O “tapa penales” de Lucas do Rio Verde

18/05/2009

ronaldo goleiro

O goleiro Ronaldo, que jogou no Paysandu entre 1998 e 2008, foi o herói da conquista do título mato-grossense pelo Luverdense, neste domingo. E assim como fez no Bicola várias vezes, ele se consagrou na decisão por pênaltis. A final foi contra o Araguaia, no estádio Bilinão, no município de Alto Araguaia. No tempo normal, foram muitas chances desperdiçadas pelos dois times. Inclusive por outro velho conhecido do torcedor paraense, o meio-campo Maico Gaúcho, que também está no Luverdense. O jogo terminou 0x0 e a decisão foi para os pênaltis. E aí brilhou a estrela de Ronaldo. Com os pés, ele defendeu a cobrança de Fabinho. Com a mão esquerda, impediu o gol de Newman. Leandro fechou a série: Luverdense 4, Araguaia 2. O resultado deu ao Luverdense o título estadual pela primeira vez.

Pelo Papão, Ronaldo se acostumou a ser decisivo nos pênaltis. Em 2005, na decisão do primeiro turno do Parazão contra o Remo, ele defendeu três cobranças. No segundo turno, ele se destacou de novo, defendendo o pênalti de Barata. E o Papão conquistou o título estadual por antecipação. Em 2006, o Remo foi a vítima de novo: mais uma cobrança defendida e taça garantida na final do primeiro turno. E na decisão do campeonato, contra o Ananindeua, pegou duas cobranças e levou o Papão ao bi.

Na série C, o Luverdense é um dos adversários do Paysandu na primeira fase. Será que Ronaldo “pega-penais” vai atravessar o caminho do Papão?


O dono da meia cancha

26/02/2009

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Na minha opinião, o volante Sandro foi o jogador mais regular da grande época do Paysandu. Titular absoluto durante quase cinco anos, fez mais que o papel do “carregador de piano” dos cabeças de área à moda antiga. Bom no desarme, no passe, nas cobranças de falta… E, acima de tudo, um líder.

 

Sandro saiu da Curuzu em 2005 rumo ao Grêmio. No imortal tricolor, virou capitão em pouco tempo. E foi um dos grandes destaques na campanha da volta à série A. Ano passado, foi contratado pelo Sport Recife e hoje disputa mais uma Libertadores (depois de 2003 pelo Paysandu e 2007 pelo Grêmio).

 

“Encomendei” ao amigo Tiago Medeiros (do excelente blog Futebol Nordestino) um texto sobre Sandro, agora Sandro Goiano. Antes de mandar o relato completo, Tiago adiantou algo que é suficiente para crer que o ex-camisa 8 do Papão continua jogando o fino.

 

“Ele esteve na reserva no ultimo jogo, mas sempre volta ao time titular, tem a confiança de Nelsinho e da torcida. Fez valer sua contratação. É respeitado pela torcida. Quando Nelsinho quer um time mais pegador, mais marcação, usa Andrade… quando quer mais qualidade no passe, saída de jogo, vai com Sandro.”


Inspiração ou coincidência?

23/02/2009

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Este é o escudo do Princesa do Sul Futebol Clube, do município de Floriano, no Piauí. Fundado em 1º de dezembro de 2001, foi o primeiro clube-empresa do futebol piauiense. Jogou a primeira divisão estadual em 2006, mas hoje está na segundona.

 

Com este layout nitidamente igual ao de um certo clube paraense, faço a enquete: inspiração ou coincidência?


Tostão em Belém no caminho do tri

19/02/2009

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O Pará nunca foi um estado frutífero de jogadores para a seleção brasileira. Os atletas paraenses que vestiram a amarelinha foram exceções que confirmam a regra. Suíço, Quarentinha, Charles Guerreiro, Giovanni, Sócrates (que só nasceu aqui e foi embora muito cedo)**… contam-se nos dedos. No entanto, a capital do estado fez parte da trajetória de um craque do escrete canarinho rumo ao tricampeonato mundial em 70. Apesar de ser uma participação quase irrelevante, é um causo curiosíssimo que hoje completa 39 anos.

No dia 20 de fevereiro de 1970, Belém foi a primeira parada em solo brasileiro no regresso de Tostão dos Estados Unidos. Ele havia feito uma série de exames médicos em Houston, nos Estados Unidos. Alguns meses antes, num jogo entre Cruzeiro e Corinthians no Pacaembu, o atacante cruzeirense tomou uma bolada no olho esquerdo depois de um chute do zagueiro corintiano Ditão. Tostão sangrou em campo. Tinha sofrido um descolamento de retina. O problema deixou a torcida brasileira tensa às vésperas da Copa do Mundo no México.

 

Na rota entre Houston e o Rio de Janeiro, onde se apresentaria à seleção, Tostão fez uma escala em Caracas e outra em Belém, onde passou exatos 55 minutos antes de embarcar rumo ao Galeão. O Boeing da Varig que o trazia da capital venezuelana pousou no aeroporto de Val de Cães às 2h45 da madrugada. A presença do craque não era uma surpresa, já que muitos jornalistas (inclusive do Ceará) foram cobrir a rápida passagem do artilheiro do Brasil nas eliminatórias da Copa. Segundo os relatos do jornal “A Província do Pará”, Tostão tratou o assédio com naturalidade e sem vaidade. Atendeu à imprensa e se deixou fotografar pelos fãs com muita simpatia.

 

Tostão fez questão de deixar bem claro que não havia motivo para apreensão sobre a possibilidade de ele ficar fora da Copa. Na bagagem, ele trazia os exames que comprovavam: a recuperação da lesão no olho era rápida. Por isso, o craque se disse surpreso com os boatos de que ficaria fora do Mundial. Ele prometia dedicação para recuperar as condições físicas, já que havia engordado seis quilos no tempo em que ficou sem jogar. “Regresso ao Brasil convicto de que estou totalmente recuperado da vista. Jamais me apresentaria à comissão técnica sem condições de integrar a seleção brasileira. Se agisse assim, estaria agindo contra mim mesmo”, disse. Depois de receber um exemplar do “Jornal dos Sports” de um repórter, Tostão embarcou às 3h45 e seguiu viagem rumo ao Rio de Janeiro. A rápida presença do craque em Belém ganhou páginas inteiras nos jornais locais.

 

Pouco tempo depois, houve uma mudança significativa na seleção: o técnico João Saldanha (que preferia Tostão a Pelé, a quem chamava de míope) foi demitido. A recuperação de Tostão convenceu o novo treinador, Zagallo. E o craque do Cruzeiro foi para o México, onde acabou sendo um dos grandes destaques do escrete tricampeão do mundo.

 

O problema na visão levou Tostão a encerrar a carreira precocemente, aos 26 anos, em 1973. Depois de abandonar o futebol, o craque se formou em medicina e sumiu dos holofotes. Só “reapareceu” nos anos 90, quando se tornou colunista de jornais e comentarista de emissoras de rádio e TV. Nesse meio tempo, o Pará não mandou para a seleção um grande craque como Tostão. A não ser em Boeings da Varig depois de uma rápida passagem pela capital. 

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** informação adicionada após o comentário do Hélio aí embaixo.


Campinense dispensa ex-jogador do Águia

19/02/2009

O atacante Peri, autor de dois gols pelo Águia de Marabá na série C, foi dispensado pelo Campinense da Paraíba. Ele fez algumas partidas pelo clube nordestino, mas não agradou ao técnico Freitas Nascimento.

 

Peri foi para o Campinense no meio de um verdadeiro pacote do Águia, junto com o lateral Gustavo e o meia Ciro. O atacante Felipe Mamão chegou a ser sondado, mas resolveu ficar no Azulão.

 

Uma fonte segura do amigo jornalista Leandro Santiago garante que Gustavo está perto de seguir o mesmo caminho de Peri. Seriam bons reforços para os clubes que disputam o Parazão?


Indonésia no tucupi

18/02/2009

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A Indonésia é conhecida por praias paradisíacas como as da ilha de Bali e por ter sofrido com desastres naturais como terremotos e tsunamis. No futebol, o país não tem tradição alguma. Quando participou de uma Copa do Mundo pela única vez, em 1938, ainda se chamava Índias Holandesas. O local parece improvável para um jogador brasileiro fazer sucesso. Mas o atacante paraense Beto conseguiu. Há dois anos na Indonésia, ele se tornou um dos estrangeiros mais bem sucedidos no futebol local.

 

 

Alberto Gonçalves da Costa nasceu em Belém e jogou em clubes como Remo, Tuna, Ananindeua e Vila Rica. Saiu do Pará rumo ao sul do país, onde jogou pelo Farroupilha-RS e pelo Marcílio Dias-SC. E foi em Santa Catarina que ele finalmente cedeu a uma proposta que já vinha sendo feita ao longo dos dois anos anteriores. “Um empresário carioca queria me levar para a Indonésia desde que me viu jogando pelo Remo. Mas os salários não valiam a pena. Só decidi aceitar quando a proposta se tornou irrecusável”, conta.

 

O destino foi o Persipura, da cidade de Jayapura, quase na fronteira com Papua Nova Guiné. Na chegada, Beto encontrou dificuldades para se comunicar. O técnico era búlgaro. Os jogadores eram indonésios ou africanos que não falavam português, à exceção de um brasileiro que havia sido liberado para passar férias em casa. Para driblar essa barreira, sobrou disciplina. “Ganhei um dicionário do idioma local. Quando eu voltava dos treinos, estudava três horas por dia”, esbanja Beto, que hoje se diz fluente na língua bahasa indonésia.

 

Falar como os nativos não foi o único problema que Beto teve de superar. O atacante precisou se adaptar ao fato de que a Indonésia não é um país sismologicamente seguro como o Brasil. “Já testemunhei sete terremotos. Mas todos foram leves. Num deles, como eu ainda não estava acostumado, saí do quarto do hotel só de cueca e desci para o saguão. Os funcionários me tranqüilizaram dizendo que o tremor ia passar rápido, mas ficaram rindo de mim”, conta. Beto também foi motivo de risadas quando experimentou, sem saber, alguns pratos exóticos. “Em duas festas locais, me serviram carne de cachorro e de morcego, tudo muito condimentado e apimentado”, lembra. Só que o que mais impressiona Beto até hoje é a presença do álcool no esporte. Por causa da cultura local, o consumo de bebidas é bastante tolerado em Jayapura, mesmo entre jovens atletas. Os estrangeiros precisam se acostumar e tentar entender. “Os caras levam conhaque para tomar no intervalo das partidas. Alguns só conseguem jogar depois de beber”, relata.

 

Mesmo com os contratempos, o atacante se deu bem. Em 2007, foi artilheiro da Copa da Indonésia, com 7 gols, e vice-artilheiro da liga local, com 21. O desempenho lhe rendeu o título de melhor brasileiro do campeonato. Na temporada de 2008/2009, o Persipura terminou o primeiro turno na liderança, com a ajuda de 8 gols do brasileiro. Com tanta bola na rede, Beto virou celebridade. “Sou muito assediado toda vez que saio na rua. Os torcedores pedem fotos e autógrafos em qualquer lugar”, diz. Mas um jogador brasileiro bem-sucedido no exterior não vive só de fama. Beto tem investido em imóveis o bom dinheiro que vem recebendo na Indonésia. Já reformou a casa dos pais em Belém e começou a construir um prédio de kit-nets. Aos 28 anos, é bem seguro ao falar sobre o futuro. “Não penso em voltar a jogar no Brasil. A carreira de jogador de futebol é muito curta e é preciso aproveitar bem as oportunidade para fazer um pé-de-meia”, desabafa.

 

*** Texto originalmente escrito para a revista Placar.


O novo Giovanni?

17/02/2009

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A comparação é prematura e perigosa, mas já é feita pela imprensa paulista. A bola da vez é Paulo Henrique Lima, autor de um golaço na vitória do Santos sobre o Guarani por 3×1 neste fim de semana. Não faltam motivos para a analogia: assim como o craque do Peixe no Brasileirão de 95, Paulo Henrique joga no meio-campo, tem um estilo criativo e… é paraense!

 

O menino de 19 anos nasceu em Ananindeua e começou no futsal. Pela Tuna Luso, entre 1998 e 2001, fez 70 jogos nas categorias pré-mirim, mirim e infantil. Marcou 209 gols. Média de 2,9 por partida. Mas sabe-se lá por que motivo não foi levado para os gramados pelos clubes paraenses. No futebol de campo, começou nas categorias de base do próprio Santos. Foi bicampeão paulista sub-20 em 2007 e 2008, já usando a mítica camisa 10.

 

No ano passado, subiu para o time profissional. Fez três jogos pelo campeonato paulista e outros três pelo brasileiro. Passou pelas mãos de dois treinadores: Leão e Cuca. Mas não agradou. Voltou para a base. “Cheguei a pedir para ser emprestado. Só que o Marcelo Teixeira (presidente do Santos) não deixou. Agradeço a Deus pela nova oportunidade”, diz Paulo Henrique.

 

A reestréia como profissional não poderia ser melhor. Ele fez o gol da vitória contra o Guarani, na Vila Belmiro. Mas não foi qualquer gol. Foi um chute preciso, colocado, no ângulo. E o mais importante de tudo: consciente, segundo o próprio jogador. “Eu tava trabalhando esse chute nos treinamentos, tanto com a perna esquerda como com a direita. Eu sabia que a bola ia morrer lá dentro, só esperei estufar a rede”, afirma, deixando a modéstia de lado.

 

As comparações com Giovanni deixam Paulo Henrique envaidecido, mas ele prefere não citar o conterrâneo como única referência. “Me espelho em muita gente, como o Kaká. Acho que tenho o estilo parecido com o do Rivaldo”. Por outro lado, sabe que um golaço como cartão de visitas não é tudo. Principalmente quando há um técnico novo na área, como é o caso de Vágner Mancini no Santos. “Sou muito jovem. Ainda estou procurando meu espaço”.

 

Não é só espaço que o paraense precisa procurar. Mas também um novo apelido. O meio-campo precisou adotar o sobrenome depois que o zagueiro Paulo Henrique foi contratado. Depois do jogo de domingo, foi cobrado por jornalistas para inventar outro jeito de ser chamado, para não parecer um funcionário de repartição. Relembrou de um apelido dado por um roupeiro do Santos e pediu para virar Henrique Ganso. Se o futebol do garoto pegar, a seleção brasileira pode virar em breve uma lagoa, onde cabem um Ganso e um Pato. Trocadilhos infames à parte, confiram o golaço do menino paraense: