As cinco mancadas capitais para o fracasso do Paysandu

17/08/2009

1) A mudança de preparador físico. Com Rodrigo Poletto, que chegou junto com o técnico Édson Gaúcho, o Paysandu foi incansável durante o Parazão, apesar dos gramados castigados pelo período de chuvas. Mas Poletto deixou a Curuzu por problemas familiares e foi substituído por Cláudio Café, que impôs aos jogadores um ritmo bem mais severo de treinamentos físicos. Os atletas sentiram a diferença, começaram a reclamar e a sofrer uma série de lesões. Até o meio-campo Mael, que fez mais de 30 partidas seguidas como titular e era um exemplo de vigor, se machucou. Além disso, o Papão sempre chegava ao segundo tempo no limite do cansaço. Quando Café foi demitido junto com Édson Gaúcho, o novo preparador físico Maurício Matos até se esforçou para reverter a situação. Mas já era tarde demais.

2) Acreditar que o time não precisava de reforços. O Paysandu ganhou o campeonato paraense com um pé nas costas e isso levou muita gente (presidente e comissão técnica inclusive) a acreditar que a base já era boa o suficiente para disputar o Brasileiro. Só esqueceram de analisar que, no Parazão, o Bicola só enfrentou rivais fraquíssimos. Até mesmo o São Raimundo, vice-campeão que aprontou para cima de todo mundo e tremeu em quase todas as partidas contra o Papão. A insuficiência do elenco bicolor ficou ainda mais clara nas duas primeiras rodadas da série C, em que o Paysandu venceu o Sampaio Corrêa e o Rio Branco. Mas como foram vitórias, as más atuações acabaram varridas para baixo do tapete.

3) As desculpas furadas permanentes. Quando o Paysandu foi goleado pelo Rio Branco (4×0 na Arena da Floresta), a justificativa para a derrota sonora foi a cansativa viagem até o Acre. Engraçado é que, quando o Papão ganhou do Boca em La Bombonera, o deslocamento até Buenos Aires (mais demorado que o trajeto até Rio Branco) não atrapalhou… Outra: quando começou a onda de contusões entre os jogadores, falou-se que eles estavam sentindo a “maratona de jogos”. Explicação impertinente. Entre a decisão do Paraense e o início do Brasileiro, o Paysandu teve um intervalo de três semanas. Durante a disputa da série C (em que só se fazia um jogo por semana), o Papão teve dois intervalos longos: três semanas entre a primeira e a segunda partida, e 17 dias entre a penúltima e a última.

4) A demissão de Édson Gaúcho. O treinador tinha algumas teimosias, como insistir em escalar os criticados Roni e Luciano na zaga, mas conhecia bem o elenco. E a decisão de demiti-lo aconteceu na hora mais inoportuna: exatamente no meio da primeira fase, quando a classificação para o mata-mata ainda era uma missão razoavelmente tranqüila. A mudança desestabilizou o ambiente e acabou se mostrando inócua, já que o substituto Válter Lima venceu apenas um dos seis jogos que disputou.

5) A insistência em assuntos menos importantes. Em vez de procurar reforços para o time, o presidente Luiz Omar Pinheiro preferiu gastar o tempo com a briga contra a transmissão dos jogos do Paysandu para Belém pela TV Cultura. Ou ainda na tentativa inverossímil de contratar o já aposentado atacante Edmundo.


Ditadura da magreza

24/05/2009

A série C está longe de ser uma passarela de MODA, mas, pelo menos para os clubes paraenses, a primeira rodada foi marcada pela ditadura da MAGREZA. Vitórias pelo chamado placar mínimo, tanto no COLOSSO DO BENGUÍ quanto no simpático e aprazível ROSENÃO, no sudeste do Pará.

Em Belém, 17 mil torcedores foram ao Mangueirão prestigiar a estreia do PAYSANDU contra o Sampaio Corrêa. E o Papão não se fez de rogado. Logo no começo do jogo, chamou os maranhenses para o CARIMBÓ e fez 1×0 com uma cabeçada meio desajeitada de Zé Carlos, atacante que não cumpria seu ofício de estufar o FILÓ havia dois meses. Parecia que ia rolar uma saraivada histórica, só que o Bicola fraquejou. Tomou bola na trave e o escambau. O que poderia ser uma partidaça virar um JOGUINHO SAFADO, principalmente por causa da chuva. Ficou no 1×0 mesmo.

Em Parauapebas, o BRIOSO Águia de Marabá recebeu o não menos impetuoso Rio Branco. Não tenho muitas informações a respeito deste EMBATE, mas vi que o PRÉLIO foi decidido no início do segundo tempo com um gol de cabeça de Bruno Rangel, que tinha entrado no intervalo. Os conterrâneos de CHICO MENDES jogaram com tanto ímpeto como se tivessem um SERINGAL a defender, mas o escrete azul conseguiu segurar o resultado e garantir os três pontos na primeira rodada.

O LOVER DANCE, que assistiu a tudo isso de camarote em sua plantação de soja, estreia na semana que vem contra o Rio Branco. O Águia joga fora de casa contra o BOLÍVIA QUERIDA. O Paysandu será o agraciado com um RECESSO na próxima rodada. Volta a jogar só daqui a três semanas, contra o Rio Branco.

31/05
Rio Branco x Luverdense
Sampaio Corrêa x Águia

14/06
Paysandu x Rio Branco
Luverdense x Águia


E começa o baile…

23/05/2009

Esqueçam os novos craques badalados, as transmissões concorridíssimas na TV, as disputas por vagas em competições internacionais… É nos rincões do país, em campos não necessariamente ESMERALDINOS e frequentados por OUTSIDERS da bola, que começa a ser disputado neste domingo aquele que talvez seja o mais brasileiro dos campeonatos: a TERCEIRONA. É uma saraivada de TERÇADADAS no escuro: 20 clubes das 5 regiões do país disputando 4 vagas na série B do ano que vem.  Tudo isso num espírito de arrancadão: uma EQUIPA pode garantir o acesso depois de passar por apenas 10 jogos. Para o leitor perceber o caminho encurtou, ano passado os privilegiados que subiram para a Segundona duelaram 32 vezes.

Mas não pense que menos jogos tornam a disputa menos ferrenha. Os participantes do CERTAME estão divididos em quatro grupos regionalizados com cinco clubes cada um. Enfrentam-se entre si em turno e returno. Os dois melhores SEGUEM para a segunda fase. O pior colocado de cada chave cai para a QUARTONA/2010. Ou seja, afinou-se a linha que separa uma campanha ORDINÁRIA de um VEXAME completo.

Os representantes do Pará (Paysandu e Águia de Marabá) estão juntos no grupo 1 do campeonato, ao lado de RIO BRANCO, SAMPAIO CORRÊA e LUVERDENSE (que alguns criativos rebatizaram como LOVER DANCE). É uma chave que pode até parecer inofensiva, mas que certamente será disputada com a fúria dos principais DESMATADORES da Amazônia. Chico Mendes teria medo de jogar essa terceirona. O clássico entre os revolucionários da CABANAGEM e da BALAIADA não seria tão pujante quanto um jogo deste grupo.

Travinha se coloca a serviço dos palpiteiros profissionais e amadores e traz algumas CONJECTURAS para a chave AMAZÔNIA LEGAL da Terceirona.

PAYSANDU – é o favorito disparado. Campeão paraense com sobras, chega à terceirona com um bom elenco, um bom treinador e com a expectativa de colocar pelo menos 30 mil torcedores por jogo no Mangueirão. Tem na MEIÚCA os principais nomes do time: Vélber (eleito o craque do campeonato paraense) e Zeziel (autor de quatro gols nos dois jogos da final do estadual).

ÁGUIA DE MARABÁ – foi o melhor paraense na Terceirona do ano passado e ficou a apenas um gol do acesso à série B. Este ano, não foi tão bem no estadual mas REVERBEROU-SE pela Copa do Brasil, depois de eliminar o América Mineiro na casa do adversário e de vencer o Fluminense de Fred e Parreira em Belém. Perdeu três jogadores importantes (o goleiro Ângelo, o meio-campo Flamel e o atacante Aleílson), mas contratou reforços à altura. Pode complicar a vida dos adversários no acanhado ROSENÃO, em Parauapebas. Deverá disputar uma das vagas na segunda fase.

LUVERDENSE – segue o jeito BARUERI de ser. Clube novo (quatro anos de fundação), com apoio financeiro forte da prefeitura e uma estrutura razoável. Acabou de conquistar o MATOGROSSENSÃO pela primeira vez e chega com força para fazer frente ao favorito Paysandu. Tem como destaques dois jogadores conhecidos pela torcida paraense: o TAPA PENALES Ronaldo e o habilidoso camisa 10 Maico Gaúcho.

RIO BRANCO – ano passado, saiu apavorando nas três primeiras fases da série C. No octogonal final, acabou perdendo para o cansaço das longas viagens entre o Acre e o resto do Brasil. Este ano, começou mal. Saiu da Copa do Brasil na primeira fase, não chegou nem à final do ACREANÃO… A diretoria investiu na contratação de reforços para a Terceirona, mas o Estrelão dificilmente passa para a segunda fase.

SAMPAIO CORRÊA – merecia um prêmio só pelo apelido BOLÍVIA QUERIDA, provavelmente o mais legal do Brasil. Só que na Terceirona, vai ser difícil ver o tricolor maranhense emplacar. Com um elenco que tem nomes como THIAGO MIRACEMA, CÉLIO CODÓ e está à espera da regularização do MATADOR Lindoval, não há muita expectativa. Quartona fácil no ano que vem!

A primeira jornada, neste domingo (24-05):

16h – Águia x Rio Branco

18h – Paysandu x Sampaio


O “tapa penales” de Lucas do Rio Verde

18/05/2009

ronaldo goleiro

O goleiro Ronaldo, que jogou no Paysandu entre 1998 e 2008, foi o herói da conquista do título mato-grossense pelo Luverdense, neste domingo. E assim como fez no Bicola várias vezes, ele se consagrou na decisão por pênaltis. A final foi contra o Araguaia, no estádio Bilinão, no município de Alto Araguaia. No tempo normal, foram muitas chances desperdiçadas pelos dois times. Inclusive por outro velho conhecido do torcedor paraense, o meio-campo Maico Gaúcho, que também está no Luverdense. O jogo terminou 0×0 e a decisão foi para os pênaltis. E aí brilhou a estrela de Ronaldo. Com os pés, ele defendeu a cobrança de Fabinho. Com a mão esquerda, impediu o gol de Newman. Leandro fechou a série: Luverdense 4, Araguaia 2. O resultado deu ao Luverdense o título estadual pela primeira vez.

Pelo Papão, Ronaldo se acostumou a ser decisivo nos pênaltis. Em 2005, na decisão do primeiro turno do Parazão contra o Remo, ele defendeu três cobranças. No segundo turno, ele se destacou de novo, defendendo o pênalti de Barata. E o Papão conquistou o título estadual por antecipação. Em 2006, o Remo foi a vítima de novo: mais uma cobrança defendida e taça garantida na final do primeiro turno. E na decisão do campeonato, contra o Ananindeua, pegou duas cobranças e levou o Papão ao bi.

Na série C, o Luverdense é um dos adversários do Paysandu na primeira fase. Será que Ronaldo “pega-penais” vai atravessar o caminho do Papão?


43

10/05/2009

paysandu campeão

Deu a lógica. Por mais que o São Raimundo tenha demonstrado a força que lhe faltou na primeira partida da decisão, o Paysandu venceu o jogo de volta da final e conquistou com todos os méritos o campeonato paraense de 2009. É o 43º troféu estadual na estante do Papão, que desempatou a disputa com o Remo e passou a ser o maior vencedor do Parazão.

O melhor time do campeonato colhe o que plantou. Começou a preparação mais cedo, escolheu o treinador e os reforços com uma razoável antecedência, fez uma pré-temporada bem organizada, corrigiu erros durante a competição e cresceu nos momentos decisivos. Os atritos com a imprensa, que provocaram dias tempestuosos na Curuzu, acabaram não comprometendo o bom conjunto que já se havia criado. Agora, o Papão sai fortalecido do estadual e chega ao campeonato brasileiro da série C como favorito ao acesso.


Fim da folga

08/05/2009

Caros leitores, o recesso terminou. Meus dias portenhos foram interessantes, com direito à perda de um “cabaço bombonerense”. Pela primeira vez, assisti a um jogo no mítico estádio do Boca Juniors. E a torcida xeneize, apesar de impressionante, ainda me pareceu menos louca que a do Rosario Central (que conheci pessoalmente e relatei neste post).

De longe, acompanhei ao placar de tênis na primeira decisão do campeonato paraense. Não imaginava que o jogo entre Paysandu e São Raimundo fosse tão desequilibrado, por mais que o Pantera tenha feito várias partidas pífias contra o Papão nesta temporada. A conversa de água batizada com sonífero ou de corpo mole parece mais desculpa de mau perdedor do que outra coisa. Não há o que discutir: o título é do Paysandu, com todos os méritos e sem a mínima possibilidade de surpresa na final deste sábado.

Depois da cerimônia da entrega da taça, as atenções se voltam para o campeonato brasileiro. O Papão já começa a se azeitar para a Terceirona, competição em que dificilmente deixará de ser um dos favoritos ao título. O Pantera, que vai disputar a Quartona, tenta segurar o assédio em cima de jogadores como Michel e Hélcio para os clubes paraenses da série C.


Remo vence o Re-Pa 700

12/04/2009

Alguém precisa arrumar as estatísticas de internações em UTIs cardiológicas do Pará neste domingo. O herói que conseguir esse número certamente vai encontrar um recorde absoluto na história hospitalar do estado. Porque, me perdoem o clichê, o Re-Pa 700 foi de arrebentar átrios, ventrículos e sistemas circulatórios completos.

 

Antes do jogo, os analistas cartesianos do futebol cravariam palpites secos no Paysandu. O Papão tem um time superior, tem a melhor campanha, o Remo tinha acabado de sofrer uma derrota para o Flamengo batendo uma bolinha vexatória… E o Bicola ainda jogava pelo empate. Bastava jogar o feijão com arroz para segurar qualquer ímpeto dos remistas.

 

Só que um jogo de futebol não se ganha com logaritmos, regras de três e nem fórmulas mirabolantes. É preciso mais coração do que lógica. E foi isso que o Remo colocou em prática desde o primeiro minuto de jogo. Na base do abafa, o Leão abriu o placar com menos de 10 minutos de bola rolando. E numa partida impecável dos zagueiros Rogério Corrêa e Márcio Pereira, superou toda a pressão que tomou do Paysandu no primeiro tempo. Era chutão prum lado, cabeçada pro outro… Como tem que ser. E o Remo ainda fez 2×0 no finalzinho da primeira etapa com um gol de pênalti.

 

No segundo tempo, o Paysandu continuou botando sufoco. E quase se deu bem numa confusão sem precedentes criada pelo árbitro gaúcho Leandro Vuaden. Num lançamento para o ataque do Bicola, Zé Augusto recebeu a bola em impedimento depois que o zagueiro remista Rogério Corrêa tocou com a mão. Na hora, o juiz apitou marcando pênalti. Depois de consultar o bandeirinha, voltou atrás e marcou impedimento. Aí o bate-boca aumentou. Inseguro, o homem do apito voltou ao auxiliar e mudou de opinião novamente: assinalou o penal a favor do Paysandu. Só para dramatizar ainda mais a história, Rossini chutou na trave.

 

O quiproquó acabou rendendo cinco minutos de acréscimo no fim do jogo. Logo aos 46, Reinaldo marcou o gol de honra do Paysandu e fez com que os remistas temessem a eliminação no campeonato estadual e o fracasso na conquista de uma vaga para a série D do brasileiro. Foram quatro minutos de ecocardiogramas batendo no teto, e o Papão acabou ficando só no quase.

 

O Remo vai decidir o segundo turno do Parazão com o São Raimundo, que venceu o Águia por 3×2. O primeiro jogo é no dia 19 em Belém. O segundo, no dia 26 em Santarém. O vencedor pega o Paysandu na decisão do campeonato, nos dias 3 e 10 de maio.


Raio-x das semifinais

11/04/2009

Assim como os campeonatos carioca, paulista, mineiro e gaúcho, o Parazão 2009 também pega fogo neste domingo de páscoa. Teremos as semifinais do segundo turno. Em uma chave, um confronto entre equipes do interior. Na outra, um clássico disputado antes da decisão e marcado por nervosismo e mistério.

 

Em Santarém, o São Raimundo recebe o Águia de Marabá. O alvinegro santareno terminou a fase de classificação na liderança e, por isso, entra em campo com duas vantagens: precisa só de um empate para chegar à final e joga em casa, no estádio Barbalhão. Os 15 mil e 800 ingressos colocados nas bilheterias estão esgotados. Já estavam quase todos vendidos na quinta-feira. O time marabaense quer continuar provando que jogar longe de casa não é obstáculo para as boas equipes. Como o estádio de Marabá não tem condições de segurança para jogos de grande porte, o Águia tem sido forçado a jogar longe da cidade desde a fase final série C do ano passado. Ainda assim, foi o quinto colocado no campeonato brasileiro e só não subiu para a segundona porque perdeu para o Duque de Caxias no critério de gols marcados. E no Parazão, chegou com tranqüilidade às semifinais do segundo turno depois de bater na trave no primeiro.


Já o estádio Mangueirão vai receber o Re-Pa de número 700. É um clássico histórico não só pelo número que vai alcançar, mas também pela possibilidade de a temporada 2009 acabar para o Remo. O Leão precisa ser pelo menos vice-campeão estadual para conquistar uma vaga na série D do campeonato brasileiro. Como o Papão faturou o primeiro turno e o primeiro lugar na decisão do título, uma derrota no clássico significa o fim da linha para os azulinos. Aliás, um empate tem esse poder, já que o Papão tem a vantagem. O Paysandu, mesmo tranqüilo, não quer deixar escapar a oportunidade de conquistar o segundo turno e matar o campeonato sem uma final extra.

 

Para ajudar a compreender o clima das semifinais do segundo turno do Parazão, Travinha faz um breve raio-X das quatro equipes participantes.

 

São Raimundo

 

01-sao-raimundo

 

Campanha no segundo turno: 1º lugar, com 16 pontos, 5 vitórias, 1 empate, 1 derrota, 14 gols marcados e 8 sofridos.

 

Campanha geral: 2º lugar, com 33 pontos, 10 vitórias, 3 empates e 4 derrotas, 31 gols marcados e 21 sofridos.

 

Artilheiro: Hélcio, com 12 gols

 

Ponto forte: o conhecimento que o técnico Valter Lima tem do elenco. Nomes desconhecidos que saem do banco de reservas se transformam em armas importantes com a maior facilidade.

 

Ponto fraco: o time parece tremer em momentos de pressão. Na semifinal do primeiro turno, só passou pelo Remo porque tinha a vantagem do empate. Na final contra o Paysandu, tomou de 3×0 no primeiro jogo. Venceu o segundo por 3×2, quando ninguém mais acreditava que o Pantera pudesse reagir.

 

Águia

  01-aguia1

 

Campanha no segundo turno: 4º lugar, com 14 pontos, 4 vitórias, 2 empates, 1 derrota, 15 gols marcados e 10 sofridos.

 

Campanha geral: 4º lugar, com 24 pontos, 7 vitórias, 3 empates, 4 derrotas, 27 gols marcados e 22 sofridos.

 

Artilheiro: Felipe, com 7 gols.

 

Ponto forte: o meio-campo. Os volantes Analdo e Marabá são eficientes no desarme e no toque de bola. O armador Flamel é o jogador mais criativo do time e quase sempre perfeito nas cobranças de falta.

 

Ponto fraco: o ataque do Águia tem os piores números entre os semifinalistas. A média de gols é inferior a dois por jogo. Se Felipe está em boa fase, Aleílson continua com o costume de desperdiçar chances incríveis na frente da trave.

 

Paysandu

01-paysandu

 

Campanha no segundo turno: 2º lugar, com 16 pontos, 5 vitórias, 1 empate, 1 derrota, 13 gols marcados e 9 sofridos.


Campanha geral: 1º lugar, com 39 pontos, 12 vitórias, 3 empates, 2 derrotas, 42 gols marcados e 24 sofridos.

 

Artilheiro: Zé Carlos, com 9 gols.

 

Ponto forte: os números. Eles comprovam que o Papão é o melhor time do campeonato. É o que mais venceu, é o que menos perdeu, é o que mais marcou gols… A defesa, que foi o calo do time no primeiro turno, melhorou bastante no segundo. Sem contar que o clube já está na final do campeonato, graças ao título do primeiro turno.

 

Ponto fraco: a guerra de nervos em que o time se meteu por causa da mania de perseguição com a imprensa. Édson Gaúcho chegou a interromper um treino tático de portões fechados porque viu que cinegrafistas acompanhavam a movimentação da janela de um prédio vizinho.

 

Remo

01-remo

 

Campanha no segundo turno: 3º lugar com 14 pontos, 4 vitórias, 2 empates, 1 derrota, 16 gols marcados e 7 sofridos.

 

Campanha geral: 3º lugar com 26 pontos, 7 vitórias, 5 empates, 3 derrotas, 29 gols marcados e 21 sofridos.

 

Artilheiro: Helinho, com 6 gols.

 

Ponto forte: a reação da equipe no segundo turno. O time foi mais regular, Helinho passou a se destacar como o homem de referência no ataque e Rogério Corrêa virou o xerifão da zaga remista.

 

Ponto fraco: a pressão. Um fracasso no clássico deste domingo dá ao Remo um buraco de nove meses sem competições oficiais. E os jovens jogadores do Leão já demonstraram no jogo contra o Flamengo que ainda não aprenderam a lidar com uma tensão tão grande.


A 10 jogos do acesso

25/03/2009

A CBF divulgou nesta terça-feira a tabela e o regulamento da série C em 2009. O formato da disputa este ano torna o acesso infinitamente mais fácil do que nos anos anteriores. Os confrontos depois da primeira fase serão todos no sistema de mata-mata, o que leva um clube a precisar de apenas 10 jogos para subir para a série B: oito na primeira fase mais dois do primeiro mata-mata. O caminho mais curto é fruto do enxugamento da competição. Ano passado, os clubes que subiram da terceira para a segunda divisão fizeram 32 jogos.

 

No total, a terceirona de 2009 terá apenas 19 datas. Os jogos serão apenas aos domingos. Vai ser um campeonato de tiro curto e inegavelmente menos atraente do que o formato “todos contra todos em pontos corridos” das séries A e B. Mas há alguns clubes que não devem reclamar da mudança. Entre eles, o Paysandu.

 

O Papão montou um time para um campeonato muito mais forte do que o que será disputado. Tem condições de sobrar na competição e de voltar à série B com folga. Só vai precisar arrumar uma solução para manter o elenco em atividade até dezembro, já que muitos jogadores têm contrato até o final do ano e o segundo jogo da final da Terceirona é no dia 20 de setembro.

 

Por outro lado, todos os clubes precisam ter cuidado com o risco de rebaixamento, já que o lanterna de cada grupo da primeira fase cai para a série D em 2010. Não vai mais haver aquela longa agonia pela qual o Remo passou em 2007: meses e meses na zona da degola, mas ainda com chances de se livrar. Vacilou, caiu. O Águia, que tem vivido um 2009 muito inconstante, tem que se cuidar.

 

Confira a tabela da primeira fase para os clubes paraenses. Ambos estão no grupo A, ao lado de Rio Branco (AC), Sampaio Corrêa (MA) e Luverdense (MT):

 

24/05

Paysandu x Sampaio Corrêa

Águia x Rio Branco

 

31/05

Sampaio Corrêa x Águia

 

14/06

Paysandu x Rio Branco

Luverdense x Águia

 

21/06

Águia x Paysandu

 

28/06

Luverdense x Paysandu

 

05/07

Paysandu x Águia

 

12/07

Rio Branco x Paysandu

Águia x Luverdense

 

19/07

Paysandu x Luverdense

 

26/07

Águia x Sampaio Corrêa

 

02/08

Sampaio Corrêa x Paysandu

Rio Branco x Águia


Simplesmente Zé

23/03/2009

ze-augusto

 

O diminutivo de um dos nomes mais comuns no Brasil geralmente é utilizado fora de contexto de uma forma pejorativa. “Fulano de tal é muito Zé!”, diz alguém que quer se referir ao interlocutor como alguém desprovido de esperteza. Quem se apropria do apelido monossilábico desse jeito certamente não conhece José Augusto da Conceição, o Zé Augusto.

 

No Re-Pa deste domingo, Zé fez algo com o que está acostumado: decidir os jogos a favor do Paysandu. Já são 13 anos de bons serviços prestados, em competições que vão desde o brasileiro da série C até a Libertadores da América. No último clássico, entrou aos 31 minutos do segundo tempo. A partida estava equilibradíssima, aberta. Era um 0×0 que proporcionava o risco intermitente de uma vitória (merecida para cada lado). Foi aí que Zé, apenas dois minutos depois de entrar, deu o xeque-mate. A jogada começou com um belíssimo lançamento de Roni. Quem recebeu foi Balão, parceiro de Zé no Paysandu há pelo menos sete anos. Balão cruzou e o veterano atacante completou com um toque sutil para o fundo das redes.

 

Foi o suficiente para decidir o Re-Pa de número 699 e acabar com o tabu de quase 3 anos sem vitórias do Paysandu em clássicos. Zé ainda tentou retribuir com um cruzamento na medida para Balão a poucos minutos do fim do jogo. Mas a pontaria ruim da cabeçada do companheiro, talvez obediente à sina de Zé, fez com que o mérito do gol da vitória ficasse quase que exclusivamente ao atacante de apelido comum.

 

Aliás, apelido é o que não falta para Zé Augusto. Zé Maluco, Zé da Fiel, Terçado Voador, Zé Doido… Um cardápio riquíssimo para os bicolores se embriagarem de gratidão.

 

Garrincha costumava chamar de “João” os adversários a quem driblava. Quem sabe um nome não menos brasileiro possa começar a batizar aqueles que ganham a torcida pela garra e pela predestinação. Simplesmente Zé.

 

O Re-Pa em drops

 

re-pa-22-03

 

- Belíssima partida das zagas de Remo e Paysandu. Do lado bicolor, Roni e Luciano mostraram uma sintonia que ainda não tinha sido vista neste Parazão. Do lado remista, Rogério Corrêa e Márcio Pereira foram menos técnicos, mas igualmente eficazes.

 

- Artur Oliveira poderia ter tido sorte melhor se fosse mais ousado. Só abandonou o esquema com três volantes depois que o Remo tomou o gol. Antes disso, Jaime ficou sobrecarregado na armação das jogadas. E Diego Maciel e Marlon não acompanharam o bom desempenho de Ramón na contenção. E mais: Helinho foi figura apagadíssima no ataque.

 

- A diretoria do Paysandu decidiu premiar os jogadores e a comissão técnica com 10% da renda recebida pelo clube no jogo. Além do gordo bicho, o dinheiro vai servir para adiantar o pagamento da folha salarial de março.

 

- O Re-Pa de número 700 pode nem acontecer este ano, caso Remo e Paysandu não se enfrentem nas semifinais ou finais do segundo turno ou ainda na decisão do campeonato.

 


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