O misterioso caso de Andrey Benjó

img_0723

Em 1996, o cenário do futebol paraense estava assim: o Paysandu tinha acabado de ser rebaixado para a Segundona depois de quatro anos na série A do campeonato brasileiro e já entrava na quarta temporada sem ganhar um jogo sequer contra o Remo. O Leão, tricampeão estadual, passara por um de seus maiores vexames recentes: a eliminação na Copa do Brasil com o histórico gol contra de Castor. Mas avançava no Parazão com relativa tranqüilidade, tendo inclusive emplacado uma goleada de 4×0 num Re-Pa.

Só que a aparente normalidade foi quebrada por um caso que não teve semelhante nos treze anos seguintes. No dia 12 de junho de 96, o Remo perdeu um de seus grandes candidatos a revelação da época. O atacante Andrey Benjó, de apenas 21 anos, morreu com um tiro na cabeça em circunstâncias que permaneceram inexplicadas até hoje. A tragédia foi possivelmente a última história que ultrapassou os noticiários esportivos para ganhar as páginas policiais no Pará.

img_0725

Andrey era cria das divisões de base do Leão. Aos 19 anos, durante o campeonato brasileiro da série B de 95, teve a primeira oportunidade no time profissional. Jogou duas partidas contra o Moto Clube e ajudou a livrar o Remo do rebaixamento para a série C. Acabou sofrendo do “mal de ser jogador paraense” e perdeu espaço depois da contratação de uma carrada de jogadores do Santos que se tornaram titulares naquela campanha. Só voltou ao elenco principal no início de 96, com o treinador Luizinho Lemos.

Nessa nova chance, Andrey chamou a atenção não apenas pela velocidade e pela habilidade. Era também irreverente ao ponto de ultrapassar os limites da noção. Costumava lançar desafios incomuns aos colegas como degustar insetos e quebrar cocos na cabeça. Brincadeiras à parte, estava sempre entre os relacionados para os jogos do Remo no campeonato paraense e na Copa do Brasil. O último foi no dia 9 de junho de 96. Andrey entrou no segundo tempo contra o Pinheirense e pouco ajudou na goleada de 4×0 do Leão. Apesar da atuação ruim, o garoto estava cotado para ser titular no jogo seguinte, contra o Vila Rica. Substituiria Ageu, que tinha levado o terceiro cartão amarelo. Já tinha dito ao técnico Valdemar Carabina: “professor, eu vou lhe dar uma boa dor de cabeça porque eu vou arrebentar nesse jogo de domingo”.

Só que três dias depois, a tragédia aconteceu. Andrey estava bebendo cerveja perto de casa com o volante Cléberton, vizinho no bairro da Cidade Nova e colega de Clube do Remo. Por volta das 2 da manhã, um vigilante passou por perto dizendo que tinha sido assaltado. Cléberton se prontificou a ajudá-lo: foi buscar um revólver Taurus calibre 32 e dez balas que comprara de um desconhecido no Baenão alguns dias antes. Mostrou a arma a Andrey e à namorada, mas mudou de idéia e decidiu não emprestá-la ao vigia. Andrey, então, pediu a arma dizendo que iria experimentá-la. Surpreendentemente, apontou-a contra a própria cabeça e puxou o gatilho. Uma bala estava no tambor. Foi o suficiente.

O atacante deu entrada no Hospital Belém ainda de madrugada. Às 17h20, teve a morte cerebral constatada. As funções cardiorrespiratórias de Andrey pararam definitivamente às 21h30. O desastre estava consumado.

img_0738

Enquanto Andrey era sepultado, Cléberton era apontado como responsável pela morte do amigo. Chegou a ser chamado de assassino, já que ninguém acreditava que o jogador brincalhão pudesse cometer suicídio ou uma brincadeira de mau gosto contra a própria vida. A polícia investigou o caso durante longas semanas e encontrou uma série de contradições na história contada pelo volante remista. A mão de Andrey não tinha vestígios de pólvora, o revólver de onde partiu o tiro sumiu e reapareceu, e pessoas que conheciam a vítima disseram que o atacante tinha medo de armas de fogo. Além do mais, logo após o baleamento, Cléberton teria dito uma frase que foi considerada um indício contra ele: “Eu matei meu irmão”. Quanto mais se fuçava, mais dúvidas surgiam. O caso acabou sem que se chegasse a uma conclusão precisa. E Cléberton não foi incriminado.

Apesar da tragédia e da comoção, o Remo ficou devendo uma homenagem decente para o jovem talento que morreu. No jogo contra o Vila Rica, quatro dias depois da morte, o Leão entraria em campo com dez jogadores e o décimo-primeiro entraria apenas cinco minutos depois. Repetiria-se, assim, o que o clube fez para lembrar o atacante Luizinho das Arábias, morto em 1989. Mas os jogadores remistas só entraram em campo com uma discreta fita preta na camisa. E ficou por isso mesmo: não demorou para o caso Andrey acabar esquecido pelo Remo, pelos torcedores e pela polícia. Hoje, a história representa uma dor profunda para família e nada mais que uma lembrança mórbida para os fãs de futebol.

Anúncios

13 Responses to O misterioso caso de Andrey Benjó

  1. Haroldo disse:

    Nao tive conhecimento do caso, mas uma coisa me chamou a atencao, e o tal do Cleberton?? que fim levou??? pq poucos se interessaram el levar a frente as investig.??? um caso realmente cheios de misterios.

  2. Paulinho disse:

    Cara, na época eu era muleque, mas lembro dos comentários q rolavam lá pela cidade nova d que foi o cléberton ralmente quem o matou. Meu pai jogava pelada com o cléberton, num time da cidade nova e todo mundo confirmou q foi ele o assassino, e já que o depoimento dele foi tão contraditório, pq ñ foi preso e q fim levou o caso????

    • leonardoaquino disse:

      Paulinho, o caso foi arquivado. A polícia provavelmente não encontrou provas suficientes para incriminar o Cléberton. E uma correção: ele tá no São Raimundo, e não no Ananindeua. Valeu!

    • Tereza Melo disse:

      Oi Paulinho,

      Infelizmente o ACUSADO foi inocentado pela justiça.
      Mas para um maior esclarecimento, o Andrey era canhoto e o tiro foi dado no lado direito da cabeça.. IRONIA NÉH.. pois é.. Outra coisa mais irônica ainda é saber que nada relativamente ligado a pólvora foi encontrado nas mãos do Andrey.. Mas enfim como disse abaixo em outro comentário..
      Tenho muita coisa a falar… mas infelizmente nada trará o Andrey de volta.
      Abraços e Obrigado pela dada importância a este caso.
      Tereza Melo ( Namorada do Andrey )

  3. luiz fernando disse:

    OLÁ!é já se passaram exatamente 13 anos,treze inesqueciveis anos assim posso me expressar pois éramos bons amigos melhores amigos um do outro posso falar assim,lembro quando o ANDREY ia assistir aos meus jogos pelo coqueiro e quando eu fazia gols de cabeça ele era o que mais vibrava e falava (vou cabecear como voçê mano!)ficou uma profunda tristeza pois os dois eram meus amigos até hoje não entendo como ele faria algo que colocasse sua vida em jogo estava em uma ótima fase mas isso só ele podera falar mas como não esta más com nós e só o que posso sentir é sua falta!fique com DEUS MANO SEI QUE ESTAS COM ELE!!!!

    • Tereza Melo disse:

      Olá..
      Bem não cheguei a lhe conhecer, mas caso tenho conhecido não me recordo.
      Enfim, se você realmente SE JULGA SER AMIGO DO ANDREY, deveria ter maior convicção em afirmar que ele realmente agiu contra sua própria vida.
      O Andrey valorizava muito a sua vida, é de origem humilde, passou inúmeras dificuldades na sua vida, mas estava superando tudo e estava conseguindo chegar aonde almejava, mas por uma infelicidade do destino (se assim devo me referir) fora tirado sua vida.
      Por maldade? Por inveja? Propositalmente?
      ACHO QUE NÃO.
      MAS É VERGONHOSO ALGUÉM JULGAR E CONDENAR UMA PESSOA QUE NÃO SE ENCONTRA ENTRE OS VIVOS P/ SE DEFENDER.
      O acusado pode até ter se livrado da justiça dos homens, mas a de Deus ele está pagando aos poucos.
      Desculpa as palavras, mas sinto-me indignada com determinadas coisas que as pessoas continuam à afirmar sobre o ocorrido.
      Tereza Melo

  4. Gil Porto disse:

    Olá pessoal. Vocês sabem em qual equipe está jogando Cléberton?
    Um abraço

  5. david disse:

    não acredito que o colega faria isso com ele se fez uma numa hora de brincadeira.

  6. jeanne cadete rodrigues disse:

    Caro amigos, como podem afirmar coisas com tal precisão? fui amiga dos 2,e amiga pessoal do andrey. eu não tenho medo de vcs. moro bem na frente da casa do clebertong, sou amiga de infancia dos dois e sei o quanto eram amigos e o quanto clebertong nunca teria coragem de cometer um crime como aquele… vcs julgam sem saber! pessoas perigosas no mundo vivem livres e vcs baixam as suas cabeças quanto á isso.Falar dos outros é fácil! difícil é vc se manter firme e forte com os pés no chão sendo julgado por um crime sem provas, vcs estão mais do que por fora! clebertong graças ao nosso bom e justo DEUS foi absolvido. Talvez tenha sido a luz do espirito do andrey q tenha iluminado a mente dakeles que poderiam ter condenado uma pessoa sabe DEUS á quantos anos de prisão, por um ato que sabemos que cleberto jamais cometeria ,sendo que todos sabemos o quanto eram amigos…. clebertong vive até hj com o fato na lembrança, pq pessoas que antes o bajulavam qd ainda era um jogador, pode-se dzr “bem sucedido” em relação aos tempos de hj, viraram a cara o ocorreu o fato.Pessoas que vieram sei lá de onde, chegaram aki sem saber de nada e ja fzd o comentário sem nem saberem direito o que se passava…eu sou uma das provas vivas que clebertong durante anos e anos chorou e ainda chora pela fatal perda do grande amigo andrey…. andrey vive presente na memória e nos corações dakeles que o amavam e o respeitavam, assim como admiravam seu trabalho, seu sorriso, sua amizade e suas lágrimas qd falava nas pessoas que amavam ele de verdade.fui e sou amiga íntima da namorada dele terezinha “teté” foi eu que os apresentou e lhes deu forças para ficarem juntos! estive com eles dosi minutos antes do acontecimento…como disseantes, moro bem na frente da casa do clebertong, casa onde andrey chamava akela famíla como a sua segunda familia… pra vcs terem uma idéia eu tenho um sobrinho “meio filho” JUAN que eu cuidava na época e tinha 2 anos + ou- e que o andrey era completamente apaixonado por ele.. ” ele o chamava de “meu bebê”(lagrimei). resumindo… vcs não sabem de absolutamente nada! clebertong é 100% inocente! e ANDREY ONDE QUER QUE ELE ESTEJA ELE SABE DISSO E ESTÁ JUNTO COM O IRMÃO DELE “CONSIDERAVELMENTE CLEBERTONG” ANDREY… NÓS, SEUS GRANDES AMIGOS LEMBRAMOS COM VC COM SAUDADE E COM BOAS LEMBRAÇAS E COM VC NO CORAÇÃO” “AMIGA JEANNE CADÊTE A ETERNA CURIKINHA E AMIGONA”

    • Leo Aquino disse:

      Jeanne, posso responder por mim enquanto autor do post. Não estou afirmando nada por minha própria conta. Toda a informação que está no texto foi colhida de jornais da época da morte do Andrey. Inclusive de matérias que citam relatos do Cléberton. Além disso, tudo está no condicional: “teria dito”, “teria feito”, etc… De qualquer maneira, independente da circunstância, é uma pena que o Andrey tenha partido tão cedo. Uma triste perda para o futebol paraense e, acima de tudo, para a família e os amigos.

  7. Tereza Melo disse:

    Olá.. td bem?
    Bem eu sou a “Terezinha” citada acima em algum comentário..
    Fico feliz em saber que o Dedey até hoje é lembrado, mas sinto-me totalmente frustrada em saber que algumas pessoas ainda ACREDITAM QUE O ANDREY TENHA COMETIDO ESTE ATO DE SE MATAR!! Pelo amor de Deus gente, vamos acordar para a vida e vermos a realidade da situação, namorei com o Andrey mais de um ano, convivia com ele e o conhecia melhor de que muitas pessoas que julgam e falam asneiras por ai.
    Infelizmente vivemos num País de impunidades, no qual justiça não tem valor nenhum. E deixo dito e afirmado que o ANDREY NUNCA SE MATOU, mataram o Andrey…
    Agora dia 12/06/2010 serão 14 anos sem ele, mas para mim é uma dor que não acaba, é um amor que jamais deixará de existir… ele se foi levando uma metade de mim com ele…DOR IRREPARÁVEL.. LUTO ETERNO!!
    Amor verdadeiro não é aquele que dura até a morte, mas que existirá para todo sempre.
    E se desejarem mais informações e afirmações tenho muitas e para mim será uma honra esclarecer qualquer dúvida existentes para amigos verdadeiros, fãs e curiosos.
    Deixo meu email tekaadm@bol.com.br
    Obrigado à todos que postaram neste site, estou imensamente feliz mesmo por até hoje o Andrey ainda é lembrado!!!
    Abraços… Tereza Melo

    • André Pereira disse:

      Boa noite Tereza, sou torcedor do clube do Remo e me lembro do ocorrido na época, este ano fez 20 anos sem Andrey que com certeza seria um grande profissional, hoje em dia moro no Maranhão mas nunca esqueci do ocorrido, sou amante do futebol e sei que aquele muleke seria um craque.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: