Jogos inesquecíveis – Remo 4×1 Tocantinópolis (2005)

Não adianta a sua mulher insistir: futebol não é sempre igual. O velho papo de “22 marmanjos atrás de uma bola” não cola. O jogo não deve ser analisado de uma forma tão objetiva e simplista. A graça do futebol está na surpresa que cada amontoado de 90 minutos te reserva: uma reviravolta no placar, uma chuva torrencial que você tomou, um lance bisonho, uma polêmica envolvendo arbitragem… Enfim, o fato de que nenhum jogo igual ao outro.

 

E é pelo fato de cada partida ser especial à sua maneira que Travinha lança esta série. Tá, o tema é meio batido. Mas em se tratando de futebol paraense, a blogosfera está mal servida de relatos desse tipo.

 

Começamos voltando ao dia 18 de setembro de 2005. O Remo estava no meio da luta para voltar à série B do campeonato brasileiro. Tinha acabado de passar com relativa tranqüilidade pela primeira fase, contra Abaeté (PA), São José (AP) e São Raimundo (RR). Enfrentava então, no primeiro mata-mata da Terceirona, o não menos modesto Tocantinópolis. No primeiro jogo, no interior de Tocantins, o Leão perdera por 2×0. Não restava outra opção que não fosse vencer por pelo menos três gols de diferença.

 

Nas arquibancadas do Mangueirão, mais de 40 mil torcedores. Era um dos grandes momentos do “Fenômeno Azul”, apelido dado à torcida azulina que acabou carregando o time rumo ao título. Essas pessoas acabaram passando por uma verdadeira provação, um teste absurdo para o coração.

 

No primeiro tempo, o Remo abriu o placar com um toque rasteiro do atacante Capitão, que fazia sua estréia. Depois de um bate rebate na área do Tocantinópolis, Emerson fez 2×0. Com esse placar, o jogo já iria para os pênaltis. Mas fazer o terceiro seria uma questão de tempo.

 

Seria. No início do segundo tempo, o Tocantinópolis diminuiu com Lairson. Tensão generalizada no Mangueirão. O Leão precisaria marcar mais dois gols para se classificar para o segundo mata-mata da série C. O risco da eliminação dentro de casa, diante de dezenas de milhares de torcedores, era real. Quando Emerson mandou na trave uma cobrança de pênalti, virou filme de terror. Era o pesadelo de mais uma temporada na Terceirona, enfrentando Bambalas e Arimatéias e afundado numa crise sem precedentes.

 

Mas sempre há um pingo de sorte que resta para momentos como este. Depois de um cruzamento de André Barata, o zagueiro Magrão (que tinha ido ao ataque fazer sabe-se lá o quê) deu um chute espirrado, torto e tosco. Só que no caminho havia a barriga de um zagueiro do Tocantinópolis, que desviou a pelota para o fundo das redes. 3×1. O Leão ainda seria eliminado com este placar, mas a euforia da torcida já superava a agonia.

 

No pacote “my lucky day”, o Remo ainda se deu bem quando o árbitro Marcelo Bispo marcou um pênalti meio duvidoso do goleiro do Tocantinópolis em cima do atacante Landu. Osny cobrou e fez o gol que colocou o clube na terceira fase da série C.

 

Até a confirmação do título, apenas na última rodada, o Remo ainda passaria por outras provações desse tipo. Mas este jogo em especial é, sem dúvida, o mais emocionante da campanha do título nacional do Leão.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: