Indonésia no tucupi

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A Indonésia é conhecida por praias paradisíacas como as da ilha de Bali e por ter sofrido com desastres naturais como terremotos e tsunamis. No futebol, o país não tem tradição alguma. Quando participou de uma Copa do Mundo pela única vez, em 1938, ainda se chamava Índias Holandesas. O local parece improvável para um jogador brasileiro fazer sucesso. Mas o atacante paraense Beto conseguiu. Há dois anos na Indonésia, ele se tornou um dos estrangeiros mais bem sucedidos no futebol local.

 

 

Alberto Gonçalves da Costa nasceu em Belém e jogou em clubes como Remo, Tuna, Ananindeua e Vila Rica. Saiu do Pará rumo ao sul do país, onde jogou pelo Farroupilha-RS e pelo Marcílio Dias-SC. E foi em Santa Catarina que ele finalmente cedeu a uma proposta que já vinha sendo feita ao longo dos dois anos anteriores. “Um empresário carioca queria me levar para a Indonésia desde que me viu jogando pelo Remo. Mas os salários não valiam a pena. Só decidi aceitar quando a proposta se tornou irrecusável”, conta.

 

O destino foi o Persipura, da cidade de Jayapura, quase na fronteira com Papua Nova Guiné. Na chegada, Beto encontrou dificuldades para se comunicar. O técnico era búlgaro. Os jogadores eram indonésios ou africanos que não falavam português, à exceção de um brasileiro que havia sido liberado para passar férias em casa. Para driblar essa barreira, sobrou disciplina. “Ganhei um dicionário do idioma local. Quando eu voltava dos treinos, estudava três horas por dia”, esbanja Beto, que hoje se diz fluente na língua bahasa indonésia.

 

Falar como os nativos não foi o único problema que Beto teve de superar. O atacante precisou se adaptar ao fato de que a Indonésia não é um país sismologicamente seguro como o Brasil. “Já testemunhei sete terremotos. Mas todos foram leves. Num deles, como eu ainda não estava acostumado, saí do quarto do hotel só de cueca e desci para o saguão. Os funcionários me tranqüilizaram dizendo que o tremor ia passar rápido, mas ficaram rindo de mim”, conta. Beto também foi motivo de risadas quando experimentou, sem saber, alguns pratos exóticos. “Em duas festas locais, me serviram carne de cachorro e de morcego, tudo muito condimentado e apimentado”, lembra. Só que o que mais impressiona Beto até hoje é a presença do álcool no esporte. Por causa da cultura local, o consumo de bebidas é bastante tolerado em Jayapura, mesmo entre jovens atletas. Os estrangeiros precisam se acostumar e tentar entender. “Os caras levam conhaque para tomar no intervalo das partidas. Alguns só conseguem jogar depois de beber”, relata.

 

Mesmo com os contratempos, o atacante se deu bem. Em 2007, foi artilheiro da Copa da Indonésia, com 7 gols, e vice-artilheiro da liga local, com 21. O desempenho lhe rendeu o título de melhor brasileiro do campeonato. Na temporada de 2008/2009, o Persipura terminou o primeiro turno na liderança, com a ajuda de 8 gols do brasileiro. Com tanta bola na rede, Beto virou celebridade. “Sou muito assediado toda vez que saio na rua. Os torcedores pedem fotos e autógrafos em qualquer lugar”, diz. Mas um jogador brasileiro bem-sucedido no exterior não vive só de fama. Beto tem investido em imóveis o bom dinheiro que vem recebendo na Indonésia. Já reformou a casa dos pais em Belém e começou a construir um prédio de kit-nets. Aos 28 anos, é bem seguro ao falar sobre o futuro. “Não penso em voltar a jogar no Brasil. A carreira de jogador de futebol é muito curta e é preciso aproveitar bem as oportunidade para fazer um pé-de-meia”, desabafa.

 

*** Texto originalmente escrito para a revista Placar.

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