Parazão no palanque

E eis que a pelota rolou e o jejum de futebol acabou. Já eram quase quatro meses sem que um clube paraense disputasse um joguinho oficial sequer. Intervalo ainda maior para alguns times em especial. O Remo, por exemplo, não assinava uma súmula desde o final de abril do ano passado. Mas agora tá todo mundo junto no mesmo aguaceiro: o Parazão 2010, que já começa com uma característica marcante: o envolvimento de dinheiro público. Das oito equipes participantes, cinco são patrocinadas por prefeituras. Além disso, o campeonato foi “comprado” pelo governo do Pará para ser transmitido para quase todo o estado pela TV Cultura e pagar aos clubes pelos justos direitos de imagem. Com esses “agrados” no bolso, os clubes pequenos podem até não ter montado esquadrões, mas conseguiram formar pequenas tropas de agentes do caos, dispostos a ferrar o oligopólio de Remo e Paysandu na galeria dos campeões estaduais (a dupla Re-Pa carimbou 85 das 97 taças colocadas a prêmio).

E quem achava que dinheiro de prefeito não bota bola na rede precisou rever os conceitos depois da primeira rodada, disputada neste domingo. O Paysandu, atual dono do caneco e favorito ao bi, roeu uma pupunha contra o Independente apesar de jogar em casa. Bancado pela prefeitura de Tucuruí (onde está instalada a segunda maior usina hidrelétrica do país), o time que ganhou a alcunha de Galo Elétrico botou quente. Comandado pelo técnico Samuel Cândido (campeão paraense pelo Remo em 2007), o Penoso segurou um primeiro tempo equilibrado e, quando o Bicola se mostrou cansado na volta do intervalo, nos fez acreditar que podia servir um Papão a la parrilla. O ex-pedreiro Ró abriu a contagem aos 23 minutos, para a alegria de algumas dezenas de tucuruienses que pegaram mais de 400 km até a capital. Tudo se encaminhava para um retumbante Curuzazzo em plena estreia quando, aos 44, o mito Zé Augusto foi puxado pela camisa dentro da área. Sandro Goiano, que reestreava pelo Paysandu depois de quase 5 anos longe, só deve ter olhado feio para os companheiros, bufado e encostado o indicador esquerdo na braçadeira de capitão. Ninguém teve coragem de tirar dele o gostinho de bater o pênalti que resultou no gol de empate. Menos de dois minutos depois, Sandro passou uma bola caramelada para o infante Moisés e não deu outra: caixa. Papão 2×1, livre por pouco de uma cacarejada em 220 volts.

Outro time de prefeitura que já se mostrou insolente logo no kick-off do campeonato foi o Cametá. Com o apoio do município que lhe batiza, o scratch se profissionalizou no ano passado e subiu rapidamente para a elite. Sob a batuta de Artur Oliveira (campeão estadual pelo Remo em 2008), o Cametá fez valer o mando de campo e degustou a rapadura do Águia (que tem na sua enorme lista de patrocinadores a prefeitura de Marabá). A vitória, assim como a do Paysandu, foi conseguida no finzinho do jogo. Jaílson abriu o placar para o Cametá. Jales empatou para o Águia. Aos 46 do segundo tempo, Aldivan quis brincar de handebol na grande área e o juiz apitou pênalti. Dudu bateu mal e precisou do rebote para estufar o filó e garantir os três primeiros pontos do time que alguns já apelidaram de Mapará Atômico.

Os outros clubes patrocinados pelas alcaldias interioranas são: o Ananindeua, que é da cidade do mesmo nome, e o São Raimundo, de Santarém, atual vice-campeão paraense e campeão brasileiro da série D. O caso do São Raimundo é diferente do que se imagina na relação entre futebol e política. Em vez de o clube pegar carona na grana municipal, foi a prefeitura que pegou carona no sucesso do Pantera. O time só foi receber patrocínio de Santarém depois da excelente temporada de 2009. Entre os clubes pequenos e médios, apenas o Santa Rosa não é patrocinado com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Para enfrentar as ameaças que vêm do interior, Remo e Paysandu estão apostando na repatriação de velhos ídolos. O Papão, como foi citado no segundo parágrafo, trouxe de volta Sandro Goiano, que saiu da Curuzu para entrar na calçada da fama do Grêmio. O Leão contratou dois meias: Gian, aquele que começou no Vasco e foi campeão mundial sub 20 com a seleção brasileira em 1993; e Vélber, que jogou no Remo, brilhou no Paysandu em 2003 e chegou a jogar no São Paulo. Dos dois, o Remo é quem tem mais obrigações no Parazão. Precisa de um bom resultado no estadual para garantir uma vaga na série D. Ficar fora da Quartona pelo segundo ano consecutivo e repetir a temporada de oito meses fazendo amistosos pelos confins da Amazônia não seria fácil.

A jornada de abertura do Parazão 2010 continua nesta segunda-feira com Remo x Ananindeua às 20h30 (horário de Belém) no Baenão. Na quarta-feira, o complemento com São Raimundo x Santa Rosa às 15h30 na Curuzu, já que o estádio de Santarém ainda não foi liberado.

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One Response to Parazão no palanque

  1. Harold Lisboa disse:

    Tu tambem fazia um tempo que n assinavas um post por aqui, pensei que tinhas abandonado este sitio,kkkk
    N sei pq mas acho que neste cameponato ,os grandes irao enfiar a mao nos NANICOS> ta na hora.

    Esses time de separatistas e de emprenhados nao merecem estar participando de campeonato algum.

    ve se aparece mais vezes, senao a relva fica maltratadda.

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