Is there life on mars?

25/01/2010

E aconteceu o que toda a imprensa paraense e seu arsenal nuclear de trocadilhos infames estava esperando: o atacante Marciano teve uma baita estreia com a camisa do Remo, marcando dois gols e sendo decisivo na vitória azulina por 2×1 em cima do Cametá neste domingo, 24. Desde então, estamos sendo bombardeados com pérolas da estirpe de “estreia de outro mundo”, “artilheiro de outro planeta”, “atacante interplanetário”, entre outras fuleiragens periodísticas.

Galhofa à parte, é inegável que o novo delantero azulino teve participação fundamental na conquista dos três pontos na chamada “Terra do Mapará”. Marciano entrou no intervalo, quando o jogo estava 1×0 para os donos da casa. Paulo de Tárcio havia encaixado uma bola no canto do paredão Adriano depois de um passe matreiro de Jaílson e um blecaute generalizado  dos becões do Remo. O primeiro strike de Marciano foi aos 21 minutos do segundo tempo. A zaga do Cametá não cortou uma bola que pingou na área. Gian viu que o recém-entrado atacante se posicionava desmarcado na divisa da pequena com a grande área e, mui sabiamente, mandou um balãozinho em direção ao camisa 17, que só escorou de cabeça para o fundo do filó. Aos 40, depois de uma cobrança de corner, Pedro Paulo desviou e Marciano, quase em cima da linha, empurrou pra dentro uma bola que estava com seu bilhete só de ida comprado.

Vale ressaltar a participação da arbitragem em dois lances: um acerto e um erro que poderia ter sido capital. Quando o jogo  estava  1×1, Clauber José Miranda anulou um gol do Remo ao flagrar um azulino que quis fazer o Maradona e desviou com a mão a pelota no meio da jogada. O erro aconteceu no final do jogo, quando o placar já estava 2×1 para o Remo. Depois de pegar um rebote da defesa remista, Jaílson chutou para o gol e a bola bateu na mão do zagueiro Pedro Paulo. Provavelmente com a visão encoberta pelo “vai pra lá, vem pra cá” na área, o árbitro mandou seguir.

Com a vitória em Cametá, o Remo assume a liderança, temporariamente de forma isolada, com 6 pontos. Pode ser alcançado por Paysandu ou Santa Rosa, que se enfrentam na noite desta segunda-feira, 25. A segunda rodada termina na terça-feira, 26, com um confronto direto entre dois times que perderam na estreia: Independente e São Raimundo, no Baenão, em Belém.

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A institucionalização do jeitinho

22/01/2010

Em menos de uma semana de iniciado, o campeonato paraense já teve de tudo: ameaça de suspensão, jogo adiado por causa de estádio que não está pronto, pressão nos bastidores, rodada começando antes da anterior terminar… Um verdadeiro carimbó do caboclo alucinado. Sinal de que o tal “campeonato mais forte e equilibrado dos últimos anos” já começa tão bem organizado quanto uma força-tarefa da Suat dos Trapalhões.

A última grande bagunça foi relacionada ao jogo Independente x São Raimundo, inicialmente marcado para este domingo em Tucuruí. Mas no final da manhã desta sexta-feira, dois dias antes da peleja, foi batido o martelo: a partida mudaria de local ou de data porque o estádio Navegantão não está liberado pelos órgãos de segurança responsáveis pelas vistorias. A notícia surpreendeu muita gente, já que não se falava que o Navegantão tivesse problemas. A questão é que o estádio nunca foi liberado de fato e muitos veículos de comunicação se limitaram a repetir dizer amém à diretoria do Independente, que fazia toda a pressão necessária para manter o jogo em Tucuruí enquanto obras continuavam acontecendo. Agora há pouco foi confirmado: o jogo passou para terça-feira no Baenão, em Belém.

O estádio Colosso do Tapajós, em Santarém, também tem pendências para ser liberado. Por isso a estreia do São Raimundo, que deveria ter sido no domingo passado, dia 17, foi adiada duas vezes e acabou sendo disputado somente na tarde desta sexta, dia 22, depois que a segunda rodada já havia começado. A liberação do estádio esbarra no seguinte: a prefeitura de Santarém, que administra a praça esportiva, se recusou a assinar o termo de ajuste de conduta com o Ministério Público porque perderia acesso a verbas federais. Por isso, o Pantera teve que estrear em Belém.

E parece que esses pequenos ajustes não vão acabar agora. Quase nenhum estádio foi liberado pelo Corpo de Bombeiros e pela Polícia Militar: apenas Baenão e Curuzu, em Belém, e Parque do Bacurau, em Cametá. Nem o Zinho Oliveira, onde o Águia de Marabá vai mandar seus jogos. Nem o Maximino Porpino, em Castanhal, onde o Santa Rosa pretendia jogar. Nem o Mangueirão, que era o suposto trunfo da candidatura de Belém para sediar a Copa do Mundo de 2014. Nenhum está pronto. Todos passam por “obras emergenciais” para dar aos torcedores as condições de segurança razoáveis. É a institucionalização do jeitinho. Enquanto os clubes e órgãos públicos dão um jeitinho para aprontar os estádios, a Federação Paraense de Futebol faz o mesmo com a tabela do campeonato. Agora fica a pergunta: por que as obras não foram feitas antes? Os clubes paraenses estavam se atividades profissionais há bastante tempo. O São Raimundo, o último a fazer jogos oficiais na temporada 2009, jogou até novembro. O Paysandu estava “de férias” desde agosto. O Remo, desde abril. Seja por pindaíba ou má vontade dos clubes, o fato é que o torcedor parece ainda não ser prioridade.

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O Remo estreou no Parazão com uma goleada incontestável sobre o Ananindeua: 6×0. Espantou o fantasma dos últimos dois anos, quando começou o campeonato paraense com derrota, e também deu ao torcedor remista uma estrondosa euforia. O Leão realmente teve uma atuação empolgante, com destaque para os meias Fabrício Carvalho, Gian e Vélber e para o atacante Samir. E quem pensava que o resultado só foi tão fácil por causa da fragilidade do adversário foi contrariado pela vitória do Ananindeua sobre o Águia na segunda rodada: 4×3. Mesmo assim, ainda é cedo para fazer avaliações mais definitivas sobre o Remo. Já dá pra perceber que a longa temporada de amistosos no ano passado não foi tão à toa. A base do time está entrosada e foi reforçada com boas contratações. O Leão volta a campo neste domingo, dia 24, para enfrentar fora de casa o Cametá, campeão da primeira fase e principal candidato a surpresa do interior em 2010. Vai ser o primeiro grande teste do Remo neste campeonato.


Parazão no palanque

18/01/2010

E eis que a pelota rolou e o jejum de futebol acabou. Já eram quase quatro meses sem que um clube paraense disputasse um joguinho oficial sequer. Intervalo ainda maior para alguns times em especial. O Remo, por exemplo, não assinava uma súmula desde o final de abril do ano passado. Mas agora tá todo mundo junto no mesmo aguaceiro: o Parazão 2010, que já começa com uma característica marcante: o envolvimento de dinheiro público. Das oito equipes participantes, cinco são patrocinadas por prefeituras. Além disso, o campeonato foi “comprado” pelo governo do Pará para ser transmitido para quase todo o estado pela TV Cultura e pagar aos clubes pelos justos direitos de imagem. Com esses “agrados” no bolso, os clubes pequenos podem até não ter montado esquadrões, mas conseguiram formar pequenas tropas de agentes do caos, dispostos a ferrar o oligopólio de Remo e Paysandu na galeria dos campeões estaduais (a dupla Re-Pa carimbou 85 das 97 taças colocadas a prêmio).

E quem achava que dinheiro de prefeito não bota bola na rede precisou rever os conceitos depois da primeira rodada, disputada neste domingo. O Paysandu, atual dono do caneco e favorito ao bi, roeu uma pupunha contra o Independente apesar de jogar em casa. Bancado pela prefeitura de Tucuruí (onde está instalada a segunda maior usina hidrelétrica do país), o time que ganhou a alcunha de Galo Elétrico botou quente. Comandado pelo técnico Samuel Cândido (campeão paraense pelo Remo em 2007), o Penoso segurou um primeiro tempo equilibrado e, quando o Bicola se mostrou cansado na volta do intervalo, nos fez acreditar que podia servir um Papão a la parrilla. O ex-pedreiro Ró abriu a contagem aos 23 minutos, para a alegria de algumas dezenas de tucuruienses que pegaram mais de 400 km até a capital. Tudo se encaminhava para um retumbante Curuzazzo em plena estreia quando, aos 44, o mito Zé Augusto foi puxado pela camisa dentro da área. Sandro Goiano, que reestreava pelo Paysandu depois de quase 5 anos longe, só deve ter olhado feio para os companheiros, bufado e encostado o indicador esquerdo na braçadeira de capitão. Ninguém teve coragem de tirar dele o gostinho de bater o pênalti que resultou no gol de empate. Menos de dois minutos depois, Sandro passou uma bola caramelada para o infante Moisés e não deu outra: caixa. Papão 2×1, livre por pouco de uma cacarejada em 220 volts.

Outro time de prefeitura que já se mostrou insolente logo no kick-off do campeonato foi o Cametá. Com o apoio do município que lhe batiza, o scratch se profissionalizou no ano passado e subiu rapidamente para a elite. Sob a batuta de Artur Oliveira (campeão estadual pelo Remo em 2008), o Cametá fez valer o mando de campo e degustou a rapadura do Águia (que tem na sua enorme lista de patrocinadores a prefeitura de Marabá). A vitória, assim como a do Paysandu, foi conseguida no finzinho do jogo. Jaílson abriu o placar para o Cametá. Jales empatou para o Águia. Aos 46 do segundo tempo, Aldivan quis brincar de handebol na grande área e o juiz apitou pênalti. Dudu bateu mal e precisou do rebote para estufar o filó e garantir os três primeiros pontos do time que alguns já apelidaram de Mapará Atômico.

Os outros clubes patrocinados pelas alcaldias interioranas são: o Ananindeua, que é da cidade do mesmo nome, e o São Raimundo, de Santarém, atual vice-campeão paraense e campeão brasileiro da série D. O caso do São Raimundo é diferente do que se imagina na relação entre futebol e política. Em vez de o clube pegar carona na grana municipal, foi a prefeitura que pegou carona no sucesso do Pantera. O time só foi receber patrocínio de Santarém depois da excelente temporada de 2009. Entre os clubes pequenos e médios, apenas o Santa Rosa não é patrocinado com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

Para enfrentar as ameaças que vêm do interior, Remo e Paysandu estão apostando na repatriação de velhos ídolos. O Papão, como foi citado no segundo parágrafo, trouxe de volta Sandro Goiano, que saiu da Curuzu para entrar na calçada da fama do Grêmio. O Leão contratou dois meias: Gian, aquele que começou no Vasco e foi campeão mundial sub 20 com a seleção brasileira em 1993; e Vélber, que jogou no Remo, brilhou no Paysandu em 2003 e chegou a jogar no São Paulo. Dos dois, o Remo é quem tem mais obrigações no Parazão. Precisa de um bom resultado no estadual para garantir uma vaga na série D. Ficar fora da Quartona pelo segundo ano consecutivo e repetir a temporada de oito meses fazendo amistosos pelos confins da Amazônia não seria fácil.

A jornada de abertura do Parazão 2010 continua nesta segunda-feira com Remo x Ananindeua às 20h30 (horário de Belém) no Baenão. Na quarta-feira, o complemento com São Raimundo x Santa Rosa às 15h30 na Curuzu, já que o estádio de Santarém ainda não foi liberado.


As cinco mancadas capitais para o fracasso do Paysandu

17/08/2009

1) A mudança de preparador físico. Com Rodrigo Poletto, que chegou junto com o técnico Édson Gaúcho, o Paysandu foi incansável durante o Parazão, apesar dos gramados castigados pelo período de chuvas. Mas Poletto deixou a Curuzu por problemas familiares e foi substituído por Cláudio Café, que impôs aos jogadores um ritmo bem mais severo de treinamentos físicos. Os atletas sentiram a diferença, começaram a reclamar e a sofrer uma série de lesões. Até o meio-campo Mael, que fez mais de 30 partidas seguidas como titular e era um exemplo de vigor, se machucou. Além disso, o Papão sempre chegava ao segundo tempo no limite do cansaço. Quando Café foi demitido junto com Édson Gaúcho, o novo preparador físico Maurício Matos até se esforçou para reverter a situação. Mas já era tarde demais.

2) Acreditar que o time não precisava de reforços. O Paysandu ganhou o campeonato paraense com um pé nas costas e isso levou muita gente (presidente e comissão técnica inclusive) a acreditar que a base já era boa o suficiente para disputar o Brasileiro. Só esqueceram de analisar que, no Parazão, o Bicola só enfrentou rivais fraquíssimos. Até mesmo o São Raimundo, vice-campeão que aprontou para cima de todo mundo e tremeu em quase todas as partidas contra o Papão. A insuficiência do elenco bicolor ficou ainda mais clara nas duas primeiras rodadas da série C, em que o Paysandu venceu o Sampaio Corrêa e o Rio Branco. Mas como foram vitórias, as más atuações acabaram varridas para baixo do tapete.

3) As desculpas furadas permanentes. Quando o Paysandu foi goleado pelo Rio Branco (4×0 na Arena da Floresta), a justificativa para a derrota sonora foi a cansativa viagem até o Acre. Engraçado é que, quando o Papão ganhou do Boca em La Bombonera, o deslocamento até Buenos Aires (mais demorado que o trajeto até Rio Branco) não atrapalhou… Outra: quando começou a onda de contusões entre os jogadores, falou-se que eles estavam sentindo a “maratona de jogos”. Explicação impertinente. Entre a decisão do Paraense e o início do Brasileiro, o Paysandu teve um intervalo de três semanas. Durante a disputa da série C (em que só se fazia um jogo por semana), o Papão teve dois intervalos longos: três semanas entre a primeira e a segunda partida, e 17 dias entre a penúltima e a última.

4) A demissão de Édson Gaúcho. O treinador tinha algumas teimosias, como insistir em escalar os criticados Roni e Luciano na zaga, mas conhecia bem o elenco. E a decisão de demiti-lo aconteceu na hora mais inoportuna: exatamente no meio da primeira fase, quando a classificação para o mata-mata ainda era uma missão razoavelmente tranqüila. A mudança desestabilizou o ambiente e acabou se mostrando inócua, já que o substituto Válter Lima venceu apenas um dos seis jogos que disputou.

5) A insistência em assuntos menos importantes. Em vez de procurar reforços para o time, o presidente Luiz Omar Pinheiro preferiu gastar o tempo com a briga contra a transmissão dos jogos do Paysandu para Belém pela TV Cultura. Ou ainda na tentativa inverossímil de contratar o já aposentado atacante Edmundo.


Visitante abusado

18/06/2009

Se Nelson Rodrigues tivesse nascido na segunda metade do século 20, não pensaria apenas no povo brasileiro para criar a expressão “complexo de vira-latas”. Poderia usar como inspirações os clubes paraenses e seus retrospectos vexatórios em jogos fora de casa. Quando um deles pisa no aeroporto de Val de Cães, parece que o embarque é rumo ao inferno. Os jogadores já se sentem derrotados, fala-se que o empate é considerado uma vitória e que a vitória é um resultado improvável. E não   importa se o time está nas cabeças ou brigando pra escapar da degola. Sempre vai tomar toco fora de casa. A história recente aponta apenas duas exceções: o Paysandu na Libertadores de 2003 (que venceu três dos quatro jogos que disputou fora do Brasil) e o Águia de Marabá nas duas últimas temporadas na série C.

 

O time do sudeste do estado não chega a ser um fenômeno como o Papão na competição sul-americana, mas tem um desempenho inegavelmente respeitável. Na terceirona deste ano, foram duas vitórias em dois jogos fora do Pará. A última no domingo passado: 2×0 sobre o Luverdense no interior de Mato Grosso. Os resultados engordam um palmarés que chega a causar inveja à dupla Re-Pa.

 

Somados os números da série C de 2008 e 2009, o Águia fez 18 jogos fora de casa. Venceu 7, empatou 2 e perdeu 9. Dos 54 pontos que disputou, conquistou 23. Apesar de ter perdido mais que vencido, o Azulão cravou um aproveitamento de pontos razoável: 42,59%. Com esse percentual, o time marabaense seria o sétimo colocado na série A do brasileirão.

 

O mais curioso é que mesmo os clubes paraenses que se deram bem em competições nacionais não tiveram um aproveitamento tão bom. O Paysandu, quando foi campeão brasileiro da série B em 2001, teve um desempenho pífio longe de Belém: não venceu nenhum dos 16 jogos que disputou. Empatou 12 e perdeu 4. Dos 48 pontos disputados, conquistou apenas 12, o equivalente a apenas 25%.

 

O técnico João Galvão diz que o segredo para este relativo sucesso do Águia é o fato de o time jogar sempre de forma ofensiva. E este ano, o Azulão conseguiu uma formação ofensiva melhor que a do ano passado. Felipe, machucado, e Aleílson, que foi para o Flamengo, deram lugar a Marcelo Maciel e Bruno Rangel. Os dois têm demonstrado um entrosamento perfeito e construído uma inabalável relação garçom-matador. Bruno é artilheiro da série C com 5 gols. Quatro deles tiveram assistência de Marcelo. Com uma dupla de ataque afinada, um time sem medo de jogar fora de casa e um campeonato com regulamento enxuto, o Águia pinta de fato como um candidato ao acesso à série B.


Não deu

01/06/2009

belem 2014

Um dos bordões do Kiko, personagem do Chaves, pode se tornar uma das explicações mais absurdamente coerentes para explicar a ausência de Belém da lista de 12 cidades que vão sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. Afinal de contas, segundo o comitê que organizou a candidatura da capital paraense, tínhamos todas as condições: um estádio semi-pronto, um aeroporto (supostamente) adequado e bons planos de obras de infra-estrutura. Isso tudo além de um povo apaixonado por futebol, que faria com que os investimentos na reforma do Mangueirão não fossem à toa. O que faltou afinal?

Faltou articulação política local. Apesar do discurso de união entre governo e prefeitura, o estado e o município nunca trabalharam afinados. O sinal mais claro disso foi no dia do anúncio das cidades-sede, em que foram montados dois pontos de concentração de torcedores. Um pelo governo estadual na Praça da República e outro pela secretaria municipal de esporte na avenida Doca de Souza Franco. Resultado: festas esvaziadas, principalmente a da Doca.

Faltou explicar melhor o projeto da cidade. O único número que realmente ficou claro foi o valor da reforma do Mangueirão: pouco mais de 90 bilhões de dólares. No mais, o comitê organizador da candidatura de Belém se mostrou confuso numa salada de cifras. Num dia, o orçamento das obras de infra-estrutura estava na casa dos milhões. No outro, já tinha se tornado bilionário. Chegou-se a dizer que o custo total da repaginação da capital paraense superaria os 21 bilhões de reais, valor que supera o orçamento das Olimpíadas de Londres e, segundo um colega de trabalho, seria suficiente para construir postes de ouro e ruas de ladrilho espanhol em Belém.

Faltou a boa malandragem. Confiar na amizade com o presidente Lula já não tinha sido o suficiente para a governadora Ana Júlia Carepa se eleger em 2006. Que dirá para fazer de Belém uma das sedes da Copa. Era preciso um lobby permanente junto à Fifa, o “queixo” do governador amazonense Eduardo Braga (que falou em nome de todos os governadores brasileiros quando o Brasil foi anunciado como país-sede da Copa), a ajuda de pessoas que já vivenciaram uma Copa do Mundo… Belém fez nada mais que um arroz-com-feijão, quando deveria ter elaborado um belo banquete.

Agora só resta choramingar algumas migalhas, como a presença de alguma seleção numa pré-temporada ou concentração, em um amistoso preparatório. Ou ainda algum evento paralelo organizado pela própria Fifa, possibilidade admitida pelo presidente da entidade, Sepp Blater. Esta é não apenas uma derrota política, como também um nocaute no já combalido futebol paraense.

PS: Belém poderia brigar para sediar a Fifi Wild Cup, a Copa dos Excluídos.


Ditadura da magreza

24/05/2009

A série C está longe de ser uma passarela de MODA, mas, pelo menos para os clubes paraenses, a primeira rodada foi marcada pela ditadura da MAGREZA. Vitórias pelo chamado placar mínimo, tanto no COLOSSO DO BENGUÍ quanto no simpático e aprazível ROSENÃO, no sudeste do Pará.

Em Belém, 17 mil torcedores foram ao Mangueirão prestigiar a estreia do PAYSANDU contra o Sampaio Corrêa. E o Papão não se fez de rogado. Logo no começo do jogo, chamou os maranhenses para o CARIMBÓ e fez 1×0 com uma cabeçada meio desajeitada de Zé Carlos, atacante que não cumpria seu ofício de estufar o FILÓ havia dois meses. Parecia que ia rolar uma saraivada histórica, só que o Bicola fraquejou. Tomou bola na trave e o escambau. O que poderia ser uma partidaça virar um JOGUINHO SAFADO, principalmente por causa da chuva. Ficou no 1×0 mesmo.

Em Parauapebas, o BRIOSO Águia de Marabá recebeu o não menos impetuoso Rio Branco. Não tenho muitas informações a respeito deste EMBATE, mas vi que o PRÉLIO foi decidido no início do segundo tempo com um gol de cabeça de Bruno Rangel, que tinha entrado no intervalo. Os conterrâneos de CHICO MENDES jogaram com tanto ímpeto como se tivessem um SERINGAL a defender, mas o escrete azul conseguiu segurar o resultado e garantir os três pontos na primeira rodada.

O LOVER DANCE, que assistiu a tudo isso de camarote em sua plantação de soja, estreia na semana que vem contra o Rio Branco. O Águia joga fora de casa contra o BOLÍVIA QUERIDA. O Paysandu será o agraciado com um RECESSO na próxima rodada. Volta a jogar só daqui a três semanas, contra o Rio Branco.

31/05
Rio Branco x Luverdense
Sampaio Corrêa x Águia

14/06
Paysandu x Rio Branco
Luverdense x Águia