O “tapa penales” de Lucas do Rio Verde

18/05/2009

ronaldo goleiro

O goleiro Ronaldo, que jogou no Paysandu entre 1998 e 2008, foi o herói da conquista do título mato-grossense pelo Luverdense, neste domingo. E assim como fez no Bicola várias vezes, ele se consagrou na decisão por pênaltis. A final foi contra o Araguaia, no estádio Bilinão, no município de Alto Araguaia. No tempo normal, foram muitas chances desperdiçadas pelos dois times. Inclusive por outro velho conhecido do torcedor paraense, o meio-campo Maico Gaúcho, que também está no Luverdense. O jogo terminou 0×0 e a decisão foi para os pênaltis. E aí brilhou a estrela de Ronaldo. Com os pés, ele defendeu a cobrança de Fabinho. Com a mão esquerda, impediu o gol de Newman. Leandro fechou a série: Luverdense 4, Araguaia 2. O resultado deu ao Luverdense o título estadual pela primeira vez.

Pelo Papão, Ronaldo se acostumou a ser decisivo nos pênaltis. Em 2005, na decisão do primeiro turno do Parazão contra o Remo, ele defendeu três cobranças. No segundo turno, ele se destacou de novo, defendendo o pênalti de Barata. E o Papão conquistou o título estadual por antecipação. Em 2006, o Remo foi a vítima de novo: mais uma cobrança defendida e taça garantida na final do primeiro turno. E na decisão do campeonato, contra o Ananindeua, pegou duas cobranças e levou o Papão ao bi.

Na série C, o Luverdense é um dos adversários do Paysandu na primeira fase. Será que Ronaldo “pega-penais” vai atravessar o caminho do Papão?


Morre Neves, eterno ídolo do Remo

23/04/2009

neves

** Publicada no Amazônia Jornal de hoje

Faleceu às 14h30 horas de ontem, no hospital Porto Dias, o ex-jogador e ídolo do Clube do Remo Fernando Jucá Neves, o ‘Nevasca’ ou simplesmente Neves. Neves, que sofria de diabetes, teve seu quadro agravado por complicações renais e não resistiu. O jogador ficou famoso pela versatilidade em campo – jogava tanto de ponta esquerda como de ponta direita -, habilidade com a bola nos pés e fama de boêmio que carregava pelos clubes por onde passou. O velório aconteceu na igreja Capuchinhos. Neves tinha 63 anos.

Apesar de ter se consagrado com a camisa azulina, Neves começou a jogar futebol na equipe juvenil do Paysandu. Esta equipe, aliás, contava com craques como freitas, Sálvio e Garrinchinha, e ficou famosa depois de conquistar o heptacampeonato da categoria no período de 1956-1962. Em 1964, o jogador transferiu-se para o Remo depois de um pedido muito especial. ‘Não é que o Neves não fosse remista, mas o pai dele, Seu Jucá, era azulino demais’, conta o jornalista Expedito Leal, que revela ainda o apelido do craque. ‘No exagero, chamávamos de ‘o Garrincha do Norte’’.

Depois de conquistar títulos com a camisa do Clube do Remo, o talento de Neves chamou a atenção de grandes clubes do futebol brasileiro e ele transferiu-se para o Botafogo-RJ, onde passou pouco tempo, já que, com o preço de seu passe muito alto, as duas diretorias não chegaram a um acordo. Neves teve ainda uma passagem pelo Fluminense-RJ. Neste período, fez amizades com jogadores e torcedores influentes do futebol carioca, inclusive com tricolores fanáticos. ‘Lá no Rio de Janeiro o Neves se deu muito bem. Logo fez amizades e curtia muito a vida boêmia da cidade. Um dos parceiros dele na noite era o cantor Chico Buarque, que também gostava de farra, mas não como o Neves’, conta Expedito.

Neves ainda passou por Fortaleza-CE, Operário-SC e Tuna Luso como jogador. Sua última temporada com profissional foi em 1974, com a camisa cruzmaltina. Em 1976, Neves candidatou-se ao cargo de vereador municipal. Foi eleito com status de vereador mais votado e exerceu um atípico mandato com seis anos de duração. Neste tempo, não fez nenhum pronunciamento na Câmara Municipal. ‘Na única vez em que pediu a palavra foi prontamente atendido pelo presidente da Casa, que anunciou à bancada que o Neves faria um pronunciamento. Percebendo um mal-entendido, ele se justificou: ‘Não quero falar, não. Só queria avisar que tem uma goteira em cima da minha mesa’’.

Durante velório, amigos falam com saudade do ex-atleta

O velório do corpo de Fernando Jucá Neves aconteceu na madrugada, na capela mortuária da Igreja dos Capuchinhos, em meio à emoção de familiares e amigos, incluindo ex-atletas do Remo e do Paysandu. Dessa capela sairá às 15 horas de hoje em direção ao Cemitério de Santa Izabel, no bairro do Guamá. Neves faleceu às 14h30 horas de ontem, na Clínica Porto Dias, onde estava internado em virtude de complicações provocadas pelo diabetes. ‘Assim como existem os imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL), existem os imortais do futebol. O Neves é imortal. Ele apenas viajou, continua com os dribles dele’, afirmou Beto, ex-meio-campo do Paysandu, que chegou a atuar junto com ‘Nevasca’ na Seleção Paraense de Futebol, e contra Neves atuando com a número 11 do Clube do Remo.

Para o ex-lateral-esquerdo do Paysandu Zé Luquita (José Luís) o momento é de saudade. ‘Nós fomos amigos por 20 anos, e isso será para sempre. Eu joguei contra ele, eu pelo Paysandu e ele, pelo Remo. Mas, primeiro, nós fomos campeões profissionais pelo Paysandu, antes de ele ingressar no Remo. Ele sempre foi remista’. Para Lupercínio, também ponteiro-esquerdo, Neves ‘não foi apenas um grande jogador, foi um grande homem’. ‘Ele sempre foi uma pessoa alegre, mesmo nas situações difíceis. É uma grande perda para o futebol paraense e como pessoa, como amigo.’ Ex-jogador da Juventus (SP), João Caldas teve em Neves um grande amigo, por 40 anos. ‘Foi um amigo honesto e sincero, um excelente profissional e pai’, ressaltou. Também compareceram ao velório de Neves jogadores como Gereba, Paulinho e Wandick.

Os vereadores Carlos Augusto Barbosa e Pio Neto estiveram na capela mortuária, encontrando-se com familiares e amigos do ‘Nevasca’. A viúva de Neves, dona Lila, irmã do ex-vice-governador Hermínio Calvinho, e a filha Lívea foram consoladas pelo sobrinho Hermínio Calvinho Júnior, que informou ter nascido no dia 27 de março o neto de Neves, filho de Lívea. ‘Ele foi um jogador brilhante, tanto que foi considerado pela Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Pará (Aclep) como o ponteiro-esquerdo do Século 20′. O caixão de Neves está coberto com a bandeira do Clube do Remo.


Sobre Remo x Flamengo

07/04/2009

 - Nos treinos após a vitória sobre o Castanhal pelo Parazão, o técnico do Remo Artur Oliveira não escondia a preocupação com o lateral do Flamengo Léo Moura. Tanto que tinha até pensado num esquema tático diferente para conter os avanços do ala ao ataque. Sorte ou simples traquinagem do destino, Léo Moura está entre os titulares poupados por Cuca para o jogo desta quarta-feira. Artur deve agradecer ao colega flamenguista ou se preocupar com o substituto?

 

- Falando em Artur, o técnico remista cometeu uma gafe involuntária ontem à noite. Foi ao aeroporto buscar o filho que chegava de Rio Branco, mas acabou dando de cara com centenas de torcedores rubro-negros que esperavam a chegada do Flamengo para tietar os jogadores. Artur ficou visivelmente sem graça ao perceber a situação, mas deu sorte por ter encontrado muitos fla-remistas no saguão de desembarque.

 

- O técnico Cuca driblou as entrevistas na chegada a Belém, apesar de ter uma história na cidade. O Remo foi um dos últimos clubes do ex-craque do Grêmio na carreira como jogador. Em 1994, o então meia-atacante marcou dois gols na campanha do Leão no campeonato brasileiro da série A. Um deles foi uma pintura na goleada de 5×1 em cima do Cruzeiro em pleno Mineirão. Em 1999, já como treinador, Cuca voltou a Belém no comando do Avaí para enfrentar o Remo. O Leão venceu por 7×1 e Cuca talvez tenha se arrependido de existir naquela noite. Em 2001, Alex Stival foi contratado para comandar o Remo, que andava entre trancos e barrancos na série B. Perdeu um Re-Pa na Curuzu e caiu com o time para a lanterna do campeonato, mas comandou uma reação com quatro vitórias consecutivas. Só que algumas rodadas mais tarde, perdeu três jogos consecutivos e pediu o boné. Sem Cuca, o Remo conseguiria se livrar do rebaixamento para a série C apenas na penúltima rodada. O treinador voltaria à cidade em 2005, comandando o Coritiba num jogo pela série A contra o Paysandu. A partida foi na semana anterior ao Círio de Nazaré e Cuca trabalhou vestindo uma camisa com a imagem de Nossa Senhora. A proteção da padroeira não adiantou e o Coxa perdeu por 3×1 para o Papão.

 

Confira o jogo em que Cuca arrepiou com a camisa do Remo:

 


Taça de Prata, 24 anos

06/04/2009

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Pobre Tuna Luso Brasileira. Sem calendário oficial até novembro, sem elenco, sem atenção…  De terceira força do futebol paraense, a Águia Guerreira do Souza virou uma espécie de outsider dos gramados da capital, que nem tem mais a tutela dos Gigantes do Norte para se orgulhar. Talvez essa zica intermitente tenha contribuído para que um importante aniversário passasse batido no último fim de semana. No último dia 4, fez 24 anos que a Lusa conquistou a Taça de Prata, o primeiro título nacional faturado por um clube paraense.

 

Pois é, já se passaram 24 primaveras desde que o bravo escrete comandado por José Dutra dos Santos chegou à glória. Uma glória com o caminho bem mais curto do que hoje, diga-se de passagem. Para um clube ser campeão da série B hoje, tem que enfrentar uma maratona de 38 jogos em turno e returno e pontos corridos. Em 1985, a briosa Tuninha fez apenas 10 partidas rumo ao caneco em menos de dois meses. Alguns podem usar este fato para desmerecer a conquista cruzmaltina, mas os guerreiros do Francisco Vasques só fizeram o que o regulamento exigiu. Qualquer contestação é puro recalque.

 

A peleja teve 24 clubes participantes. Eles jogariam em confrontos de mata-mata em três fases que reduziriam o número de equipes a 12, 6 e 3. A trinca sobrevivente jogaria um triangular em ida e volta para decidir o campeão. A trajetória da Tuna na temporada vitoriosa começou no dia 2 de fevereiro de 85: 0×0 com o Moto Clube em São Luís. Uma semana depois, no Baenão, a Lusinha atropelou os maranhenses: 3×0, com gols de Luiz Carlos, Paulo César e Mariolino. Na segunda fase, o adversário foi o Rio Negro do Amazonas. A classificação foi tranquila, com duas vitórias: 1×0 em Belém e 2×1 em Manaus. Na terceira fase, pintou um candidato mais forte a tirar a Tuna de circulação: o Fortaleza. O primeiro jogo, na capital cearense, terminou em um tenso 0×0. Mas na volta, em Belém, surgiu a alma de campeão no time tunante e o Tricolor do Pici foi humilhado no Baenão: 5×1. Paulo César marcou duas vezes, Luís Carlos outras duas e Ronaldo fechou a goleada. A Águia estava no triangular decisivo da Taça de Prata.

 

Os adversários no caminho da Lusa rumo ao título foram o Figueirense e o Goytacaz. A estréia foi contra o alvinegro catarinense em Belém e a Tuna faturou um magro 1×0 graças a um gol do matreiro atacante Puma, que havia entrado no decorrer da partida. Na segunda rodada, em Campos dos Goytacazes (RJ), outra vitória por 1×0, com um o gol do ponta-direita Tiago. Mesmo depois de uma derrota de 3×2 para o Figueirense em Floripa, a Águia chegou à última partida com uma vantagem de dois pontos sobre os oponentes. E ainda jogava em casa! Ou seja, a taça tava no papo…

 

No dia 4 de abril de 1985, 12.819 pessoas foram ao Mangueirão. Azulinos e bicolores engrossaram a torcida da Tuna, que só precisava de uma vitória para ser campeã. Nada muito complicado contra um time que tinha um goleiro chamado Gato Félix. O felino não buscou nenhuma bola no primeiro tempo, que terminou 0×0. O segundo tempo começou tenso, com o zagueiro Ronaldo, da Tuna, perdendo um pênalti a 12 minutos. Depois disso, desembestou a sair gol. Luiz Carlos abriu o placar para a Lusa aos 14. Dois minutos depois, Gaúcho Lima empatou. Paulo Guilherme fez Tuna 2×1 aos 23. Aos 31, Ronaldo marcou o terceiro. A vitória já se encaminhava para ser sacramentada quando Souza diminuiu a desvantagem do Goytacaz. E quando o árbitro baiano Ney Andrade Nunes Maia silvou seu apito, a Tuna era campeã brasileira e seria o único clube paraense a ostentar tal condição pelos seis anos seguintes. A Lusinha também seria a pioneira do estado a conquistar um bicampeonato nacional, em 1992. Conquistas que fazem a Águia dona de um presente que não é digno de seu passado.

 

 

TUNA LUSO 3 X 2 GOYTACAZ

Data: 04/04/1985

Local: Estádio Mangueirão

Árbitro: Nei Andrade Nunes Maia (BA)

Cartões amarelos: Mário, Quaresma e Paulo Guilherme (Tuna), Totonho

e Bel (Goytacaz)

Renda: Não disponível

Público: 12.819 pagantes

Tuna Luso: Ocimar; Quaresma, Ronaldo, Paulo Guilherme e Mário; Edgar,

Ondino, Queiróz; Tiago (Puma), Paulo César e Luís Carlos

Téc.: José Dutra

Goytacaz: Gato Félix; Totonho, Cléber, Fazolli e César; Gaúcho Lima,

Rubens Galaxe e Sousa; Bel, Paulinho (Da Costa) e Cosme (Edvaldo)

Técnico: Pinheiro

Gols: Luís Carlos aos 14′, Gaúcho Lima aos 16′, Paulo Guilherme aos 23′,

Ronaldo aos 31 ‘ e Sousa aos 78′


O misterioso caso de Andrey Benjó

29/03/2009

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Em 1996, o cenário do futebol paraense estava assim: o Paysandu tinha acabado de ser rebaixado para a Segundona depois de quatro anos na série A do campeonato brasileiro e já entrava na quarta temporada sem ganhar um jogo sequer contra o Remo. O Leão, tricampeão estadual, passara por um de seus maiores vexames recentes: a eliminação na Copa do Brasil com o histórico gol contra de Castor. Mas avançava no Parazão com relativa tranqüilidade, tendo inclusive emplacado uma goleada de 4×0 num Re-Pa.

Só que a aparente normalidade foi quebrada por um caso que não teve semelhante nos treze anos seguintes. No dia 12 de junho de 96, o Remo perdeu um de seus grandes candidatos a revelação da época. O atacante Andrey Benjó, de apenas 21 anos, morreu com um tiro na cabeça em circunstâncias que permaneceram inexplicadas até hoje. A tragédia foi possivelmente a última história que ultrapassou os noticiários esportivos para ganhar as páginas policiais no Pará.

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Andrey era cria das divisões de base do Leão. Aos 19 anos, durante o campeonato brasileiro da série B de 95, teve a primeira oportunidade no time profissional. Jogou duas partidas contra o Moto Clube e ajudou a livrar o Remo do rebaixamento para a série C. Acabou sofrendo do “mal de ser jogador paraense” e perdeu espaço depois da contratação de uma carrada de jogadores do Santos que se tornaram titulares naquela campanha. Só voltou ao elenco principal no início de 96, com o treinador Luizinho Lemos.

Nessa nova chance, Andrey chamou a atenção não apenas pela velocidade e pela habilidade. Era também irreverente ao ponto de ultrapassar os limites da noção. Costumava lançar desafios incomuns aos colegas como degustar insetos e quebrar cocos na cabeça. Brincadeiras à parte, estava sempre entre os relacionados para os jogos do Remo no campeonato paraense e na Copa do Brasil. O último foi no dia 9 de junho de 96. Andrey entrou no segundo tempo contra o Pinheirense e pouco ajudou na goleada de 4×0 do Leão. Apesar da atuação ruim, o garoto estava cotado para ser titular no jogo seguinte, contra o Vila Rica. Substituiria Ageu, que tinha levado o terceiro cartão amarelo. Já tinha dito ao técnico Valdemar Carabina: “professor, eu vou lhe dar uma boa dor de cabeça porque eu vou arrebentar nesse jogo de domingo”.

Só que três dias depois, a tragédia aconteceu. Andrey estava bebendo cerveja perto de casa com o volante Cléberton, vizinho no bairro da Cidade Nova e colega de Clube do Remo. Por volta das 2 da manhã, um vigilante passou por perto dizendo que tinha sido assaltado. Cléberton se prontificou a ajudá-lo: foi buscar um revólver Taurus calibre 32 e dez balas que comprara de um desconhecido no Baenão alguns dias antes. Mostrou a arma a Andrey e à namorada, mas mudou de idéia e decidiu não emprestá-la ao vigia. Andrey, então, pediu a arma dizendo que iria experimentá-la. Surpreendentemente, apontou-a contra a própria cabeça e puxou o gatilho. Uma bala estava no tambor. Foi o suficiente.

O atacante deu entrada no Hospital Belém ainda de madrugada. Às 17h20, teve a morte cerebral constatada. As funções cardiorrespiratórias de Andrey pararam definitivamente às 21h30. O desastre estava consumado.

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Enquanto Andrey era sepultado, Cléberton era apontado como responsável pela morte do amigo. Chegou a ser chamado de assassino, já que ninguém acreditava que o jogador brincalhão pudesse cometer suicídio ou uma brincadeira de mau gosto contra a própria vida. A polícia investigou o caso durante longas semanas e encontrou uma série de contradições na história contada pelo volante remista. A mão de Andrey não tinha vestígios de pólvora, o revólver de onde partiu o tiro sumiu e reapareceu, e pessoas que conheciam a vítima disseram que o atacante tinha medo de armas de fogo. Além do mais, logo após o baleamento, Cléberton teria dito uma frase que foi considerada um indício contra ele: “Eu matei meu irmão”. Quanto mais se fuçava, mais dúvidas surgiam. O caso acabou sem que se chegasse a uma conclusão precisa. E Cléberton não foi incriminado.

Apesar da tragédia e da comoção, o Remo ficou devendo uma homenagem decente para o jovem talento que morreu. No jogo contra o Vila Rica, quatro dias depois da morte, o Leão entraria em campo com dez jogadores e o décimo-primeiro entraria apenas cinco minutos depois. Repetiria-se, assim, o que o clube fez para lembrar o atacante Luizinho das Arábias, morto em 1989. Mas os jogadores remistas só entraram em campo com uma discreta fita preta na camisa. E ficou por isso mesmo: não demorou para o caso Andrey acabar esquecido pelo Remo, pelos torcedores e pela polícia. Hoje, a história representa uma dor profunda para família e nada mais que uma lembrança mórbida para os fãs de futebol.


Aquecimento do Re-Pa #01

19/03/2009

Neste domingo, Remo e Paysandu fazem o clássico de número 699. É o dérbi mais jogado do futebol brasileiro e a maior rivalidade da Amazônia. Para esta partida, a expectativa é de 40 mil torcedores no Mangueirão, já que os dois clubes estão empatados na liderança do segundo turno do campeonato paraense, ao lado do São Raimundo. Quem vencer, segue firme na briga pela classificação para as semifinais com a vantagem do empate. Quem perder, fica para trás. Se for empate, os dois rivais abrem espaço para o São Raimundo abrir na dianteira.

 

Mas não se precisa de tantos pretextos para sentir apreensão e esquentar o clima de um Remo x Paysandu. Todo paraense que ama futebol tem alguma boa história de arquibancada envolvendo o clássico para contar. Para você, que anda com a memória ruim, Travinha (com o suporte do You Tube) dá uma ajuda e relembra em pílulas alguns Re-Pas inesquecíveis dos últimos anos.

 

1994 – Remo 2×0 Paysandu

 

Poucos dias depois de o Brasil conquistar o tetra nos Estados Unidos, o Remo faturou o bi estadual no Mangueirão. A decisão é sempre lembrada pelos dois golaços do atacante Alex (que virou Alex Dias alguns anos depois).

 

1999 – Remo 1×0 Paysandu

 

O meio-campo Ailton ficou conhecido como predestinado depois de marcar o gol do título carioca do Fluminense em 95 e do título brasileiro do Grêmio em 96. Em 99, ele estava no Remo. Dá pra adivinhar quem decidiu o caneco do Parazão naquele ano?

 

2001 – Paysandu 3×1 Remo

 

Em 2001, o Mangueirão estava em reformas e os Re-Pas foram disputados no Baenão e na Curuzu. Na série B daquele ano, o Paysandu não se fez de rogado ao jogar em casa, venceu e abriu caminho para o segundo título nacional.

 

2005 – Paysandu 0×0 Remo (4×3 nos pênaltis)

 

O Parazão de 2005 deve ter provocado trauma de pênaltis na torcida azulina. Nas cobranças de penalidades, o Leão perdeu os dois turnos e, consequentemente, o campeonato. O goleiro Ronaldo foi o grande herói da temporada.


Jogos inesquecíveis – Remo 4×1 Tocantinópolis (2005)

05/03/2009

Não adianta a sua mulher insistir: futebol não é sempre igual. O velho papo de “22 marmanjos atrás de uma bola” não cola. O jogo não deve ser analisado de uma forma tão objetiva e simplista. A graça do futebol está na surpresa que cada amontoado de 90 minutos te reserva: uma reviravolta no placar, uma chuva torrencial que você tomou, um lance bisonho, uma polêmica envolvendo arbitragem… Enfim, o fato de que nenhum jogo igual ao outro.

 

E é pelo fato de cada partida ser especial à sua maneira que Travinha lança esta série. Tá, o tema é meio batido. Mas em se tratando de futebol paraense, a blogosfera está mal servida de relatos desse tipo.

 

Começamos voltando ao dia 18 de setembro de 2005. O Remo estava no meio da luta para voltar à série B do campeonato brasileiro. Tinha acabado de passar com relativa tranqüilidade pela primeira fase, contra Abaeté (PA), São José (AP) e São Raimundo (RR). Enfrentava então, no primeiro mata-mata da Terceirona, o não menos modesto Tocantinópolis. No primeiro jogo, no interior de Tocantins, o Leão perdera por 2×0. Não restava outra opção que não fosse vencer por pelo menos três gols de diferença.

 

Nas arquibancadas do Mangueirão, mais de 40 mil torcedores. Era um dos grandes momentos do “Fenômeno Azul”, apelido dado à torcida azulina que acabou carregando o time rumo ao título. Essas pessoas acabaram passando por uma verdadeira provação, um teste absurdo para o coração.

 

No primeiro tempo, o Remo abriu o placar com um toque rasteiro do atacante Capitão, que fazia sua estréia. Depois de um bate rebate na área do Tocantinópolis, Emerson fez 2×0. Com esse placar, o jogo já iria para os pênaltis. Mas fazer o terceiro seria uma questão de tempo.

 

Seria. No início do segundo tempo, o Tocantinópolis diminuiu com Lairson. Tensão generalizada no Mangueirão. O Leão precisaria marcar mais dois gols para se classificar para o segundo mata-mata da série C. O risco da eliminação dentro de casa, diante de dezenas de milhares de torcedores, era real. Quando Emerson mandou na trave uma cobrança de pênalti, virou filme de terror. Era o pesadelo de mais uma temporada na Terceirona, enfrentando Bambalas e Arimatéias e afundado numa crise sem precedentes.

 

Mas sempre há um pingo de sorte que resta para momentos como este. Depois de um cruzamento de André Barata, o zagueiro Magrão (que tinha ido ao ataque fazer sabe-se lá o quê) deu um chute espirrado, torto e tosco. Só que no caminho havia a barriga de um zagueiro do Tocantinópolis, que desviou a pelota para o fundo das redes. 3×1. O Leão ainda seria eliminado com este placar, mas a euforia da torcida já superava a agonia.

 

No pacote “my lucky day”, o Remo ainda se deu bem quando o árbitro Marcelo Bispo marcou um pênalti meio duvidoso do goleiro do Tocantinópolis em cima do atacante Landu. Osny cobrou e fez o gol que colocou o clube na terceira fase da série C.

 

Até a confirmação do título, apenas na última rodada, o Remo ainda passaria por outras provações desse tipo. Mas este jogo em especial é, sem dúvida, o mais emocionante da campanha do título nacional do Leão.

 


O último grande acesso

24/02/2009

 

Remo tricampeão paraense em 1991, base para o time que conquistou o acesso em 1992

Remo tricampeão paraense em 1991, base para o time que conquistou o acesso em 1992

 Numa época em que nem a vaga na série D está garantida, a torcida do Remo precisa apelar para a memória se quiser ter algum bom sentimento ligado ao campeonato brasileiro. Como o título da Terceirona em 2005 ainda está fresquinho na memória dos azulinos e cheio de informações e vídeos na internet, Travinha dá uma mão para relembrar outro grande momento do Leão em competições nacionais: o acesso à série A em 1992. Os torcedores rivais vão questionar, com alguma razão, que o acesso é bem mais fácil num torneio que dava 12 vagas na primeira divisão. Mas contra regulamentos, não há discussão.

 

Os campeonatos nacionais de 1992 foram influenciados pelo rebaixamento do Grêmio no ano anterior. Tudo o que vinha abaixo da série A teve alterações. Algumas profundas, outras superficiais. Primeiro foi o nome da série B, que se transformou em “Divisão Intermediária” e depois em “Divisão Classificatória”, provavelmente para não fazer com que os torcedores gremistas se sentissem de fato na segundona. A série B de 92 foi, na verdade, a terceira divisão, que acabou conquistada pela Tuna.

 

A mudança mais grotesca foi no regulamento. O campeonato teria 24 clubes. Mas a um mês do pontapé inicial, ganhou mais 8 participantes. Eram clubes indicados por seis federações que não tinham representantes no torneio. No final, foram 32 equipes divididas em quatro grupos de oito. Cada um tinha um cabeça de chave, que, coincidência ou não, os clubes que tinham que subir a qualquer custo: Santa Cruz, Vitória, Coritiba e Grêmio. O acesso era muito simples: os três melhores de cada grupo subiriam para a série A em 93. Moleza.

Luciano Viana, comprado em definitivo pelo Remo às vésperas do Brasileiro, era um dos craques do time

Luciano Viana, comprado em definitivo pelo Remo às vésperas do Brasileiro, era um dos craques do time

 

Era a grande oportunidade para o Remo, que tinha acabado de conquistar o tricampeonato estadual com uma belíssima equipe: o lateral Marcelo, o zagueiro Belterra, o volante Agnaldo e o atacante Luciano Viana eram apenas alguns dos craques e ídolos da torcida azulina, que tinha no meio-campo Artur o principal herói. Todos eram comandados por Waldemar Carabina, técnico que marcou época por ser não apenas competente como boa praça e sem frescuras. Carabina costumava, por exemplo, comandar treinos sem camisa. Algo impensável hoje em dia, em que assessores de imprensa tentam esconder qualquer sinal de amadorismo nos clubes.

 

O Leão caiu no grupo 2, cujo cabeça de chave era o Vitória. Os outros clubes eram Taguatinga-DF, Desportiva-ES, Anapolina-GO, Americano-RJ, Itaperuna-RJ e Confiança-SE. Como a disputa era em ida e volta, em 14 jogos já era possível saber se a primeira divisão seria uma realidade no ano seguinte.

 

A estréia foi no dia 9 de fevereiro, fora de casa: 2×0 sobre o Taguatinga. Depois, a derrota de 1×0 para o Anapolina quebrou uma invencibilidade de 8 meses do Remo. Na rodada seguinte, o Leão perdeu de 2×1 para a Desportiva e os jornais começaram a falar em crise. Só que o final da primeira metade desta fase do campeonato foi avassalador: quatro jogos em casa e quatro vitórias. As duas primeiras por goleada: 5×0 sobre o Itaperuna e 4×0 sobre o Confiança. Nestes dois jogos, o destaque foi o atacante Dicão, que marcou três gols. Depois, as vítimas foram o Vitória (3×1) e o Americano (3×1).

 

 

Na época, o então dirigente do Americano, Eduardo Vianna (o nada saudoso Caixa D´água), queria encrencar com o Remo. Dizia que o estádio Baenão não tinha as mínimas condições de receber jogos de campeonato brasileiro. Motivado ou não pela intriga, o Leão transferiu três dos sete jogos em Belém na primeira fase para o Mangueirão, que então se chamava Estádio Estadual Alacid Nunes. Outra controvérsia foi provocada por Raimundo Ribeiro, em seu primeiro mandato como presidente remista: ele cortou os ingressos subsidiados das torcidas organizadas, a quem acusava de provocar os tumultos responsáveis pelas queixas de Caixa D´Água.

Waldemar Carabina, o comandante remista no acesso

Waldemar Carabina, o comandante remista no acesso

Mas foi no Baenão que o Remo sofreu sua única derrota em casa na primeira fase: 4×3 para a Desportiva. E depois de uma vitória de 4×0 sobre o Taguatinga e de um empate em 0×0 com a Anapolina em Belém, o Leão saiu para quatro jogos fora de casa nas últimas quatro rodadas. Algo completamente impensável em qualquer bom regulamento. Contra o Vitória, derrota por 1×0. Contra o Confiança, vitória por 1×0. O jogo seguinte, contra o Itaperuna, praticamente garantiu o acesso. Foi no dia 12 de abril de 1992, no estádio Caio Martins, em Niterói. O Leão venceu por 2×1, com gols de Lamartine e Formiga. Índio descontou para o Itaperuna. Com a vitória, o Remo chegou a 17 pontos e já não podia mais ser superado pela Anapolina, quarta colocada com 13. O Leão estava de volta à primeira divisão. A vitória de 2×1 sobre o Americano dois dias depois, no estádio Godofredo Cruz, foi cumprimento de tabela.

 

 

Depois da maratona longe de casa, a volta da delegação azulina para Belém foi marcada por festa. Milhares de torcedores foram ao aeroporto de Val de Cães para receber os jogadores que reconduziram o Remo à elite do futebol brasileira. Outros tantos foram festejar na sede social do clube.

 

 

 

Como os 12 novos integrantes da série A já estavam definidos, a definição do título era quase um mero detalhe. Na segunda fase, foram formados três quadrangulares. O Remo jogou contra Fortaleza, Santa Cruz e Ceará e passou em primeiro lugar. Em seis jogos, venceu dois e empatou quatro. A terceira fase teve os oito melhores do campeonato divididos em duas chaves de quatro. O Leão voltou a enfrentar o Fortaleza e o Santa Cruz. O Vitória completou a chave. Desta vez, o time de Waldemar Carabina teve menos sucesso. Perdeu quatro dos seis jogos e ficou em último lugar no grupo, ficando fora das semifinais.

 

O Paraná Clube acabou campeão brasileiro da segunda divisão naquele ano, com o Vitória em segundo lugar. Mas o Leão (quinto lugar na classificação geral) festejou como se tivesse erguido o troféu. Lá se vão 17 anos desde o último acesso remista à série A. Algo que, hoje em dia, precisaria de mais três temporadas para acontecer, na melhor das hipóteses.

 

CAMPANHA DO REMO:

 

Primeira fase

2×0 Taguatinga (F)

0×1 Anapolina (F)

1×2 Desportiva (F)

5×0 Itaperuna (C)

4×0 Confiança (C)

3×1 Vitória (C)

3×1 Americano (C)

3×4 Desportiva (C)

4×0 Taguatinga (C)

0×0 Anapolina (C)

0×1 Vitória (F)

1×0 Confiança (F)

2×1 Itaperuna (F)

2×1 Americano (F)

 

Segunda fase

 

0×0 Santa Cruz (F)

0×0 Ceará (F)

2×0 Fortaleza (F)

2×2 Santa Cruz (C)

1×1 Ceará (C)

1×0 Fortaleza (C)

 

Terceira fase

 

1×2 Fortaleza (C)

0×1 Vitória (F)

1×2 Santa Cruz (F)

1×5 Fortaleza (F)

0×0 Vitória (C)

1×0 Santa Cruz (C)

 

Números: 26 jogos, 12 vitórias, 6 empates e 8 derrotas. 40 gols pró e 24 gols contra.

 

Artilheiros: Formiga – 9 gols. Artur – 7. Lamartine – 5. Agnaldo, Papelin e Dicão – 3. Edmilson e Luciano Viana – 2. Marcelo, Luís Carlos, Rildon, César, Alencar e Cláudio (Itaperuna, contra) – 1.

 

Time-base: Paulo Vítor; Marcelo, Belterra, Silvano e Luís Carlos (Paulo César); Agnaldo, Alencar e Arthur; Formiga, Luciano Viana e Lamartine. Técnico: Waldemar Carabina.


O primeiro Príncipe do Remo

22/02/2009

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O futebol proporciona conexões interessantes. A biografia de alguns astros às vezes se cruza com a história de clubes que você nem imaginava que tinham passado pela vida desses biografados. Um desses links diz respeito ao Remo.

 

Danilo Alvim foi um dos grandes médios (assim se costumava chamar os jogadores de meio-campo) na primeira metade do século 20. Fez parte do chamado “Expresso da Vitória”, o grande esquadrão do Vasco na década de 40. Além disso, foi titular da seleção brasileira na Copa de 50. Por causa da elegância e do futebol refinado, ganhou o apelido de Príncipe. Algo que servia como exemplo de superação para alguém que quebrou as duas pernas aos 19 anos. Danilo tinha tentado pegar um bonde e movimento e foi atropelado por um carro. Jogava no América do Rio e passou 18 meses parado.

 

Mas o que o Remo tem a ver com isso? É que depois de pendurar as chuteiras, Danilo começou a carreira de treinador. E foi no Baenão que ele viveu algumas de suas grandes temporadas, na virada dos anos 60 para os 70. Ajudou o clube a conquistar alguns de seus troféus mais importantes.

 

Começou em 68, quando o Leão conquistou o título paraense invicto. Danilo comandava um timaço, com craques como o zagueiro China e o atacante Rubilota. A partida decisiva foi um Re-Pa na Curuzu, que terminou empatado em 2×2.

 

Já em 69, mas ainda pela temporada de 68, Danilo Alvim comandou o Remo na conquista do título do Torneio do Norte de Clubes. Como o vencedor do Norte disputava outra taça com o vencedor do Nordeste, o campeonato era apelidado de Nordestão. Pois bem, o título de 68 foi vencido depois de uma decisão contra o Piauí. Os piauienses golearam na primeira partida por 5×1. O Remo venceu por 4×1 na volta. Na negra, deu Leão outra vez: 2×1, dois gols do atacante Adinamar.

 

Ainda em 69, o Remo foi bicampeão do Norte com a mesma base do primeiro título, reforçada pelo goleiro surinamês François (que viria a se tornar uma lenda no arco azulino). Na primeira fase, o Leão passou por um hexagonal ao lado de Paysandu, Tuna e mais três clubes amazonenses (Fast, Olímpico e Nacional). A decisão foi num quadrangular contra Nacional/AM, Flamengo/PI e Ferroviário/MA. O Leão levou a melhor depois de três vitórias, dois empates e uma derrota.

 

Na temporada de 70, Danilo retornou ao Remo depois de um acerto salarial: 10 mil cruzeiros de luvas, 2 mil e 500 mensais e hospedagem para o filho do treinador. Mas não repetiu o mesmo sucesso dos dois anos anteriores. Mesmo assim, merece lugar na galeria dos técnicos mais vencedores da história do clube.

 

Danilo morreu em 1996, aos 76 anos, pobre e solitário em um asilo no Rio de Janeiro.


Tostão em Belém no caminho do tri

19/02/2009

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O Pará nunca foi um estado frutífero de jogadores para a seleção brasileira. Os atletas paraenses que vestiram a amarelinha foram exceções que confirmam a regra. Suíço, Quarentinha, Charles Guerreiro, Giovanni, Sócrates (que só nasceu aqui e foi embora muito cedo)**… contam-se nos dedos. No entanto, a capital do estado fez parte da trajetória de um craque do escrete canarinho rumo ao tricampeonato mundial em 70. Apesar de ser uma participação quase irrelevante, é um causo curiosíssimo que hoje completa 39 anos.

No dia 20 de fevereiro de 1970, Belém foi a primeira parada em solo brasileiro no regresso de Tostão dos Estados Unidos. Ele havia feito uma série de exames médicos em Houston, nos Estados Unidos. Alguns meses antes, num jogo entre Cruzeiro e Corinthians no Pacaembu, o atacante cruzeirense tomou uma bolada no olho esquerdo depois de um chute do zagueiro corintiano Ditão. Tostão sangrou em campo. Tinha sofrido um descolamento de retina. O problema deixou a torcida brasileira tensa às vésperas da Copa do Mundo no México.

 

Na rota entre Houston e o Rio de Janeiro, onde se apresentaria à seleção, Tostão fez uma escala em Caracas e outra em Belém, onde passou exatos 55 minutos antes de embarcar rumo ao Galeão. O Boeing da Varig que o trazia da capital venezuelana pousou no aeroporto de Val de Cães às 2h45 da madrugada. A presença do craque não era uma surpresa, já que muitos jornalistas (inclusive do Ceará) foram cobrir a rápida passagem do artilheiro do Brasil nas eliminatórias da Copa. Segundo os relatos do jornal “A Província do Pará”, Tostão tratou o assédio com naturalidade e sem vaidade. Atendeu à imprensa e se deixou fotografar pelos fãs com muita simpatia.

 

Tostão fez questão de deixar bem claro que não havia motivo para apreensão sobre a possibilidade de ele ficar fora da Copa. Na bagagem, ele trazia os exames que comprovavam: a recuperação da lesão no olho era rápida. Por isso, o craque se disse surpreso com os boatos de que ficaria fora do Mundial. Ele prometia dedicação para recuperar as condições físicas, já que havia engordado seis quilos no tempo em que ficou sem jogar. “Regresso ao Brasil convicto de que estou totalmente recuperado da vista. Jamais me apresentaria à comissão técnica sem condições de integrar a seleção brasileira. Se agisse assim, estaria agindo contra mim mesmo”, disse. Depois de receber um exemplar do “Jornal dos Sports” de um repórter, Tostão embarcou às 3h45 e seguiu viagem rumo ao Rio de Janeiro. A rápida presença do craque em Belém ganhou páginas inteiras nos jornais locais.

 

Pouco tempo depois, houve uma mudança significativa na seleção: o técnico João Saldanha (que preferia Tostão a Pelé, a quem chamava de míope) foi demitido. A recuperação de Tostão convenceu o novo treinador, Zagallo. E o craque do Cruzeiro foi para o México, onde acabou sendo um dos grandes destaques do escrete tricampeão do mundo.

 

O problema na visão levou Tostão a encerrar a carreira precocemente, aos 26 anos, em 1973. Depois de abandonar o futebol, o craque se formou em medicina e sumiu dos holofotes. Só “reapareceu” nos anos 90, quando se tornou colunista de jornais e comentarista de emissoras de rádio e TV. Nesse meio tempo, o Pará não mandou para a seleção um grande craque como Tostão. A não ser em Boeings da Varig depois de uma rápida passagem pela capital. 

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** informação adicionada após o comentário do Hélio aí embaixo.


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