, melhorou bastante no segundo. Sem contar que o clube já está na final do campeonato, graças ao título do primeiro turno.

 

Ponto fraco: a guerra de nervos em que o time se meteu por causa da mania de perseguição com a imprensa. Édson Gaúcho chegou a interromper um treino tático de portões fechados porque viu que cinegrafistas acompanhavam a movimentação da janela de um prédio vizinho.

 

Remo

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Campanha no segundo turno: 3º lugar com 14 pontos, 4 vitórias, 2 empates, 1 derrota, 16 gols marcados e 7 sofridos.

 

Campanha geral: 3º lugar com 26 pontos, 7 vitórias, 5 empates, 3 derrotas, 29 gols marcados e 21 sofridos.

 

Artilheiro: Helinho, com 6 gols.

 

Ponto forte: a reação da equipe no segundo turno. O time foi mais regular, Helinho passou a se destacar como o homem de referência no ataque e Rogério Corrêa virou o xerifão da zaga remista.

 

Ponto fraco: a pressão. Um fracasso no clássico deste domingo dá ao Remo um buraco de nove meses sem competições oficiais. E os jovens jogadores do Leão já demonstraram no jogo contra o Flamengo que ainda não aprenderam a lidar com uma tensão tão grande.


O justo pleito de Santarém

31/03/2009

Você tem certeza de que há algo de estranho no futebol local quando uma entidade como a Federação Paraense atropela os interesses do Remo ou do Paysandu. É o que está prestes a acontecer, caso o São Raimundo se classifique para as semifinais do segundo turno em primeiro ou segundo lugar. O Remo fala em ir até as últimas conseqüências para não jogar em Santarém se cruzar com o Pantera na semifinal. Só que o diretor técnico da FPF, Paulo Romano, já disse que não há nada que impeça um jogo da fase decisiva no interior do estado.

 

No fundo, no fundo, a polêmica é motivada pelo bom desempenho que o São Raimundo tem nos jogos em casa: venceu quatro das seis partidas que disputou no Barbalhão. Além disso, o alvinegro é um pequeno fenômeno de público. Tem uma média de quase 9 mil pagantes por jogo, número muito melhor que o dos grandes da capital. Ou seja, é uma situação de risco para um clube que tem tido uma campanha irregular, como é o caso do Remo.

 

Só que a explicação dada pela diretoria azulina diz respeito à ata da reunião do conselho técnico da FPF, realizada em setembro do ano passado. No documento, estão registrados alguns esboços de regras para os campeonatos de 2009 e 2010. Entre elas, uma linha que diz que “os jogos das fases semifinais e finais dos turnos devem ser realizados, em princípio, no Estádio Olímpico do Pará”. É na entrelinha aberta pelo termo “em princípio” que a cartolagem remista aposta.

 

Por outro lado, a Federação contesta este argumento e diz que vale o que está no regulamento da competição, que não tem nenhum artigo determinando o Mangueirão como o local obrigatório para os jogos decisivos. Tanto que, na tabela oficial, os locais das semifinais e das finais estão em branco.

 

O São Raimundo apenas aguarda a poeira baixar, precisando de uma simples vitória em casa sobre o lanterna Ananindeua para ter direito ao mando de jogo na semifinal. A diretoria do clube informou que já identificou e entregou à polícia duas pessoas que teriam atirado objetos em direção ao gramado no jogo do último sábado contra o Paysandu, o que já isentaria o clube de uma possível punição por mau comportamento da torcida.  Agora é só esperar para ver até onde vai esse apoio da Federação e se essa briga do Remo para não jogar no interior vai ser realmente necessária.


Santarém em festa

24/03/2009

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Por mais que a atenção do público de Belém (que tem 20% da população do estado) tenha se voltado para o Re-Pa, a vitória bicolor e o gol de Zé Augusto, quem está na ponta do segundo turno é o São Raimundo. O Pantera leva vantagem sobre o Paysandu no saldo de gols: 5×3. E como faz todos os jogos desta etapa do campeonato dentro de casa, é o favorito inegável ao primeiro lugar na fase de classificação.

 

Entretanto, o que mais surpreende a nós, acostumados a olhar quase exclusivamente para a capital, é o envolvimento da torcida santarena com o sucesso do clube. Nos quatro jogos que o São Raimundo fez no estádio Barbalhão, o Pantera levou, em média, 7.861 torcedores por partida. É um número que só é superado pelos grandes da capital por causa do Re-Pa.

 

Santarém fica a mais de 1000km de Belém, no oeste do Pará. Para chegar lá a partir da capital, só com um voo de pouco mais de uma hora ou com uma viagem de barco que pode durar três dias. A distância geográfica de Belém leva Santarém a uma espécie de isolamento político e cultural. A cidade acaba sofrendo mais influência do Amazonas que do Pará (como se o município não fizesse parte do estado). Os jovens bem nascidos que querem estudar ou trabalhar fora vão para Manaus, e não para Belém. São fatos que levam a população a embarcar em um sonho de políticos da região: a criação do estado do Tapajós.

 

O parágrafo anterior não é uma digressão à toa. Serve para mostrar que, pela primeira vez, o futebol é um exemplo do sentimento de não-pertencimento dos santarenos dentro do Pará. Se antes, Remo e Paysandu eram um dos poucos pontos que uniam o oeste do Pará e a área de influência da capital, o sucesso do São Raimundo faz com que o povo de lá tenha um motivo bem particular de orgulho nos gramados.

 

Confiram mais sobre o São Raimundo no site oficial do clube e no blog da torcida organizada Loucos Alvinegros.

 

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