O “tapa penales” de Lucas do Rio Verde

18/05/2009

ronaldo goleiro

O goleiro Ronaldo, que jogou no Paysandu entre 1998 e 2008, foi o herói da conquista do título mato-grossense pelo Luverdense, neste domingo. E assim como fez no Bicola várias vezes, ele se consagrou na decisão por pênaltis. A final foi contra o Araguaia, no estádio Bilinão, no município de Alto Araguaia. No tempo normal, foram muitas chances desperdiçadas pelos dois times. Inclusive por outro velho conhecido do torcedor paraense, o meio-campo Maico Gaúcho, que também está no Luverdense. O jogo terminou 0x0 e a decisão foi para os pênaltis. E aí brilhou a estrela de Ronaldo. Com os pés, ele defendeu a cobrança de Fabinho. Com a mão esquerda, impediu o gol de Newman. Leandro fechou a série: Luverdense 4, Araguaia 2. O resultado deu ao Luverdense o título estadual pela primeira vez.

Pelo Papão, Ronaldo se acostumou a ser decisivo nos pênaltis. Em 2005, na decisão do primeiro turno do Parazão contra o Remo, ele defendeu três cobranças. No segundo turno, ele se destacou de novo, defendendo o pênalti de Barata. E o Papão conquistou o título estadual por antecipação. Em 2006, o Remo foi a vítima de novo: mais uma cobrança defendida e taça garantida na final do primeiro turno. E na decisão do campeonato, contra o Ananindeua, pegou duas cobranças e levou o Papão ao bi.

Na série C, o Luverdense é um dos adversários do Paysandu na primeira fase. Será que Ronaldo “pega-penais” vai atravessar o caminho do Papão?


Morre Neves, eterno ídolo do Remo

23/04/2009

neves

** Publicada no Amazônia Jornal de hoje

Faleceu às 14h30 horas de ontem, no hospital Porto Dias, o ex-jogador e ídolo do Clube do Remo Fernando Jucá Neves, o ‘Nevasca’ ou simplesmente Neves. Neves, que sofria de diabetes, teve seu quadro agravado por complicações renais e não resistiu. O jogador ficou famoso pela versatilidade em campo – jogava tanto de ponta esquerda como de ponta direita -, habilidade com a bola nos pés e fama de boêmio que carregava pelos clubes por onde passou. O velório aconteceu na igreja Capuchinhos. Neves tinha 63 anos.

Apesar de ter se consagrado com a camisa azulina, Neves começou a jogar futebol na equipe juvenil do Paysandu. Esta equipe, aliás, contava com craques como freitas, Sálvio e Garrinchinha, e ficou famosa depois de conquistar o heptacampeonato da categoria no período de 1956-1962. Em 1964, o jogador transferiu-se para o Remo depois de um pedido muito especial. ‘Não é que o Neves não fosse remista, mas o pai dele, Seu Jucá, era azulino demais’, conta o jornalista Expedito Leal, que revela ainda o apelido do craque. ‘No exagero, chamávamos de ‘o Garrincha do Norte’’.

Depois de conquistar títulos com a camisa do Clube do Remo, o talento de Neves chamou a atenção de grandes clubes do futebol brasileiro e ele transferiu-se para o Botafogo-RJ, onde passou pouco tempo, já que, com o preço de seu passe muito alto, as duas diretorias não chegaram a um acordo. Neves teve ainda uma passagem pelo Fluminense-RJ. Neste período, fez amizades com jogadores e torcedores influentes do futebol carioca, inclusive com tricolores fanáticos. ‘Lá no Rio de Janeiro o Neves se deu muito bem. Logo fez amizades e curtia muito a vida boêmia da cidade. Um dos parceiros dele na noite era o cantor Chico Buarque, que também gostava de farra, mas não como o Neves’, conta Expedito.

Neves ainda passou por Fortaleza-CE, Operário-SC e Tuna Luso como jogador. Sua última temporada com profissional foi em 1974, com a camisa cruzmaltina. Em 1976, Neves candidatou-se ao cargo de vereador municipal. Foi eleito com status de vereador mais votado e exerceu um atípico mandato com seis anos de duração. Neste tempo, não fez nenhum pronunciamento na Câmara Municipal. ‘Na única vez em que pediu a palavra foi prontamente atendido pelo presidente da Casa, que anunciou à bancada que o Neves faria um pronunciamento. Percebendo um mal-entendido, ele se justificou: ‘Não quero falar, não. Só queria avisar que tem uma goteira em cima da minha mesa’’.

Durante velório, amigos falam com saudade do ex-atleta

O velório do corpo de Fernando Jucá Neves aconteceu na madrugada, na capela mortuária da Igreja dos Capuchinhos, em meio à emoção de familiares e amigos, incluindo ex-atletas do Remo e do Paysandu. Dessa capela sairá às 15 horas de hoje em direção ao Cemitério de Santa Izabel, no bairro do Guamá. Neves faleceu às 14h30 horas de ontem, na Clínica Porto Dias, onde estava internado em virtude de complicações provocadas pelo diabetes. ‘Assim como existem os imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), existem os imortais do futebol. O Neves é imortal. Ele apenas viajou, continua com os dribles dele’, afirmou Beto, ex-meio-campo do Paysandu, que chegou a atuar junto com ‘Nevasca’ na Seleção Paraense de Futebol, e contra Neves atuando com a número 11 do Clube do Remo.

Para o ex-lateral-esquerdo do Paysandu Zé Luquita (José Luís) o momento é de saudade. ‘Nós fomos amigos por 20 anos, e isso será para sempre. Eu joguei contra ele, eu pelo Paysandu e ele, pelo Remo. Mas, primeiro, nós fomos campeões profissionais pelo Paysandu, antes de ele ingressar no Remo. Ele sempre foi remista’. Para Lupercínio, também ponteiro-esquerdo, Neves ‘não foi apenas um grande jogador, foi um grande homem’. ‘Ele sempre foi uma pessoa alegre, mesmo nas situações difíceis. É uma grande perda para o futebol paraense e como pessoa, como amigo.’ Ex-jogador da Juventus (SP), João Caldas teve em Neves um grande amigo, por 40 anos. ‘Foi um amigo honesto e sincero, um excelente profissional e pai’, ressaltou. Também compareceram ao velório de Neves jogadores como Gereba, Paulinho e Wandick.

Os vereadores Carlos Augusto Barbosa e Pio Neto estiveram na capela mortuária, encontrando-se com familiares e amigos do ‘Nevasca’. A viúva de Neves, dona Lila, irmã do ex-vice-governador Hermínio Calvinho, e a filha Lívea foram consoladas pelo sobrinho Hermínio Calvinho Júnior, que informou ter nascido no dia 27 de março o neto de Neves, filho de Lívea. ‘Ele foi um jogador brilhante, tanto que foi considerado pela Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Pará (Aclep) como o ponteiro-esquerdo do Século 20’. O caixão de Neves está coberto com a bandeira do Clube do Remo.


Sobre Remo x Flamengo

07/04/2009

 – Nos treinos após a vitória sobre o Castanhal pelo Parazão, o técnico do Remo Artur Oliveira não escondia a preocupação com o lateral do Flamengo Léo Moura. Tanto que tinha até pensado num esquema tático diferente para conter os avanços do ala ao ataque. Sorte ou simples traquinagem do destino, Léo Moura está entre os titulares poupados por Cuca para o jogo desta quarta-feira. Artur deve agradecer ao colega flamenguista ou se preocupar com o substituto?

 

– Falando em Artur, o técnico remista cometeu uma gafe involuntária ontem à noite. Foi ao aeroporto buscar o filho que chegava de Rio Branco, mas acabou dando de cara com centenas de torcedores rubro-negros que esperavam a chegada do Flamengo para tietar os jogadores. Artur ficou visivelmente sem graça ao perceber a situação, mas deu sorte por ter encontrado muitos fla-remistas no saguão de desembarque.

 

– O técnico Cuca driblou as entrevistas na chegada a Belém, apesar de ter uma história na cidade. O Remo foi um dos últimos clubes do ex-craque do Grêmio na carreira como jogador. Em 1994, o então meia-atacante marcou dois gols na campanha do Leão no campeonato brasileiro da série A. Um deles foi uma pintura na goleada de 5×1 em cima do Cruzeiro em pleno Mineirão. Em 1999, já como treinador, Cuca voltou a Belém no comando do Avaí para enfrentar o Remo. O Leão venceu por 7×1 e Cuca talvez tenha se arrependido de existir naquela noite. Em 2001, Alex Stival foi contratado para comandar o Remo, que andava entre trancos e barrancos na série B. Perdeu um Re-Pa na Curuzu e caiu com o time para a lanterna do campeonato, mas comandou uma reação com quatro vitórias consecutivas. Só que algumas rodadas mais tarde, perdeu três jogos consecutivos e pediu o boné. Sem Cuca, o Remo conseguiria se livrar do rebaixamento para a série C apenas na penúltima rodada. O treinador voltaria à cidade em 2005, comandando o Coritiba num jogo pela série A contra o Paysandu. A partida foi na semana anterior ao Círio de Nazaré e Cuca trabalhou vestindo uma camisa com a imagem de Nossa Senhora. A proteção da padroeira não adiantou e o Coxa perdeu por 3×1 para o Papão.

 

Confira o jogo em que Cuca arrepiou com a camisa do Remo:

 


Taça de Prata, 24 anos

06/04/2009

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Pobre Tuna Luso Brasileira. Sem calendário oficial até novembro, sem elenco, sem atenção…  De terceira força do futebol paraense, a Águia Guerreira do Souza virou uma espécie de outsider dos gramados da capital, que nem tem mais a tutela dos Gigantes do Norte para se orgulhar. Talvez essa zica intermitente tenha contribuído para que um importante aniversário passasse batido no último fim de semana. No último dia 4, fez 24 anos que a Lusa conquistou a Taça de Prata, o primeiro título nacional faturado por um clube paraense.

 

Pois é, já se passaram 24 primaveras desde que o bravo escrete comandado por José Dutra dos Santos chegou à glória. Uma glória com o caminho bem mais curto do que hoje, diga-se de passagem. Para um clube ser campeão da série B hoje, tem que enfrentar uma maratona de 38 jogos em turno e returno e pontos corridos. Em 1985, a briosa Tuninha fez apenas 10 partidas rumo ao caneco em menos de dois meses. Alguns podem usar este fato para desmerecer a conquista cruzmaltina, mas os guerreiros do Francisco Vasques só fizeram o que o regulamento exigiu. Qualquer contestação é puro recalque.

 

A peleja teve 24 clubes participantes. Eles jogariam em confrontos de mata-mata em três fases que reduziriam o número de equipes a 12, 6 e 3. A trinca sobrevivente jogaria um triangular em ida e volta para decidir o campeão. A trajetória da Tuna na temporada vitoriosa começou no dia 2 de fevereiro de 85: 0x0 com o Moto Clube em São Luís. Uma semana depois, no Baenão, a Lusinha atropelou os maranhenses: 3×0, com gols de Luiz Carlos, Paulo César e Mariolino. Na segunda fase, o adversário foi o Rio Negro do Amazonas. A classificação foi tranquila, com duas vitórias: 1×0 em Belém e 2×1 em Manaus. Na terceira fase, pintou um candidato mais forte a tirar a Tuna de circulação: o Fortaleza. O primeiro jogo, na capital cearense, terminou em um tenso 0x0. Mas na volta, em Belém, surgiu a alma de campeão no time tunante e o Tricolor do Pici foi humilhado no Baenão: 5×1. Paulo César marcou duas vezes, Luís Carlos outras duas e Ronaldo fechou a goleada. A Águia estava no triangular decisivo da Taça de Prata.

 

Os adversários no caminho da Lusa rumo ao título foram o Figueirense e o Goytacaz. A estréia foi contra o alvinegro catarinense em Belém e a Tuna faturou um magro 1×0 graças a um gol do matreiro atacante Puma, que havia entrado no decorrer da partida. Na segunda rodada, em Campos dos Goytacazes (RJ), outra vitória por 1×0, com um o gol do ponta-direita Tiago. Mesmo depois de uma derrota de 3×2 para o Figueirense em Floripa, a Águia chegou à última partida com uma vantagem de dois pontos sobre os oponentes. E ainda jogava em casa! Ou seja, a taça tava no papo…

 

No dia 4 de abril de 1985, 12.819 pessoas foram ao Mangueirão. Azulinos e bicolores engrossaram a torcida da Tuna, que só precisava de uma vitória para ser campeã. Nada muito complicado contra um time que tinha um goleiro chamado Gato Félix. O felino não buscou nenhuma bola no primeiro tempo, que terminou 0x0. O segundo tempo começou tenso, com o zagueiro Ronaldo, da Tuna, perdendo um pênalti a 12 minutos. Depois disso, desembestou a sair gol. Luiz Carlos abriu o placar para a Lusa aos 14. Dois minutos depois, Gaúcho Lima empatou. Paulo Guilherme fez Tuna 2×1 aos 23. Aos 31, Ronaldo marcou o terceiro. A vitória já se encaminhava para ser sacramentada quando Souza diminuiu a desvantagem do Goytacaz. E quando o árbitro baiano Ney Andrade Nunes Maia silvou seu apito, a Tuna era campeã brasileira e seria o único clube paraense a ostentar tal condição pelos seis anos seguintes. A Lusinha também seria a pioneira do estado a conquistar um bicampeonato nacional, em 1992. Conquistas que fazem a Águia dona de um presente que não é digno de seu passado.

 

 

TUNA LUSO 3 X 2 GOYTACAZ

Data: 04/04/1985

Local: Estádio Mangueirão

Árbitro: Nei Andrade Nunes Maia (BA)

Cartões amarelos: Mário, Quaresma e Paulo Guilherme (Tuna), Totonho

e Bel (Goytacaz)

Renda: Não disponível

Público: 12.819 pagantes

Tuna Luso: Ocimar; Quaresma, Ronaldo, Paulo Guilherme e Mário; Edgar,

Ondino, Queiróz; Tiago (Puma), Paulo César e Luís Carlos

Téc.: José Dutra

Goytacaz: Gato Félix; Totonho, Cléber, Fazolli e César; Gaúcho Lima,

Rubens Galaxe e Sousa; Bel, Paulinho (Da Costa) e Cosme (Edvaldo)

Técnico: Pinheiro

Gols: Luís Carlos aos 14′, Gaúcho Lima aos 16′, Paulo Guilherme aos 23′,

Ronaldo aos 31 ‘ e Sousa aos 78’


O misterioso caso de Andrey Benjó

29/03/2009

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Em 1996, o cenário do futebol paraense estava assim: o Paysandu tinha acabado de ser rebaixado para a Segundona depois de quatro anos na série A do campeonato brasileiro e já entrava na quarta temporada sem ganhar um jogo sequer contra o Remo. O Leão, tricampeão estadual, passara por um de seus maiores vexames recentes: a eliminação na Copa do Brasil com o histórico gol contra de Castor. Mas avançava no Parazão com relativa tranqüilidade, tendo inclusive emplacado uma goleada de 4×0 num Re-Pa.

Só que a aparente normalidade foi quebrada por um caso que não teve semelhante nos treze anos seguintes. No dia 12 de junho de 96, o Remo perdeu um de seus grandes candidatos a revelação da época. O atacante Andrey Benjó, de apenas 21 anos, morreu com um tiro na cabeça em circunstâncias que permaneceram inexplicadas até hoje. A tragédia foi possivelmente a última história que ultrapassou os noticiários esportivos para ganhar as páginas policiais no Pará.

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Andrey era cria das divisões de base do Leão. Aos 19 anos, durante o campeonato brasileiro da série B de 95, teve a primeira oportunidade no time profissional. Jogou duas partidas contra o Moto Clube e ajudou a livrar o Remo do rebaixamento para a série C. Acabou sofrendo do “mal de ser jogador paraense” e perdeu espaço depois da contratação de uma carrada de jogadores do Santos que se tornaram titulares naquela campanha. Só voltou ao elenco principal no início de 96, com o treinador Luizinho Lemos.

Nessa nova chance, Andrey chamou a atenção não apenas pela velocidade e pela habilidade. Era também irreverente ao ponto de ultrapassar os limites da noção. Costumava lançar desafios incomuns aos colegas como degustar insetos e quebrar cocos na cabeça. Brincadeiras à parte, estava sempre entre os relacionados para os jogos do Remo no campeonato paraense e na Copa do Brasil. O último foi no dia 9 de junho de 96. Andrey entrou no segundo tempo contra o Pinheirense e pouco ajudou na goleada de 4×0 do Leão. Apesar da atuação ruim, o garoto estava cotado para ser titular no jogo seguinte, contra o Vila Rica. Substituiria Ageu, que tinha levado o terceiro cartão amarelo. Já tinha dito ao técnico Valdemar Carabina: “professor, eu vou lhe dar uma boa dor de cabeça porque eu vou arrebentar nesse jogo de domingo”.

Só que três dias depois, a tragédia aconteceu. Andrey estava bebendo cerveja perto de casa com o volante Cléberton, vizinho no bairro da Cidade Nova e colega de Clube do Remo. Por volta das 2 da manhã, um vigilante passou por perto dizendo que tinha sido assaltado. Cléberton se prontificou a ajudá-lo: foi buscar um revólver Taurus calibre 32 e dez balas que comprara de um desconhecido no Baenão alguns dias antes. Mostrou a arma a Andrey e à namorada, mas mudou de idéia e decidiu não emprestá-la ao vigia. Andrey, então, pediu a arma dizendo que iria experimentá-la. Surpreendentemente, apontou-a contra a própria cabeça e puxou o gatilho. Uma bala estava no tambor. Foi o suficiente.

O atacante deu entrada no Hospital Belém ainda de madrugada. Às 17h20, teve a morte cerebral constatada. As funções cardiorrespiratórias de Andrey pararam definitivamente às 21h30. O desastre estava consumado.

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Enquanto Andrey era sepultado, Cléberton era apontado como responsável pela morte do amigo. Chegou a ser chamado de assassino, já que ninguém acreditava que o jogador brincalhão pudesse cometer suicídio ou uma brincadeira de mau gosto contra a própria vida. A polícia investigou o caso durante longas semanas e encontrou uma série de contradições na história contada pelo volante remista. A mão de Andrey não tinha vestígios de pólvora, o revólver de onde partiu o tiro sumiu e reapareceu, e pessoas que conheciam a vítima disseram que o atacante tinha medo de armas de fogo. Além do mais, logo após o baleamento, Cléberton teria dito uma frase que foi considerada um indício contra ele: “Eu matei meu irmão”. Quanto mais se fuçava, mais dúvidas surgiam. O caso acabou sem que se chegasse a uma conclusão precisa. E Cléberton não foi incriminado.

Apesar da tragédia e da comoção, o Remo ficou devendo uma homenagem decente para o jovem talento que morreu. No jogo contra o Vila Rica, quatro dias depois da morte, o Leão entraria em campo com dez jogadores e o décimo-primeiro entraria apenas cinco minutos depois. Repetiria-se, assim, o que o clube fez para lembrar o atacante Luizinho das Arábias, morto em 1989. Mas os jogadores remistas só entraram em campo com uma discreta fita preta na camisa. E ficou por isso mesmo: não demorou para o caso Andrey acabar esquecido pelo Remo, pelos torcedores e pela polícia. Hoje, a história representa uma dor profunda para família e nada mais que uma lembrança mórbida para os fãs de futebol.


Aquecimento do Re-Pa #01

19/03/2009

Neste domingo, Remo e Paysandu fazem o clássico de número 699. É o dérbi mais jogado do futebol brasileiro e a maior rivalidade da Amazônia. Para esta partida, a expectativa é de 40 mil torcedores no Mangueirão, já que os dois clubes estão empatados na liderança do segundo turno do campeonato paraense, ao lado do São Raimundo. Quem vencer, segue firme na briga pela classificação para as semifinais com a vantagem do empate. Quem perder, fica para trás. Se for empate, os dois rivais abrem espaço para o São Raimundo abrir na dianteira.

 

Mas não se precisa de tantos pretextos para sentir apreensão e esquentar o clima de um Remo x Paysandu. Todo paraense que ama futebol tem alguma boa história de arquibancada envolvendo o clássico para contar. Para você, que anda com a memória ruim, Travinha (com o suporte do You Tube) dá uma ajuda e relembra em pílulas alguns Re-Pas inesquecíveis dos últimos anos.

 

1994 – Remo 2×0 Paysandu

 

Poucos dias depois de o Brasil conquistar o tetra nos Estados Unidos, o Remo faturou o bi estadual no Mangueirão. A decisão é sempre lembrada pelos dois golaços do atacante Alex (que virou Alex Dias alguns anos depois).

 

1999 – Remo 1×0 Paysandu

 

O meio-campo Ailton ficou conhecido como predestinado depois de marcar o gol do título carioca do Fluminense em 95 e do título brasileiro do Grêmio em 96. Em 99, ele estava no Remo. Dá pra adivinhar quem decidiu o caneco do Parazão naquele ano?

 

2001 – Paysandu 3×1 Remo

 

Em 2001, o Mangueirão estava em reformas e os Re-Pas foram disputados no Baenão e na Curuzu. Na série B daquele ano, o Paysandu não se fez de rogado ao jogar em casa, venceu e abriu caminho para o segundo título nacional.

 

2005 – Paysandu 0x0 Remo (4×3 nos pênaltis)

 

O Parazão de 2005 deve ter provocado trauma de pênaltis na torcida azulina. Nas cobranças de penalidades, o Leão perdeu os dois turnos e, consequentemente, o campeonato. O goleiro Ronaldo foi o grande herói da temporada.


Jogos inesquecíveis – Remo 4×1 Tocantinópolis (2005)

05/03/2009

Não adianta a sua mulher insistir: futebol não é sempre igual. O velho papo de “22 marmanjos atrás de uma bola” não cola. O jogo não deve ser analisado de uma forma tão objetiva e simplista. A graça do futebol está na surpresa que cada amontoado de 90 minutos te reserva: uma reviravolta no placar, uma chuva torrencial que você tomou, um lance bisonho, uma polêmica envolvendo arbitragem… Enfim, o fato de que nenhum jogo igual ao outro.

 

E é pelo fato de cada partida ser especial à sua maneira que Travinha lança esta série. Tá, o tema é meio batido. Mas em se tratando de futebol paraense, a blogosfera está mal servida de relatos desse tipo.

 

Começamos voltando ao dia 18 de setembro de 2005. O Remo estava no meio da luta para voltar à série B do campeonato brasileiro. Tinha acabado de passar com relativa tranqüilidade pela primeira fase, contra Abaeté (PA), São José (AP) e São Raimundo (RR). Enfrentava então, no primeiro mata-mata da Terceirona, o não menos modesto Tocantinópolis. No primeiro jogo, no interior de Tocantins, o Leão perdera por 2×0. Não restava outra opção que não fosse vencer por pelo menos três gols de diferença.

 

Nas arquibancadas do Mangueirão, mais de 40 mil torcedores. Era um dos grandes momentos do “Fenômeno Azul”, apelido dado à torcida azulina que acabou carregando o time rumo ao título. Essas pessoas acabaram passando por uma verdadeira provação, um teste absurdo para o coração.

 

No primeiro tempo, o Remo abriu o placar com um toque rasteiro do atacante Capitão, que fazia sua estréia. Depois de um bate rebate na área do Tocantinópolis, Emerson fez 2×0. Com esse placar, o jogo já iria para os pênaltis. Mas fazer o terceiro seria uma questão de tempo.

 

Seria. No início do segundo tempo, o Tocantinópolis diminuiu com Lairson. Tensão generalizada no Mangueirão. O Leão precisaria marcar mais dois gols para se classificar para o segundo mata-mata da série C. O risco da eliminação dentro de casa, diante de dezenas de milhares de torcedores, era real. Quando Emerson mandou na trave uma cobrança de pênalti, virou filme de terror. Era o pesadelo de mais uma temporada na Terceirona, enfrentando Bambalas e Arimatéias e afundado numa crise sem precedentes.

 

Mas sempre há um pingo de sorte que resta para momentos como este. Depois de um cruzamento de André Barata, o zagueiro Magrão (que tinha ido ao ataque fazer sabe-se lá o quê) deu um chute espirrado, torto e tosco. Só que no caminho havia a barriga de um zagueiro do Tocantinópolis, que desviou a pelota para o fundo das redes. 3×1. O Leão ainda seria eliminado com este placar, mas a euforia da torcida já superava a agonia.

 

No pacote “my lucky day”, o Remo ainda se deu bem quando o árbitro Marcelo Bispo marcou um pênalti meio duvidoso do goleiro do Tocantinópolis em cima do atacante Landu. Osny cobrou e fez o gol que colocou o clube na terceira fase da série C.

 

Até a confirmação do título, apenas na última rodada, o Remo ainda passaria por outras provações desse tipo. Mas este jogo em especial é, sem dúvida, o mais emocionante da campanha do título nacional do Leão.