Não deu

belem 2014

Um dos bordões do Kiko, personagem do Chaves, pode se tornar uma das explicações mais absurdamente coerentes para explicar a ausência de Belém da lista de 12 cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. Afinal de contas, segundo o comitê que organizou a candidatura da capital paraense, tínhamos todas as condições: um estádio semi-pronto, um aeroporto (supostamente) adequado e bons planos de obras de infra-estrutura. Isso tudo além de um povo apaixonado por futebol, que faria com que os investimentos na reforma do Mangueirão não fossem à toa. O que faltou afinal?

Faltou articulação política local. Apesar do discurso de união entre governo e prefeitura, o estado e o município nunca trabalharam afinados. O sinal mais claro disso foi no dia do anúncio das cidades-sede, em que foram montados dois pontos de concentração de torcedores. Um pelo governo estadual na Praça da República e outro pela secretaria municipal de esporte na avenida Doca de Souza Franco. Resultado: festas esvaziadas, principalmente a da Doca.

Faltou explicar melhor o projeto da cidade. O único número que realmente ficou claro foi o valor da reforma do Mangueirão: pouco mais de 90 bilhões de dólares. No mais, o comitê organizador da candidatura de Belém se mostrou confuso numa salada de cifras. Num dia, o orçamento das obras de infra-estrutura estava na casa dos milhões. No outro, já tinha se tornado bilionário. Chegou-se a dizer que o custo total da repaginação da capital paraense superaria os 21 bilhões de reais, valor que supera o orçamento das Olimpíadas de Londres e, segundo um colega de trabalho, seria suficiente para construir postes de ouro e ruas de ladrilho espanhol em Belém.

Faltou a boa malandragem. Confiar na amizade com o presidente Lula já não tinha sido o suficiente para a governadora Ana Júlia Carepa se eleger em 2006. Que dirá para fazer de Belém uma das sedes da Copa. Era preciso um lobby permanente junto à Fifa, o “queixo” do governador amazonense Eduardo Braga (que falou em nome de todos os governadores brasileiros quando o Brasil foi anunciado como país-sede da Copa), a ajuda de pessoas que já vivenciaram uma Copa do Mundo… Belém fez nada mais que um arroz-com-feijão, quando deveria ter elaborado um belo banquete.

Agora só resta choramingar algumas migalhas, como a presença de alguma seleção numa pré-temporada ou concentração, em um amistoso preparatório. Ou ainda algum evento paralelo organizado pela própria Fifa, possibilidade admitida pelo presidente da entidade, Sepp Blater. Esta é não apenas uma derrota política, como também um nocaute no já combalido futebol paraense.

PS: Belém poderia brigar para sediar a Fifi Wild Cup, a Copa dos Excluídos.

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