O primeiro Príncipe do Remo

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O futebol proporciona conexões interessantes. A biografia de alguns astros às vezes se cruza com a história de clubes que você nem imaginava que tinham passado pela vida desses biografados. Um desses links diz respeito ao Remo.

 

Danilo Alvim foi um dos grandes médios (assim se costumava chamar os jogadores de meio-campo) na primeira metade do século 20. Fez parte do chamado “Expresso da Vitória”, o grande esquadrão do Vasco na década de 40. Além disso, foi titular da seleção brasileira na Copa de 50. Por causa da elegância e do futebol refinado, ganhou o apelido de Príncipe. Algo que servia como exemplo de superação para alguém que quebrou as duas pernas aos 19 anos. Danilo tinha tentado pegar um bonde e movimento e foi atropelado por um carro. Jogava no América do Rio e passou 18 meses parado.

 

Mas o que o Remo tem a ver com isso? É que depois de pendurar as chuteiras, Danilo começou a carreira de treinador. E foi no Baenão que ele viveu algumas de suas grandes temporadas, na virada dos anos 60 para os 70. Ajudou o clube a conquistar alguns de seus troféus mais importantes.

 

Começou em 68, quando o Leão conquistou o título paraense invicto. Danilo comandava um timaço, com craques como o zagueiro China e o atacante Rubilota. A partida decisiva foi um Re-Pa na Curuzu, que terminou empatado em 2×2.

 

Já em 69, mas ainda pela temporada de 68, Danilo Alvim comandou o Remo na conquista do título do Torneio do Norte de Clubes. Como o vencedor do Norte disputava outra taça com o vencedor do Nordeste, o campeonato era apelidado de Nordestão. Pois bem, o título de 68 foi vencido depois de uma decisão contra o Piauí. Os piauienses golearam na primeira partida por 5×1. O Remo venceu por 4×1 na volta. Na negra, deu Leão outra vez: 2×1, dois gols do atacante Adinamar.

 

Ainda em 69, o Remo foi bicampeão do Norte com a mesma base do primeiro título, reforçada pelo goleiro surinamês François (que viria a se tornar uma lenda no arco azulino). Na primeira fase, o Leão passou por um hexagonal ao lado de Paysandu, Tuna e mais três clubes amazonenses (Fast, Olímpico e Nacional). A decisão foi num quadrangular contra Nacional/AM, Flamengo/PI e Ferroviário/MA. O Leão levou a melhor depois de três vitórias, dois empates e uma derrota.

 

Na temporada de 70, Danilo retornou ao Remo depois de um acerto salarial: 10 mil cruzeiros de luvas, 2 mil e 500 mensais e hospedagem para o filho do treinador. Mas não repetiu o mesmo sucesso dos dois anos anteriores. Mesmo assim, merece lugar na galeria dos técnicos mais vencedores da história do clube.

 

Danilo morreu em 1996, aos 76 anos, pobre e solitário em um asilo no Rio de Janeiro.

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2 Responses to O primeiro Príncipe do Remo

  1. Leonardo,

    Tudo bem?

    Estou conhecendo seu blog agora. Muito legal. A gente que é de SP sempre acaba sem saber as notícias da região norte. Sempre que der, darei uma passadinha aqui.

    Aliás, se quiser trocar links, só avisar no meu e-mail.

    Abração

  2. Fernanda disse:

    Solitário não… o filho dele colocou no asilo e a outra parte da família não sabia. Quando descobrimos que ele estava em um asilo, íamos visitá-lo sempre. Minha vó ia todos os dias visitá-lo e cantar bolero, porque ele adorava.
    Ele se acabou por causa de uma mulher que fez muito mal a ele, mas homem apaixonado não vê. O filho fez isso com ele. Infelizmente só descobrimos no final da vida dele, mas mesmo assim conseguimos melhorar o seu fim dos dias.

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