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10/05/2009

paysandu campeão

Deu a lógica. Por mais que o São Raimundo tenha demonstrado a força que lhe faltou na primeira partida da decisão, o Paysandu venceu o jogo de volta da final e conquistou com todos os méritos o campeonato paraense de 2009. É o 43º troféu estadual na estante do Papão, que desempatou a disputa com o Remo e passou a ser o maior vencedor do Parazão.

O melhor time do campeonato colhe o que plantou. Começou a preparação mais cedo, escolheu o treinador e os reforços com uma razoável antecedência, fez uma pré-temporada bem organizada, corrigiu erros durante a competição e cresceu nos momentos decisivos. Os atritos com a imprensa, que provocaram dias tempestuosos na Curuzu, acabaram não comprometendo o bom conjunto que já se havia criado. Agora, o Papão sai fortalecido do estadual e chega ao campeonato brasileiro da série C como favorito ao acesso.

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Fim da folga

08/05/2009

Caros leitores, o recesso terminou. Meus dias portenhos foram interessantes, com direito à perda de um “cabaço bombonerense”. Pela primeira vez, assisti a um jogo no mítico estádio do Boca Juniors. E a torcida xeneize, apesar de impressionante, ainda me pareceu menos louca que a do Rosario Central (que conheci pessoalmente e relatei neste post).

De longe, acompanhei ao placar de tênis na primeira decisão do campeonato paraense. Não imaginava que o jogo entre Paysandu e São Raimundo fosse tão desequilibrado, por mais que o Pantera tenha feito várias partidas pífias contra o Papão nesta temporada. A conversa de água batizada com sonífero ou de corpo mole parece mais desculpa de mau perdedor do que outra coisa. Não há o que discutir: o título é do Paysandu, com todos os méritos e sem a mínima possibilidade de surpresa na final deste sábado.

Depois da cerimônia da entrega da taça, as atenções se voltam para o campeonato brasileiro. O Papão já começa a se azeitar para a Terceirona, competição em que dificilmente deixará de ser um dos favoritos ao título. O Pantera, que vai disputar a Quartona, tenta segurar o assédio em cima de jogadores como Michel e Hélcio para os clubes paraenses da série C.


As 8 mancadas decisivas para o fracasso do Remo

27/04/2009

artur

1) “Em duas semanas nós conseguiremos formar um time competitivo”. Foi o que disse o presidente do Remo, Amaro Klautau, logo depois de ser eleito em dezembro. Ele dizia que não faria nenhuma contratação enquanto não fosse empossado, no dia 5 de janeiro, 13 dias antes da estréia no campeonato paraense. O cartola acabou revendo a própria decisão e começou a montar o time em dezembro. Não conseguiu evitar um début humilhante: 5×1 para o São Raimundo em pleno Baenão.

 

2) Na política de contratações, nada mudou com a nova gestão azulina. A primeira leva de reforços veio a rodo, por indicação do técnico Flávio Campos. Foram sete novidades, sendo que algumas nem demoraram a deixar o Baenão. O meio-campo Franklin e o atacante Bruno Andrade foram embora ainda no primeiro turno do campeonato estadual. Ninguém notou.

 

3) Anunciar os reforços antes da hora. Ou, em outras palavras: contar com o ovo na cloaca da galinha (para usar uma expressão menos chula). No dia da primeira apresentação dos novos contratados, Amaro Klautau bradou veementemente que já estava tudo certo com o meio-campo Maico Gaúcho, ídolo do clube em 2006. O jogador acabou não vindo porque o Remo não aceitou pagar 75 mil reais de multa rescisória ao Luverdense (MT), clube com o qual Maico tinha vínculo. A mesma coisa aconteceu com o meio-campo Alexandre, do Avenida (RS). Em ambos os casos, os dirigentes dos dois clubes esbravejaram contra a diretoria do Remo na imprensa.

 

4) A insistência em contratar atacantes. Na mesma semana, por exemplo, chegaram Bebeto, Helinho e Edinho. O Leão chegou a ter sete jogadores para esta posição. Nem todos emplacaram. Por Bebeto, o clube pagou caro (75 mil reais por três meses de contrato) e teve pouco retorno: apenas um gol. Edinho, que ia bem nos treinos, foi dispensado depois de cobrar uma oportunidade no time de forma mais incisiva. Helinho demorou, mas acabou sendo o jogador que melhor funcionou lá na frente. Marcou sete gols no campeonato paraense e foi o artilheiro remista na competição.

 

5) A história surreal do meio-campo Claudinho, que chegou para ser o dono da camisa 10, mas não fez um jogo sequer como titular. Primeiro, por causa da demora na regularização. Como Claudinho jogava na Austrália, a transferência internacional levou três semanas para ser concretizada. Depois que tudo foi resolvido, o jogador foi relacionado poucas vezes, entrou em campo em apenas uma partida e não empolgou. “Um jogador mediano”, definiu um radialista setorizado no Remo, pegando leve com o Claudinho.

 

6) As circunstâncias da demissão do técnico Flávio Campos mostraram uma falta de sintonia dentro da cartolagem do Remo. Depois da derrota para o São Raimundo na semifinal do primeiro turno, o presidente Amaro Klautau disse que Flávio estava prestigiado e continuaria no cargo. Mas duas rodadas depois, ele nem precisou perder para cair fora. Depois da vitória de 2×1 sobre o Time Negra, a diretoria iniciou um processo de fritura que durou 24 horas. Só esperou a derrota do Castanhal para o Paysandu no dia seguinte, para que Artur Oliveira (então técnico do Japiim) fosse anunciado como novo comandante do Remo. Ninguém da diretoria assume, mas especula-se que a demissão de Flávio Campos estava sendo tramada há mais tempo e que Válter Lima, do São Raimundo, tinha a preferência de alguns cartolas.

 

7) Os erros de bastidores continuaram acontecendo. O mais notável deles foi no dia da viagem para Barras, no Piauí, para o jogo pela Copa do Brasil. Cinco integrantes da delegação (entre eles o técnico Flávio Campos e o meio-campo Toninho) não conseguiram embarcar por causa de erro na grafia dos nomes relacionados para viajar. A situação foi mostrada de forma bem embaraçosa na imprensa.

 

8) Artur Oliveira tem identificação com o Remo, é um excelente motivador, mas pecou por algumas invencionices táticas. Usar o zagueiro San ou o volante Ramon na lateral-direita e o volante Marlon como lateral-esquerdo foram aventuras não muito bem sucedidas. Atitudes que se tornaram necessárias pelo fato de o Remo não ter um elenco muito bom. Nas laterais, por exemplo, havia apenas um especialista para cada posição e mais alguns improvisados em potencial. Complicado…

 

Se você tem alguma outra teoria para o que aconteceu com o Remo, que vai ficar sem disputar competições oficiais até janeiro do ano que vem, esteja à vontade para comentar aí embaixo.


Muita onda por nada

24/04/2009

Durou menos de 24 horas o estardalhaço do departamento jurídico do Remo, que tentava trazer a final do segundo turno do Parazão de Santarém para Belém. O advogado Rubens Leão resolveu desistir do recurso que pedia a mudança do local do jogo, depois da punição do São Raimundo com a perda do mando de campo em uma partida. Assim, Leão e Pantera duelam mesmo no Colosso do Tapajós neste domingo por uma vaga na decisão do campeonato estadual, uma na série D do campeonato brasileiro deste ano e outra na Copa do Brasil do ano que vem.

 

Este cenário parecia improvável até ontem, depois do julgamento do clube santareno no Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paraense de Futebol. O São Raimundo foi punido por causa dos objetos atirados por torcedores em direção ao gramado no jogo contra o Paysandu no dia 28 de março. A sentença foi o pagamento de uma multa de 10 mil reais e a perda de mando de campo, com cumprimento imediato. Aí surgiu um problema de interpretação. O regulamento do campeonato fala que são necessários cinco dias úteis para a aplicação de uma punição como a do São Raimundo. O Remo queria que o tal “cumprimento” imediato já valesse no jogo de domingo e anunciou que entraria com um recurso pedindo a transferência da partida para Belém. Teve até bate-boca com a diretoria do Pantera, que estava revoltada com a possibilidade de marmelada.

 

A desistência do jurídico do Remo acabou facilitando as coisas e mostrando que o Leão fez muito barulho por nada. E assim, a justiça é feita: o São Raimundo faz valer os méritos e joga a decisão em casa, precisando apenas de um empate. Se servir de consolo, o Remo venceu cinco dos seis jogos que já fez no Colosso do Tapajós. Domingo, às 16h, vamos ver qual retrospecto fala mais alto.


Pelo fio da navalha

20/04/2009

A sobrevida que o Remo ganhou após a vitória no Re-Pa parece estar chegando ao fim. O empate em 1×1 com o São Raimundo no Mangueirão mostrou que o caminho do Leão para salvar a temporada de 2009 não deixou de ser complicado. O time criou pouco, foi quase inofensivo nas chances de gol e se deixou envolver pela melhor qualidade do Pantera. A garra que sobrou na vitória sobre o Paysandu fez falta.

 

O São Raimundo impressionou com um toque de bola mais refinado e jogadas mais objetivas. Garrinchinha e Michel, dois dos jogadores mais habilidosos do Parazão, foram os melhores em campo. Michel, inclusive, foi o protagonista da tarde. Marcou o primeiro gol do jogo, num belo chute de fora da área, e perdeu uma chance absurda de marcar aos 48 minutos do segundo tempo. Recebeu um belo lançamento de letra de Kolte e ficou cara a cara com o goleiro Adriano. Mas se atrapalhou na hora de chutar. Foi o último lance da partida e, depois do apito final, o meio-campo do Pantera caiu desesperado no gramado e foi consolado pelos colegas de clube.

 

Agora, se quiser ser campeão do segundo turno e participar da série D do campeonato brasileiro, o Remo terá que vencer o jogo de volta no domingo que vem em Santarém. Resultado que ainda não conseguiu nesta temporada, mesmo jogando em casa. Foram quatro jogos, com uma vitória do São Raimundo (5×1 no Baenão) e três empates. Não é um tabu irrelevante, mas um fato que obriga o Leão a acender o sinal amarelo.


Pressão máxima

18/04/2009

Um jogo entre Remo e São Raimundo nunca valeu tanto como o deste domingo no Mangueirão. As duas equipes disputam o título do segundo turno do Parazão, uma vaga na decisão do campeonato estadual e outra na série D do Brasileiro. Para o Leão, uma possível derrota vai ter consequências desastrosas. A principal delas é ficar sem calendário no restante do ano.

 

Mas a pressão não está apenas em cima dos remistas. O São Raimundo também sofre com as cobranças da torcida, que empurrou o time no segundo turno em Santarém, e também da imprensa, que fica de olho em qualquer possibilidade de pipocada de um clube do interior. E a marcação é ainda mais cerrada porque o Pantera tem jogado um futebol eficiente e revelado excelentes jogadores, como o meio-campo Michel.

 

Como tem a melhor campanha no segundo turno, os santarenos jogam por dois empates. O Remo precisa vencer pelo menos um dos dois jogos (o outro é no domingo que vem, dia 26, em Santarém) para levantar a taça. Amanhã à noite a gente volta a conversar.


Remo vence o Re-Pa 700

12/04/2009

Alguém precisa arrumar as estatísticas de internações em UTIs cardiológicas do Pará neste domingo. O herói que conseguir esse número certamente vai encontrar um recorde absoluto na história hospitalar do estado. Porque, me perdoem o clichê, o Re-Pa 700 foi de arrebentar átrios, ventrículos e sistemas circulatórios completos.

 

Antes do jogo, os analistas cartesianos do futebol cravariam palpites secos no Paysandu. O Papão tem um time superior, tem a melhor campanha, o Remo tinha acabado de sofrer uma derrota para o Flamengo batendo uma bolinha vexatória… E o Bicola ainda jogava pelo empate. Bastava jogar o feijão com arroz para segurar qualquer ímpeto dos remistas.

 

Só que um jogo de futebol não se ganha com logaritmos, regras de três e nem fórmulas mirabolantes. É preciso mais coração do que lógica. E foi isso que o Remo colocou em prática desde o primeiro minuto de jogo. Na base do abafa, o Leão abriu o placar com menos de 10 minutos de bola rolando. E numa partida impecável dos zagueiros Rogério Corrêa e Márcio Pereira, superou toda a pressão que tomou do Paysandu no primeiro tempo. Era chutão prum lado, cabeçada pro outro… Como tem que ser. E o Remo ainda fez 2×0 no finalzinho da primeira etapa com um gol de pênalti.

 

No segundo tempo, o Paysandu continuou botando sufoco. E quase se deu bem numa confusão sem precedentes criada pelo árbitro gaúcho Leandro Vuaden. Num lançamento para o ataque do Bicola, Zé Augusto recebeu a bola em impedimento depois que o zagueiro remista Rogério Corrêa tocou com a mão. Na hora, o juiz apitou marcando pênalti. Depois de consultar o bandeirinha, voltou atrás e marcou impedimento. Aí o bate-boca aumentou. Inseguro, o homem do apito voltou ao auxiliar e mudou de opinião novamente: assinalou o penal a favor do Paysandu. Só para dramatizar ainda mais a história, Rossini chutou na trave.

 

O quiproquó acabou rendendo cinco minutos de acréscimo no fim do jogo. Logo aos 46, Reinaldo marcou o gol de honra do Paysandu e fez com que os remistas temessem a eliminação no campeonato estadual e o fracasso na conquista de uma vaga para a série D do brasileiro. Foram quatro minutos de ecocardiogramas batendo no teto, e o Papão acabou ficando só no quase.

 

O Remo vai decidir o segundo turno do Parazão com o São Raimundo, que venceu o Águia por 3×2. O primeiro jogo é no dia 19 em Belém. O segundo, no dia 26 em Santarém. O vencedor pega o Paysandu na decisão do campeonato, nos dias 3 e 10 de maio.