Morre Neves, eterno ídolo do Remo

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** Publicada no Amazônia Jornal de hoje

Faleceu às 14h30 horas de ontem, no hospital Porto Dias, o ex-jogador e ídolo do Clube do Remo Fernando Jucá Neves, o ‘Nevasca’ ou simplesmente Neves. Neves, que sofria de diabetes, teve seu quadro agravado por complicações renais e não resistiu. O jogador ficou famoso pela versatilidade em campo – jogava tanto de ponta esquerda como de ponta direita -, habilidade com a bola nos pés e fama de boêmio que carregava pelos clubes por onde passou. O velório aconteceu na igreja Capuchinhos. Neves tinha 63 anos.

Apesar de ter se consagrado com a camisa azulina, Neves começou a jogar futebol na equipe juvenil do Paysandu. Esta equipe, aliás, contava com craques como freitas, Sálvio e Garrinchinha, e ficou famosa depois de conquistar o heptacampeonato da categoria no período de 1956-1962. Em 1964, o jogador transferiu-se para o Remo depois de um pedido muito especial. ‘Não é que o Neves não fosse remista, mas o pai dele, Seu Jucá, era azulino demais’, conta o jornalista Expedito Leal, que revela ainda o apelido do craque. ‘No exagero, chamávamos de ‘o Garrincha do Norte’’.

Depois de conquistar títulos com a camisa do Clube do Remo, o talento de Neves chamou a atenção de grandes clubes do futebol brasileiro e ele transferiu-se para o Botafogo-RJ, onde passou pouco tempo, já que, com o preço de seu passe muito alto, as duas diretorias não chegaram a um acordo. Neves teve ainda uma passagem pelo Fluminense-RJ. Neste período, fez amizades com jogadores e torcedores influentes do futebol carioca, inclusive com tricolores fanáticos. ‘Lá no Rio de Janeiro o Neves se deu muito bem. Logo fez amizades e curtia muito a vida boêmia da cidade. Um dos parceiros dele na noite era o cantor Chico Buarque, que também gostava de farra, mas não como o Neves’, conta Expedito.

Neves ainda passou por Fortaleza-CE, Operário-SC e Tuna Luso como jogador. Sua última temporada com profissional foi em 1974, com a camisa cruzmaltina. Em 1976, Neves candidatou-se ao cargo de vereador municipal. Foi eleito com status de vereador mais votado e exerceu um atípico mandato com seis anos de duração. Neste tempo, não fez nenhum pronunciamento na Câmara Municipal. ‘Na única vez em que pediu a palavra foi prontamente atendido pelo presidente da Casa, que anunciou à bancada que o Neves faria um pronunciamento. Percebendo um mal-entendido, ele se justificou: ‘Não quero falar, não. Só queria avisar que tem uma goteira em cima da minha mesa’’.

Durante velório, amigos falam com saudade do ex-atleta

O velório do corpo de Fernando Jucá Neves aconteceu na madrugada, na capela mortuária da Igreja dos Capuchinhos, em meio à emoção de familiares e amigos, incluindo ex-atletas do Remo e do Paysandu. Dessa capela sairá às 15 horas de hoje em direção ao Cemitério de Santa Izabel, no bairro do Guamá. Neves faleceu às 14h30 horas de ontem, na Clínica Porto Dias, onde estava internado em virtude de complicações provocadas pelo diabetes. ‘Assim como existem os imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), existem os imortais do futebol. O Neves é imortal. Ele apenas viajou, continua com os dribles dele’, afirmou Beto, ex-meio-campo do Paysandu, que chegou a atuar junto com ‘Nevasca’ na Seleção Paraense de Futebol, e contra Neves atuando com a número 11 do Clube do Remo.

Para o ex-lateral-esquerdo do Paysandu Zé Luquita (José Luís) o momento é de saudade. ‘Nós fomos amigos por 20 anos, e isso será para sempre. Eu joguei contra ele, eu pelo Paysandu e ele, pelo Remo. Mas, primeiro, nós fomos campeões profissionais pelo Paysandu, antes de ele ingressar no Remo. Ele sempre foi remista’. Para Lupercínio, também ponteiro-esquerdo, Neves ‘não foi apenas um grande jogador, foi um grande homem’. ‘Ele sempre foi uma pessoa alegre, mesmo nas situações difíceis. É uma grande perda para o futebol paraense e como pessoa, como amigo.’ Ex-jogador da Juventus (SP), João Caldas teve em Neves um grande amigo, por 40 anos. ‘Foi um amigo honesto e sincero, um excelente profissional e pai’, ressaltou. Também compareceram ao velório de Neves jogadores como Gereba, Paulinho e Wandick.

Os vereadores Carlos Augusto Barbosa e Pio Neto estiveram na capela mortuária, encontrando-se com familiares e amigos do ‘Nevasca’. A viúva de Neves, dona Lila, irmã do ex-vice-governador Hermínio Calvinho, e a filha Lívea foram consoladas pelo sobrinho Hermínio Calvinho Júnior, que informou ter nascido no dia 27 de março o neto de Neves, filho de Lívea. ‘Ele foi um jogador brilhante, tanto que foi considerado pela Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Pará (Aclep) como o ponteiro-esquerdo do Século 20’. O caixão de Neves está coberto com a bandeira do Clube do Remo.

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One Response to Morre Neves, eterno ídolo do Remo

  1. Haroldo disse:

    Neves era um bon vivant do Futebol Paraense, seis anos mamando na teta e muitas Historias da relva boemia, um “gente boa”
    Na relva nao lembro de grandes atuacoes ou brilhantismos dignos de primeira pagina.

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