Marcações alternativas – versão paraense

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Há prazeres futebolísticos que só algumas competições podem proporcionar pra você. E geralmente são as copas: Copa do Brasil, Copa da UEFA, Copa Conmebol… Todas elas guardam em seus históricos alguns confrontos de extremo deleite para os amantes do chamado “futebol alternativo”. Ou seja, de clubes obscuros, jogadores de nomes bizarros ou as chamadas “feras meia-boca”, como definiu o jornalista Carneiro Neto. Pois bem, é quase só em torneios como este que as zebras acontecem, times recheados de estrelas tropeçam em equipes da 4ª divisão e marcadores toscos anulam astros internacionais.

 

O espírito deste prazer é resumido em uma comunidade do Orkut chamada “Amaral marcando Zidane”, que faz menção a um jogo entre Fiorentina x Juventus. O cabeça de área caolho (que jogava na Fiorentina) realmente jogou com a missão de anular o craque francês (que estava na Juve). E o momento ficou eternamente marcado.

 

O futebol paraense também é uma frutífera fonte de encontros surreais dentro de campo. E Travinha ajuda você a relembrar alguns:

 

Alex Rava marcando Keirrisson (Coritiba 6×0 Tuna – 27/02/2008)

Hoje, Keirrisson é K-9, é o goleador do Brasil, é o projeto de marketing futebolístico mais ambicioso do país depois de Ronaldo, é candidato à seleção brasileira. Mas no início do ano passado, ainda não tinha toda essa projeção. Com ele em campo, o Coritiba cruzou o caminho da Tuna na primeira fase da Copa do Brasil. No jogo de ida, em Belém, 0x0. Na volta, no Couto Pereira, o jovem zagueiro Alex Rava não segurou a velocidade do atacante. Tomou um vareio de K-9 e a Tuna levou de 6×0, com dois gols de Keirrisson. 

 

Tarubá marcando Vágner Love (Tuna 1×3 Palmeiras – 04/04/2004)

Quatro anos antes, a Tuna já havia proporcionado outra marcação alternativa na Copa do Brasil. Assim como em 2008, enfrentou o então campeão da série B nacional. O zagueiro Tarubá recebeu a espinhosa missão de marcar ninguém menos que Vágner Love. O becão chegou a marcar o gol de honra da Águia, mas o “artilheiro do amor” foi melhor: marcou dois dos três gols que garantiram a classificação do Palmeiras sem a necessidade do jogo de volta.

Edyrlei marcando Washington (Ponte Preta 8×1 Castanhal – 21/03/2001)

Em 2001, tinha sido a vez do Castanhal proporcionar um encontro inusitado na Copa do Brasil. De um lado, o matador Washington, que estava em sua grande temporada na Ponte Preta. Do outro, o zagueiro outsider Edyrlei. O resultado foi o óbvio. O becão não viu a cor da bola e o Coração Valente passeou. Marcou quatro gols na goleada histórica da Macaca.

 

Correia marcando Bebeto, Edmundo e Sorato (Vasco 2×0 Paysandu – 16/02/1992)

Em 1992, o Vasco tinha um dos ataques mais poderosos do Brasil. Estava lá Bebeto, consagrado no Flamengo e na seleção, ao lado de dois jovens valores: Sorato, que já tinha feito o gol do título brasileiro em 89, e Edmundo, ainda sem ter desabrochado o temperamento que lhe rendeu o apelido de Animal. Um poderio ofensivo e tanto para a dupla de zaga Nad e Correia. Nad foi expulso e Correia acabou ficando com o trabalho sujo sozinho. Bebeto fez dois e os seus jovens escudeiros nem precisaram marcar para ajudar.

 

Ney Sorvetão marcando o São Paulo de Telê (Paysandu 3×0 São Paulo – 23/05/92)

Mas não é só de marcações mal sucedidas que se faz esta lista. O modesto time do Paysandu conseguiu atropelar o São Paulo que viria a se tornar campeão mundial alguns meses mais tarde. A zaga bicolor, comandada por Ney Sorvetão, não tomou conhecimento do poderoso time de Telê Santana. Raí, Muller, Cafu… Todos vieram ao Mangueirão apenas passear. Ou melhor, ver o passeio do Papão.

 

Gilton marcando o “ataque dos sonhos” (Paysandu 2×0 Flamengo – 06/09/95)

Na véspera do feriado da independência em 95, o zagueiro alagoano Gilton teve uma missão incomum. Durante 90 minutos, teria que testar na prática o badalado “ataque dos sonhos” do Flamengo: Sávio, Edmundo e Romário. Mais de 45 mil pessoas foram ao Mangueirão, e grande parte da massa apoiava os rubro-negros. Mais pela mística flamenguista do que pelos resultados que o time apresentava. Em campo, as estrelas acabaram tomando chapéu.

 

Marabá marcando Robinho (Paysandu 2×3 Santos – 24/08/05)

Nem na época do Paysandu na Libertadores um jogo em Belém atraiu tanta atenção internacional. Tudo porque foi na capital paraense a despedida de Robinho antes de ir para o Real Madrid. Dezenas de jornalistas estrangeiros e milhares de torcedores de outros clubes foram ao Mangueirão. O Santos ganhou, mas Robinho passou batido em sua própria festa graças a um carrapato. O jovem volante Marabá entrou em campo com a missão de anular o astro do dia. E assim fez. Não desgrudou de Robinho um minuto e sufocou qualquer tentativa de gol do craque. Só não ajudou a evitar a derrota do Papão. Hoje, Robinho está no Manchester City. Marabá, no Time Negra.

 

Irituia marcando Nilmar (Remo 1×0 Internacional – 19/03/03)

Em 2003, o Inter ainda não era o campeão de tudo e tampouco tinha se tornado um “time europeu no Brasil”, em termos de faturamento, marketing e organização. Havia acabado de escapar do rebaixamento para a série B. Mas tinha no elenco uma jóia prestes a ser descoberta: Nilmar, então com 19 anos. O atacante entrou  no segundo tempo do jogo contra o Remo pela Copa do Brasil, mas não teve espaço para jogar graças à dupla de zaga formada por Irituia e Augusto. Irituia, inclusive, marcou o gol da vitória remista.

 

Mongol marcando Valdir Bigode, Jardel e Bismarck (Vasco 4×0 Remo – 16/04/93)

Acredito que, hoje em dia, dificilmente um jogador de futebol teria o apelido de Mongol. Mas no início dos anos 90, um zagueiro do Remo tinha. Ele tinha sido campeão carioca pelo Botafogo em 89 (na reserva) e era o titular da defesa azulina, apesar de ser um perna de pau. Provou isso no jogo contra o Vasco pela Copa do Brasil de 93. O time carioca tinha Bismarck (que foi à Copa de 90) e mais dois jovens atacantes que se revelavam naquela temporada: Valdir e Jardel. Não foi páreo e o Leão acabou goleado.

 

Joel Santana marcando Alcino (Remo 0x0 Vasco – 13/09/72)

Para encerrar nossa lista, um resgate do início dos anos 70. Neste jogo entre Remo x Vasco, pelo campeonato brasileiro, quase 20 mil pessoas foram ao Baenão para ver Tostão. O craque era o jogador mais caro do país na época, e um dos mais badalados também. Um dos alambrados do estádio até caiu por causa da pressão da torcida. Mas o Remo também tinha o seu astro particular: Alcino, o Negão Motora, um dos mais importantes jogadores da história do clube. Goleador polêmico, Alcino teve pela frente um marcador que se tornaria uma figura folclórica do futebol brasileiro alguns anos mais tarde: Joel Santana. No mano a mano, o hoje conhecido como “Papai Joel” se deu bem. Afinal de contas, o jogo terminou sem que a rede balançasse. Ah, quem marcou Tostão naquele noite foi a dupla composta por Dutra (que depois virou técnico, inclusive do Remo) e Mendes (que veio a jogar na Portuguesa alguns anos depois).

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