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Se Nelson Rodrigues tivesse nascido na segunda metade do século 20, não pensaria apenas no povo brasileiro para criar a expressão “complexo de vira-latas”. Poderia usar como inspirações os clubes paraenses e seus retrospectos vexatórios em jogos fora de casa. Quando um deles pisa no aeroporto de Val de Cães, parece que o embarque é rumo ao inferno. Os jogadores já se sentem derrotados, fala-se que o empate é considerado uma vitória e que a vitória é um resultado improvável. E não   importa se o time está nas cabeças ou brigando pra escapar da degola. Sempre vai tomar toco fora de casa. A história recente aponta apenas duas exceções: o Paysandu na Libertadores de 2003 (que venceu três dos quatro jogos que disputou fora do Brasil) e o Águia de Marabá nas duas últimas temporadas na série C.

 

O time do sudeste do estado não chega a ser um fenômeno como o Papão na competição sul-americana, mas tem um desempenho inegavelmente respeitável. Na terceirona deste ano, foram duas vitórias em dois jogos fora do Pará. A última no domingo passado: 2×0 sobre o Luverdense no interior de Mato Grosso. Os resultados engordam um palmarés que chega a causar inveja à dupla Re-Pa.

 

Somados os números da série C de 2008 e 2009, o Águia fez 18 jogos fora de casa. Venceu 7, empatou 2 e perdeu 9. Dos 54 pontos que disputou, conquistou 23. Apesar de ter perdido mais que vencido, o Azulão cravou um aproveitamento de pontos razoável: 42,59%. Com esse percentual, o time marabaense seria o sétimo colocado na série A do brasileirão.

 

O mais curioso é que mesmo os clubes paraenses que se deram bem em competições nacionais não tiveram um aproveitamento tão bom. O Paysandu, quando foi campeão brasileiro da série B em 2001, teve um desempenho pífio longe de Belém: não venceu nenhum dos 16 jogos que disputou. Empatou 12 e perdeu 4. Dos 48 pontos disputados, conquistou apenas 12, o equivalente a apenas 25%.

 

O técnico João Galvão diz que o segredo para este relativo sucesso do Águia é o fato de o time jogar sempre de forma ofensiva. E este ano, o Azulão conseguiu uma formação ofensiva melhor que a do ano passado. Felipe, machucado, e Aleílson, que foi para o Flamengo, deram lugar a Marcelo Maciel e Bruno Rangel. Os dois têm demonstrado um entrosamento perfeito e construído uma inabalável relação garçom-matador. Bruno é artilheiro da série C com 5 gols. Quatro deles tiveram assistência de Marcelo. Com uma dupla de ataque afinada, um time sem medo de jogar fora de casa e um campeonato com regulamento enxuto, o Águia pinta de fato como um candidato ao acesso à série B.

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