O Leão e as Laranjas

Travinha também é feito por amigos colaboradores. E o primeiro deles resolveu comparecer. Leandro Santiago é natural de Mogi Guaçu, interior de São Paulo. Mas está radicado há alguns anos em Belém, onde trabalha como jornalista. Hoje é repórter da TV Liberal. E provavelmente ostenta o título de único torcedor da Ponte Preta na capital paraense. Cada louco com sua mania, não? Pois o pontepretano escreveu um texto sobre a decadência de um protagonista de uma das mais lendárias zebras do futebol nos anos 80: a Inter de Limeira, campeã paulista de 86. Confiram!

 

Eu sei, o blog é dedicado ao futebol paraense, mas torcedores de Leão e Papão devem se identificar com essa estória. Qualquer semelhança azulina ou bicolor é mera coincidência.  Assistindo aos “Gols do Fantástico” (que saudade dos velhos “Gols do Fantástico”, que passava depois do programa), pude ver a cômica cena dos jogadores do XV de Jaú arremessando uma bicicleta para a torcida. Foi hilário, mas algo não teve graça neste jogo. Ver a triste decadência do time que estava do outro lado, a Internacional de Limeira, derrotado por 2 a 0 e que está em penúltimo lugar na Terceira Divisão do Campeonato Paulista, correndo sério risco de rebaixamento.

 

Assim como o Remo, a Inter também é Leão. Um Leão que em 1986, conquistou o Campeonato Paulista, diante de um Morumbi lotado, pronto para ver o Palmeiras acabar com um jejum de nove anos e levantar a taça. Foi o primeiro título estadual de um time do interior do Estado. O time comandado por Pepe, o canhão da Vila, do atacante Kita, do zagueiro Juarez (falecido em um acidente de moto). do rápido lateral Pecos (falecido em um acidente de carro) e do cerebral meia Lê abriu caminho para que Bragantinos, Novorizontinos e São Caetanos surgissem.

 

O tempo passou e o time da então “Capital Mundial da Laranja”, chegou até a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Foi rebaixado algumas vezes, mas sempre conseguia voltar a elite. O alvi-negro era tão famoso quanto o suco de laranja limeirense, cujo sabor tirava o sono dos produtores de laranja da Flórida.

Até que no final dos anos 90, o clube começou cair nas mãos de grupos de investidores obscuros, que se mostravam mais interessados em vender jogadores do que reerguer a Inter. O clube chegou a ter um técnico italiano que não sabia uma única palavra em português, que depois foi substituído por Marco Otávio, ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol… de Areia!

 

Desanimada, a torcida abandonou o estádio Major José Levy Sobrinho, o Limeirão. Os destinos passaram a ser as vizinhas Americana e Araras, onde Rio Branco e União São João, respectivamente enfrentavam os grandes da capital, grandes que a Inter derrotou em um passado não tão distante. Em 2008, a vergonha maior: último lugar na Série A-2, e o rebaixamento para a Série A-3, onde a Inter nunca esteve antes. O ano de 2010 promete novas experiências, e nada agradáveis para quem ainda se aventurar a pôr os pés no Limeirão. Ah, e as laranjas de Limeira acabaram.

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