Travinha de recesso

30/04/2009

Blogueiro tambem eh filho de Deus e, por isso, Travinha tomou a estrada e tirou uma semaninha de folga nas cercanias do feriado de primeiro de maio. Estou em Buenos Aires e, como voces podem perceber, o teclado daqui eh todo diferente. Tentarei, ao maximo, acompanhar via internet alguma coisa da reta final do Parazao  dar alguns relatos do futebol portenho. Hoje, por exemplo, tem Boca Juniors x Deportivo Tachira em La Bombonera. Saludos!


As 8 mancadas decisivas para o fracasso do Remo

27/04/2009

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1) “Em duas semanas nós conseguiremos formar um time competitivo”. Foi o que disse o presidente do Remo, Amaro Klautau, logo depois de ser eleito em dezembro. Ele dizia que não faria nenhuma contratação enquanto não fosse empossado, no dia 5 de janeiro, 13 dias antes da estréia no campeonato paraense. O cartola acabou revendo a própria decisão e começou a montar o time em dezembro. Não conseguiu evitar um début humilhante: 5×1 para o São Raimundo em pleno Baenão.

 

2) Na política de contratações, nada mudou com a nova gestão azulina. A primeira leva de reforços veio a rodo, por indicação do técnico Flávio Campos. Foram sete novidades, sendo que algumas nem demoraram a deixar o Baenão. O meio-campo Franklin e o atacante Bruno Andrade foram embora ainda no primeiro turno do campeonato estadual. Ninguém notou.

 

3) Anunciar os reforços antes da hora. Ou, em outras palavras: contar com o ovo na cloaca da galinha (para usar uma expressão menos chula). No dia da primeira apresentação dos novos contratados, Amaro Klautau bradou veementemente que já estava tudo certo com o meio-campo Maico Gaúcho, ídolo do clube em 2006. O jogador acabou não vindo porque o Remo não aceitou pagar 75 mil reais de multa rescisória ao Luverdense (MT), clube com o qual Maico tinha vínculo. A mesma coisa aconteceu com o meio-campo Alexandre, do Avenida (RS). Em ambos os casos, os dirigentes dos dois clubes esbravejaram contra a diretoria do Remo na imprensa.

 

4) A insistência em contratar atacantes. Na mesma semana, por exemplo, chegaram Bebeto, Helinho e Edinho. O Leão chegou a ter sete jogadores para esta posição. Nem todos emplacaram. Por Bebeto, o clube pagou caro (75 mil reais por três meses de contrato) e teve pouco retorno: apenas um gol. Edinho, que ia bem nos treinos, foi dispensado depois de cobrar uma oportunidade no time de forma mais incisiva. Helinho demorou, mas acabou sendo o jogador que melhor funcionou lá na frente. Marcou sete gols no campeonato paraense e foi o artilheiro remista na competição.

 

5) A história surreal do meio-campo Claudinho, que chegou para ser o dono da camisa 10, mas não fez um jogo sequer como titular. Primeiro, por causa da demora na regularização. Como Claudinho jogava na Austrália, a transferência internacional levou três semanas para ser concretizada. Depois que tudo foi resolvido, o jogador foi relacionado poucas vezes, entrou em campo em apenas uma partida e não empolgou. “Um jogador mediano”, definiu um radialista setorizado no Remo, pegando leve com o Claudinho.

 

6) As circunstâncias da demissão do técnico Flávio Campos mostraram uma falta de sintonia dentro da cartolagem do Remo. Depois da derrota para o São Raimundo na semifinal do primeiro turno, o presidente Amaro Klautau disse que Flávio estava prestigiado e continuaria no cargo. Mas duas rodadas depois, ele nem precisou perder para cair fora. Depois da vitória de 2×1 sobre o Time Negra, a diretoria iniciou um processo de fritura que durou 24 horas. Só esperou a derrota do Castanhal para o Paysandu no dia seguinte, para que Artur Oliveira (então técnico do Japiim) fosse anunciado como novo comandante do Remo. Ninguém da diretoria assume, mas especula-se que a demissão de Flávio Campos estava sendo tramada há mais tempo e que Válter Lima, do São Raimundo, tinha a preferência de alguns cartolas.

 

7) Os erros de bastidores continuaram acontecendo. O mais notável deles foi no dia da viagem para Barras, no Piauí, para o jogo pela Copa do Brasil. Cinco integrantes da delegação (entre eles o técnico Flávio Campos e o meio-campo Toninho) não conseguiram embarcar por causa de erro na grafia dos nomes relacionados para viajar. A situação foi mostrada de forma bem embaraçosa na imprensa.

 

8) Artur Oliveira tem identificação com o Remo, é um excelente motivador, mas pecou por algumas invencionices táticas. Usar o zagueiro San ou o volante Ramon na lateral-direita e o volante Marlon como lateral-esquerdo foram aventuras não muito bem sucedidas. Atitudes que se tornaram necessárias pelo fato de o Remo não ter um elenco muito bom. Nas laterais, por exemplo, havia apenas um especialista para cada posição e mais alguns improvisados em potencial. Complicado…

 

Se você tem alguma outra teoria para o que aconteceu com o Remo, que vai ficar sem disputar competições oficiais até janeiro do ano que vem, esteja à vontade para comentar aí embaixo.


Muita onda por nada

24/04/2009

Durou menos de 24 horas o estardalhaço do departamento jurídico do Remo, que tentava trazer a final do segundo turno do Parazão de Santarém para Belém. O advogado Rubens Leão resolveu desistir do recurso que pedia a mudança do local do jogo, depois da punição do São Raimundo com a perda do mando de campo em uma partida. Assim, Leão e Pantera duelam mesmo no Colosso do Tapajós neste domingo por uma vaga na decisão do campeonato estadual, uma na série D do campeonato brasileiro deste ano e outra na Copa do Brasil do ano que vem.

 

Este cenário parecia improvável até ontem, depois do julgamento do clube santareno no Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paraense de Futebol. O São Raimundo foi punido por causa dos objetos atirados por torcedores em direção ao gramado no jogo contra o Paysandu no dia 28 de março. A sentença foi o pagamento de uma multa de 10 mil reais e a perda de mando de campo, com cumprimento imediato. Aí surgiu um problema de interpretação. O regulamento do campeonato fala que são necessários cinco dias úteis para a aplicação de uma punição como a do São Raimundo. O Remo queria que o tal “cumprimento” imediato já valesse no jogo de domingo e anunciou que entraria com um recurso pedindo a transferência da partida para Belém. Teve até bate-boca com a diretoria do Pantera, que estava revoltada com a possibilidade de marmelada.

 

A desistência do jurídico do Remo acabou facilitando as coisas e mostrando que o Leão fez muito barulho por nada. E assim, a justiça é feita: o São Raimundo faz valer os méritos e joga a decisão em casa, precisando apenas de um empate. Se servir de consolo, o Remo venceu cinco dos seis jogos que já fez no Colosso do Tapajós. Domingo, às 16h, vamos ver qual retrospecto fala mais alto.


Adeus, Águia

23/04/2009

Águia, sonho, voar, surpresa, obstinação… É meio difícil comentar o desempenho do Águia de Marabá sem usar algumas dessas palavras. E logo vem à cabeça a infame canção “Sonho de Ícaro”, do Byafra, que conta a famosa lenda grega do jeito mais psicodélico e esquisito.

 

Pois bem. O Águia tinha um sonho audaz feito um balão: eliminar o Fluminense da Copa do Brasil. Bastava um empate para isso, mas o Azulão jogou como se precisasse vencer. Atacou bastante no primeiro tempo. Só foi prejudicado pela falta de pontaria e por um impedimento mal marcado aos 40 minutos. Lá atrás, o goleiro Ângelo conseguiu defender alguns bons ataques do Flu e se tornou o grande nome da primeira metade do jogo.

 

Mas dentro do bombom, havia um licor a mais. E no banco de reservas do Fluminense, havia Maicon. O garoto de 19 anos marcou dois gols e deu o passe para mais um. Foi figura fundamental na vitória tricolor por 3×0 e transformou o Águia em anjos de gás e asas de ilusão

 

Pretensões desfeitas na Copa do Brasil, o Águia de Marabá agora volta atenções para o campeonato brasileiro da série C, que começa daqui a pouco mais de um mês. O Azulão joga a primeira fase ao lado de Paysandu, Rio Branco, Luverdense e Sampaio Corrêa e é forte candidato a uma das duas vagas na segunda fase.


Morre Neves, eterno ídolo do Remo

23/04/2009

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** Publicada no Amazônia Jornal de hoje

Faleceu às 14h30 horas de ontem, no hospital Porto Dias, o ex-jogador e ídolo do Clube do Remo Fernando Jucá Neves, o ‘Nevasca’ ou simplesmente Neves. Neves, que sofria de diabetes, teve seu quadro agravado por complicações renais e não resistiu. O jogador ficou famoso pela versatilidade em campo – jogava tanto de ponta esquerda como de ponta direita -, habilidade com a bola nos pés e fama de boêmio que carregava pelos clubes por onde passou. O velório aconteceu na igreja Capuchinhos. Neves tinha 63 anos.

Apesar de ter se consagrado com a camisa azulina, Neves começou a jogar futebol na equipe juvenil do Paysandu. Esta equipe, aliás, contava com craques como freitas, Sálvio e Garrinchinha, e ficou famosa depois de conquistar o heptacampeonato da categoria no período de 1956-1962. Em 1964, o jogador transferiu-se para o Remo depois de um pedido muito especial. ‘Não é que o Neves não fosse remista, mas o pai dele, Seu Jucá, era azulino demais’, conta o jornalista Expedito Leal, que revela ainda o apelido do craque. ‘No exagero, chamávamos de ‘o Garrincha do Norte’’.

Depois de conquistar títulos com a camisa do Clube do Remo, o talento de Neves chamou a atenção de grandes clubes do futebol brasileiro e ele transferiu-se para o Botafogo-RJ, onde passou pouco tempo, já que, com o preço de seu passe muito alto, as duas diretorias não chegaram a um acordo. Neves teve ainda uma passagem pelo Fluminense-RJ. Neste período, fez amizades com jogadores e torcedores influentes do futebol carioca, inclusive com tricolores fanáticos. ‘Lá no Rio de Janeiro o Neves se deu muito bem. Logo fez amizades e curtia muito a vida boêmia da cidade. Um dos parceiros dele na noite era o cantor Chico Buarque, que também gostava de farra, mas não como o Neves’, conta Expedito.

Neves ainda passou por Fortaleza-CE, Operário-SC e Tuna Luso como jogador. Sua última temporada com profissional foi em 1974, com a camisa cruzmaltina. Em 1976, Neves candidatou-se ao cargo de vereador municipal. Foi eleito com status de vereador mais votado e exerceu um atípico mandato com seis anos de duração. Neste tempo, não fez nenhum pronunciamento na Câmara Municipal. ‘Na única vez em que pediu a palavra foi prontamente atendido pelo presidente da Casa, que anunciou à bancada que o Neves faria um pronunciamento. Percebendo um mal-entendido, ele se justificou: ‘Não quero falar, não. Só queria avisar que tem uma goteira em cima da minha mesa’’.

Durante velório, amigos falam com saudade do ex-atleta

O velório do corpo de Fernando Jucá Neves aconteceu na madrugada, na capela mortuária da Igreja dos Capuchinhos, em meio à emoção de familiares e amigos, incluindo ex-atletas do Remo e do Paysandu. Dessa capela sairá às 15 horas de hoje em direção ao Cemitério de Santa Izabel, no bairro do Guamá. Neves faleceu às 14h30 horas de ontem, na Clínica Porto Dias, onde estava internado em virtude de complicações provocadas pelo diabetes. ‘Assim como existem os imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), existem os imortais do futebol. O Neves é imortal. Ele apenas viajou, continua com os dribles dele’, afirmou Beto, ex-meio-campo do Paysandu, que chegou a atuar junto com ‘Nevasca’ na Seleção Paraense de Futebol, e contra Neves atuando com a número 11 do Clube do Remo.

Para o ex-lateral-esquerdo do Paysandu Zé Luquita (José Luís) o momento é de saudade. ‘Nós fomos amigos por 20 anos, e isso será para sempre. Eu joguei contra ele, eu pelo Paysandu e ele, pelo Remo. Mas, primeiro, nós fomos campeões profissionais pelo Paysandu, antes de ele ingressar no Remo. Ele sempre foi remista’. Para Lupercínio, também ponteiro-esquerdo, Neves ‘não foi apenas um grande jogador, foi um grande homem’. ‘Ele sempre foi uma pessoa alegre, mesmo nas situações difíceis. É uma grande perda para o futebol paraense e como pessoa, como amigo.’ Ex-jogador da Juventus (SP), João Caldas teve em Neves um grande amigo, por 40 anos. ‘Foi um amigo honesto e sincero, um excelente profissional e pai’, ressaltou. Também compareceram ao velório de Neves jogadores como Gereba, Paulinho e Wandick.

Os vereadores Carlos Augusto Barbosa e Pio Neto estiveram na capela mortuária, encontrando-se com familiares e amigos do ‘Nevasca’. A viúva de Neves, dona Lila, irmã do ex-vice-governador Hermínio Calvinho, e a filha Lívea foram consoladas pelo sobrinho Hermínio Calvinho Júnior, que informou ter nascido no dia 27 de março o neto de Neves, filho de Lívea. ‘Ele foi um jogador brilhante, tanto que foi considerado pela Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Pará (Aclep) como o ponteiro-esquerdo do Século 20’. O caixão de Neves está coberto com a bandeira do Clube do Remo.


Pelo fio da navalha

20/04/2009

A sobrevida que o Remo ganhou após a vitória no Re-Pa parece estar chegando ao fim. O empate em 1×1 com o São Raimundo no Mangueirão mostrou que o caminho do Leão para salvar a temporada de 2009 não deixou de ser complicado. O time criou pouco, foi quase inofensivo nas chances de gol e se deixou envolver pela melhor qualidade do Pantera. A garra que sobrou na vitória sobre o Paysandu fez falta.

 

O São Raimundo impressionou com um toque de bola mais refinado e jogadas mais objetivas. Garrinchinha e Michel, dois dos jogadores mais habilidosos do Parazão, foram os melhores em campo. Michel, inclusive, foi o protagonista da tarde. Marcou o primeiro gol do jogo, num belo chute de fora da área, e perdeu uma chance absurda de marcar aos 48 minutos do segundo tempo. Recebeu um belo lançamento de letra de Kolte e ficou cara a cara com o goleiro Adriano. Mas se atrapalhou na hora de chutar. Foi o último lance da partida e, depois do apito final, o meio-campo do Pantera caiu desesperado no gramado e foi consolado pelos colegas de clube.

 

Agora, se quiser ser campeão do segundo turno e participar da série D do campeonato brasileiro, o Remo terá que vencer o jogo de volta no domingo que vem em Santarém. Resultado que ainda não conseguiu nesta temporada, mesmo jogando em casa. Foram quatro jogos, com uma vitória do São Raimundo (5×1 no Baenão) e três empates. Não é um tabu irrelevante, mas um fato que obriga o Leão a acender o sinal amarelo.


Pressão máxima

18/04/2009

Um jogo entre Remo e São Raimundo nunca valeu tanto como o deste domingo no Mangueirão. As duas equipes disputam o título do segundo turno do Parazão, uma vaga na decisão do campeonato estadual e outra na série D do Brasileiro. Para o Leão, uma possível derrota vai ter consequências desastrosas. A principal delas é ficar sem calendário no restante do ano.

 

Mas a pressão não está apenas em cima dos remistas. O São Raimundo também sofre com as cobranças da torcida, que empurrou o time no segundo turno em Santarém, e também da imprensa, que fica de olho em qualquer possibilidade de pipocada de um clube do interior. E a marcação é ainda mais cerrada porque o Pantera tem jogado um futebol eficiente e revelado excelentes jogadores, como o meio-campo Michel.

 

Como tem a melhor campanha no segundo turno, os santarenos jogam por dois empates. O Remo precisa vencer pelo menos um dos dois jogos (o outro é no domingo que vem, dia 26, em Santarém) para levantar a taça. Amanhã à noite a gente volta a conversar.